segunda-feira, 19 de março de 2007

FALAR COM OU SEM RUÍDO





A hierarquia da igreja católica fala e esbraceja com muito ruído.
Não admira que esteja longe deste mundo... Num mundo (felizmente) utópico. Num mundo (infelizmente) anquilosado.


Frei Bento Domingues, não.
Fala com suavidade. Para o mundo que é o nosso. Voltado para a frente. Não de costas para ele.


Na sua coluna de hoje, no
Público, rematava assim:

«A parábola [do filho pródigo] supõe que, para Jesus, um Deus que não respeitasse a liberdade dos seus filhos, nem fosse compassivo, não seria Deus. E sem liberdade não é possível ser humano, nem religioso. Nesta parábola, Deus é a casa da festa para todos os que regressam do mundo onde se perderam da alegria.»

Em quantas igrejas, do mundo, se terá feito “esta” homilia?
Não é difícil imaginar que em raríssimas...


Por que boca (pena) nos fala Cristo?
Pela do teólogo dominicano ou pela da hierarquia?
Em qual se reverá Ele e a sua doutrina?


É que a diferença é enorme!
Abissal, diria mesmo...

sábado, 17 de março de 2007

INTERMEZZO



“No poupar... Vai o ganho”
provérbio

O Sr. Samuel McSantos, judeu nascido na
Escócia, residente em Portugal, dirigiu-se
ao banco onde tem todos os seus depósitos
e poupanças, pediu para falar com o Gerente,
e propôs-lhe:
- Eu precisava de um crédito de 5 Euros a 30 dias.
- Oh, Sr Samuel! ... Um crédito de 5 Euros a
30 dias???!!! ...
Mas ficava-lhe muito menos dispendioso levantar
os 5 Euros numa das suas contas à ordem - disse-lhe
o Gerente, muito espantado
- Bem, ... Se não me concedem o crédito de 5 Euros
a 30 dias,eu acabo com todas as minhas
poupanças e depósitos neste banco, e vou para
outro
- Nem pensar, Sr Samuel! ...O seu crédito está
concedido desde já!
O Sr. Samuel começou a preencher a papelada
toda, para o crédito que pretendia de 5 Euros a
30 dias, e pergunta então ao Gerente:
- Quanto vou pagar de juros?
- Ora, 5 Euros a 30 dias, vai pagar 30 cêntimos
de juros - responde-lhe o Gerente.
- Bem, então eu queria deixar o meu BMW de
garantia.
- Oh Sr. Samuel, não é preciso! O Banco confia
plenamente!
- Bom, ... se não posso deixar o meu BMW como
garantia de pagamento do crédito concedido, eu
desisto do crédito e acabo com todas as minhas
poupanças e depósitos neste banco, e vou para
outro.
- Qual quê!? Nem pensar, Sr Samuel! ... claro que
nós aceitamos o seu BMW como garantia! Faça o
favor de estacionar o seu BMW na nossa garagem,
e ele ficará lá durante os 30 dias do crédito!
Chegado a casa, diz o Sr Samuel à mulher:
- Pronto, já resolvi o problema para estacionar o
carro durante os 30 dias em que vamos de férias,
e só pago 30 cêntimos de parque!!!
 

O sr Samuel é que sabe...

Parece tão fácil, não parece?

sexta-feira, 16 de março de 2007

“SÓ COORDENADOR”... (!!!)

Ó senhor ministro: pelas alminhas, explique lá à gente como é que se pode ser superintendente, coordenador... Sem ascendente!!!

Calhando... Terá de ser mais que coordenador...

N’é mesmo, senhor ministro?

O GORGULHO

O coleóptero andadando “por aí”
(este é da “casta” dos Sitophilus zeamais)



Anda “por aí”, mas de vez em quando poisa.

“Gorgulhou”, outra vez, o moço. Agora, para se queixar de “diferenças insanáveis” entre ele (a sua “levantada” corrente) e o partido a que (ainda) pertence...

Olha a novidade!!!

Valha-me a Santinha da Ladeira: mas não terá de haver, mesmo, inultrapassáveis e “insanáveis diferenças” entre qualquer mortal (ou entidade) normal e a irrequieta criatura?

Ai! Que a tia Ambrósia se apiede de nós, o sossegue, para tranquilidade de todos. Que não o arrede da incubadora!...

PREDESTINADOS

José Sócrates visto por Kaos

Constança Cunha e Sá tem uma mão pesada.

(Mas, para alguns, não tanto como eles merecem...)

É um casal que se completa muito bem: Vasco resmunga... Rezinga... Rabuja...
(Nem sempre... Mas quantas vezes cheíssimo de razão!!!)

Vai daí, Constança levanta a mão e... Zás. Zurze a valer.

Desta vez temos as estórias dos predestinados...

Hoje, em “O estilo e a substância”, na sua coluna semanal no Público,
Constança explica:

«Em Portugal, há uma suave combinação entre o poder e a arrogância que leva invariavelmente ao mito e à hagiografia».

E então, é assim: em 1990, o Expresso contava a história do menino Aníbal, que
Constança sintetiza deste jeito:
«apesar da sua aridez e da limitação dos seus horizontes, a história do "menino Aníbal" tinha, apesar de tudo, um sentido que ultrapassava a mera glorificação do chefe e do seu grandioso "destino". Entre os sacrifícios da infância e o posterior brilho da academia, a biografia não deixava de encerrar o essencial do cavaquismo».

Vai daí...

Recentemente, o outro semanário para onde se mudou, não há muito, de armas (e muitas) bagagens, o anterior director do jornal fundado por P. Balsemão, publicava a biografia do actual PM, biografia que ela viu como um «imenso vazio em que se afundam as inúmeras qualidades atribuídas ao biografado».

E então, depois de, sem nenhuma cerimónia, e em antetítulo, ter opinado que «o estilo do primeiro-ministro confirma apenas a sua falta de substância», comenta que, ao contrário de na do outro, «na história do "menino Zezito", não há esforço, nem sacrifício. Também não há proezas académicas. Nem feitos profissionais.» No fundo, conclui, com “pulida” acidez: «José Sócrates, esse estadista de última hora, foi sempre um homem do aparelho, um cacique local que cresceu nos jogos partidários e se distinguiu nos golpes de bastidores».

Como tantos, mais dois ídolos de barro. (Não só os pés).

Pois é...
“Josezito
já te tenho dito
que não é bonito
andares [a enganar a malta]”...

quinta-feira, 15 de março de 2007

AVANÇO... ÀS ARRECUAS...

foto WIKIPÉDIA

(Andante)

Ora aí temos uma igreja voltada para a frente. Para o séc. XI!

O quê? Violas e guitarras nas igrejas?
Onde já se viu?!...

Missa em língua que os assistentes/participantes entendam?
Onde se admite?!...

Avançar no sentido da História e dos conhecimentos que a Ciência nos traz?
Que ousadia?!...

Permitir que os “mal casados” se libertem “da sua cruz”, refaçam as suas vidas e tentem, de novo, a sua felicidade?
Como é possível?!...

Ainda por cima deixá-los participar mais totalmente da missa, comungando?
Como, sem serem exorcizados?!...

Abrandamento ou afastamento da Igreja da sua ancestral misoginia?
Que insensatez?!...

(Mosso)

AVANÇAR?

NUNCA!

(Scherzo- Pizzicato)

RECUAR, É A PALAVRA DE ORDEM!


(Largo)

O filósofo e colunista padre Anselmo Borges, o teólogo e também colunista frei Bento Domingues, como outros menos mediáticos, estão, por certo, no INDEX que o papa Bento XVI já deve estar organizando, afanosamente, na cúria romana...


Será que eles – e os tais muitos outros, de quem não se fala – serão mesmo excomungados por terem deixado caminho aberto, para reflexão, no sentido do sim?

E por acharem que é uma violência os divorciados, conquanto católicos praticantes, serem afastados da comunhão?

E alguns “irreverentes” e “vermelhuscos” (comunistas, está bem de ver) bispos...
Que lhes acontecerá, por semelhantes motivos? Ser-lhes-á retirado o báculo?

Ah! E esse menos assertivo (no sentido “eclesial”) patriarca de Lisboa? Não levará, pelo menos, um puxão de orelhas do ex-censor e actual papa?
Não é que ele tenha sido ousado, mas... Deve parecer demasiado flexível a Sua Santidade...


(Adagio assai)

Não que eu não seja capaz de entender (só de entender!) uma igreja conservadora...

Mas anquilosada?

Mas parada entre os séculos III, IV, e a actualidade?

(Menuetto)

Tão longe do povo, de que Cristo se aproximava?

Sobretudo dos seus fiéis?

quarta-feira, 14 de março de 2007

SANGUE, NO CALDAS

(Andante)
José Castro Coelho, alto dirigente do CDS, não insinua nada (como acontece muito por essas bandas). Pelo contrário: claramente afirma acerca de PP (não, não é isso que logo lhes ocorreu: é mesmo Paulo Portas) que “ele, seus estratagemas e seus homens-de-mão são os principais responsáveis” pelo “momento difícil” que “o CDS” vive.

A certeira objectiva de Kaos
captou o momento do sacrfício do actual líder do CDS

De facto e depois do já longíquo repto que a velha raposa (no caso, Mário Soares) lhe lançou, o rapaz continua sem crescer, continua a “reinar c’o pessoal”...

(Presto. Vivace assai)

Castro Coelho falou bem claro.

E, rebarbativo, lança-lhe a casca de laranja, imaginária questão a referendar: “Concorda com a interrupção voluntária dos mandatos, por vontade do Paulo Portas, se efectuada em eleições directas, não previstas pelos estatutos?”

Consultado o “geniozinho”, o moço só se fixou nas primeiras cinco palavras da pergunta, e num repente, possesso, vociferou:

(Pizzicato)

abrenúncio!...

NÃããããoooo!!!

Com a possível calma, um dos assessores recomendou-lhe que, por uma vez, não fosse precipitado, que ponderasse em toda a frase...

(Adagio)

Aí o deslumbrado moço engasgou-se, balbuciou uns sons e recuou: ah bom! Claro que sim... Evidentemente!

segunda-feira, 12 de março de 2007

MEMÓRIA...

Confirmado: certos saudosistas têm toda a razão...


Foi há 51 anos atrás, também numa SG, 12 de Março, mas de 1956: a PIDE – a, já de si, feroz polícia política da ditadura salazarista – passa a ter cobertura legal para
manter preso, por tempo indeterminado, quem ela considerasse suspeito, mesmo que tenha sido absolvido em tribunal...


(Allegro)

Então não eram felizes esses tempos?

O sistema funcionava ou não que nem um relógio suiço?

Aos cidadãos nem era exigido muito...

... Bem pelo contrário, como a imagem documenta

(Presto)

Sublinho: a suspeição (exactamente, a MERA suspeita) chegava para manter preso pelo tempo que lhe (à PIDE) apetecesse, mesmo que a pobre criatura tivesse sido absolvida em julgamento...

A PIDE sobrepunha-se ao poder judicial...


(Allegro ma non troppo)

Como reagiam os meritíssimos juízes (da última à primeira instância)?

Complacentemente. Sorriam, encolhiam os ombros, assobiavam para o lado.

(Não era bonito ver um senhor doutor juiz a assobiar...)


(Vivace assai)

A BEM DA NAÇÃO.

(Os meritíssimos dos tribunais Plenários, esses, nem se importavam de ser postos em causa. Pelo contrário batiam palmas)

Tudo A BEM DA NAÇÃO.

(Adagio)

(Aos mais jovens e aos mais incautos recordo: a bem da nação era uma maneira de dizer: para perpetuação do regime e do ditador. Percebem, não é?)




QUAL FANTASMA...

O da incubadora (aqui, qual Pilatos), no congresso das DIREITAS EM PORTUGAL

(Poco adagio)

... Ele anda por aí. Mas, agora, vai parando aqui e acolá, para debitar uma coisas.

E, curioso, ainda vai havendo quem o oiça!

Agora foi no congresso das DIREITAS EM PORTUGAL, onde, (premonitoriamente?), referiu o aparecimento de um novo partido dessa área.

Claro que logo se imagina que, da nova manta de retalhos, virá a ser CHEFE o sobredito (só na aparência, subentendido) calimero!

(Vivace assai)

Ele tinha avisado que voltava – para surpresa de poucos e tranquilidade de alguns. Para gáudio de todos: cada Corte tem direito ao seu bobo... Ou não terá?

Créditos
Mais um crédito para João Pestana (Kaos), pela sua preciosa (e involuntária) colaboração (mas de boa vontade, eu sei...).
A legenda é adaptação minha.

A GRANDE E PRÓSPERA INDÚSTRIA

Ilustrações Zed/ Apud VEJA ol

"Projectos de João Cravinho desviados do debate da Assembleia da República" - tem sido matéria recorrente nos últimos tempos...

Dado que toda a gente sabe sobre que versam tais projectos... Logo se descortina a intenção da atitude: nada de incomodar a grande indústria nacional (mundial, melhor) da corrupção!

Aliás, Cravinho até foi “chutado para cima” – prática muito usada para certos “abelhudos” “incómodatícios” e “importunos”...

Não há dúvida: Sampaio, Ana Gomes e Cravinho são um fermento que não leveda a actual massa genérica de políticos... Nem dentro do seu próprio partido.

Mas eu acredito que as coisas vão mudar...

Só por uma razão: porque vamos ser cada vez mais os que queremos que elas mudem...


 

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