sábado, 12 de janeiro de 2008

LUÍZ PACHECO





Foi um post recente, do José Ribeiro, n’ O VOO DA CORUJA, que me deu a deixa para o meu apontamento de hoje.
Luiz Pacheco.
A sua aparência, por vezes grotesca, a sua permanente irreverência, a indigência tantas vezes exibida (E VIVIDA) não lhe retirara a lucidez que igualmente sempre lhe foram, por tantos, reconhecidas.Uma lucidez como poucos seriam capazes de revelar.

Não conhecia o sofisma nem a linguagem indolor...
Explorava e exibia mais o avesso do que a lisura do política e socialmente correcto.

Era um homem inteiro, de espinha direita, incapaz de substituir a palavra dura, talvez agressiva, corrosiva, mesmo, pela preferida pela tranquilidade das boas consciências.

Mas quantas pessoas são capazes – e a quantas isso será permitido – de dizer o que, como e quando pensam?

Enigmático? Excêntrico? Talvez.
É que não se adequava aos clássicos e subtis figurinos.

Era. Não pretendia – muito menos fingia – parecer ser.

Lúcido.
Corajoso.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A REALIDADE PARA MILHÕES!

Recebi há pouco por mail…

São cada vez mais os sinais, no mesmo sentido, que nos chegam de toda a parte!

PERTURBANTE!

ATERRADOR!

Certo que, quem, principalmente, deveria reflectir nisto, deveriam ser exactamente os que não vêem estas reportagens.
Mas eles conhecem os factos, embora a sua cegueira lhes não permita meditar sobre esta dura realidade.


«A nation blind to their disgrace

The lyrics are quite haunting and in light of Ms Bhutto's fate, this clip appears more poignant than ever. Man's inhumanity to man. And women. And children. Can we dare hope for some sanity in the year ahead?

click on:
No Bravery»

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

APESAR DE TUDO: “CONFIANÇA NA AMÉRICA”, DISSE

um símbolo


“Não ao nuclear, dizemos, enquanto possuímos o maior arsenal mundial. Respeitem a lei, exigimos, enquanto menosprezamos as Convenções de Genebra. Ou estão connosco ou estão contra nós, declaramos, enquanto ignoramos o impacto das nossas acções na Turquia e no Médio Oriente. Tirem as mãos do Iraque, avisamos, enquanto as nossas tropas ocupam Bagdad. Cuidado com o poderio militar chinês, clamamos, enquanto gastamos em defesa quase tanto como o resto do mundo inteiro. Honrem o futuro, pregamos, enquanto desertamos em relação às mudanças climáticas” (Madeleine K. Albright, em artigo de opinião, hoje no Público, sob o título “Confiança na América”)

Quem esperava que a confissão da ex-Secretária de Estado do Presidente Bill Clinton fosse tão longe?
Ah! Mas os americanos são assim: gostam de exibir uma grande liberdade de expressão.
De qualquer forma o que, a muitos, nos parece ver em cada americano... é uma criança crescida: instável, perplexa, delirante, imatura, hilariante nas suas contradições e nos seus caprichos.


TR 11SET2001: abria-se uma brecha na "superfortaleza"
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Um dia aconteceu que a “fortaleza inexpugnável”, o campeão da segurança, de repente se viu à mercê de qualquer ataque. Mais: ataque que talvez não tenha, tanto assim, de surpreendente e de inesperado!

Albright, depois de falar na cultura do medo, (irreversivelmente) instalada, com a maior inocência deixa entender que “o presente mais precioso que o próximo Presidente pode oferecer aos Estados Unidos é o fim da política do medo”!...
Madeleine Albright dá a impressão de ter perdido a compostura, de não saber de que fala. Parece ter esquecido que os EU sempre se guiaram por padrões que em nada se prendem com a paz e com o fim da política do medo. Outros interesses, sobejamente conhecidos, se sobrepõem a tal desiderato: não é para nenhum cidadão do mundo uma afirmação merecedora de crédito, não é uma atitude séria, aquela que, por vezes, os EU têm o despudor de proclamar: a paz. Não é sério que se fale em paz promovendo a guerra, já que o motor dos norte-americanos é o petróleo e o armamento e uma soma de interesses geoestratégicos que se prendem com a sua tradicional, e incurável (?), ânsia de domínio do planeta (dentro e fora dele), esta a verdade indesmentível.
(Sei, lembro-me, que o JR me recordou – E BEM! - que desde, pelo menos, a concepção de política de Maquiavel que, ninguém de senso, neste mundo, espera que um político seja sério... Mas estou com enorme dificuldade em adquirir esse senso! Creio ser inevitável morrer, um dia, sem ter conquistado esse pingo de inteligência!)

O que a ex-Secretária de Estado se terá esquecido de referir é que foram os EU quem deu formação, quem armou e quem preparou, para a guerra ou para a guerrilha, todos ou a generalidade dos seus inimigos.
O que a ex-Secretária de Estado terá omitido é que os EU deram importante e decisivo contributo para o clima de medo que o Mundo vive hoje.
O que à memória da sra Albright não ocorreu - ou as suas palavras não ousaram acompanhar o seu pensamento -, foi que os EU estão directa ou indirectamente ligados à política de terror, que uma linguagem
soft não permite classificar de terrorista.

Palavra do tio Sam – tirando a que respeita à guerra e à retaliação ao aumento do seu poderio – não é para levar a sério.

“Não podemos ignorar”!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

MIGALHAS

foto Yasuyoshi Chiba/AFP



“Largos milhares de habitantes de Kibera, uma cidade de barracas de zinco nos subúrbios de Nairobi”, lutam pelo alimento que a Cruz Vermelha distribui.

Na verdade, à agitação política que se seguiu à eleição de Mwai Kibaki, em 27DEZ último, e que já teria provocado a morte de, pelo menos, um bom milhar de quenianos, seguiu-se o espectro da fome.

“Grassa a fome no Quénia”, referia, hoje, em grande título, o Público. “Julgava-se há alguns meses que o Quénia era um país relativamente calmo, num continente muitas vezes em ebulição; mas agora as perturbações que ali se vivem estão a juntar-se às da Etiópia, Somália, Sudão e outros territórios”- esclarecia o mesmo periódico.

Aliás, estas instabilidade e agitação políticas vieram agravar a, já de si, dramática situação vivida nessa área do Continente (Corno d’África) e imediações, no que à base logística de auxílio lhe respeitava. E é assim que “as camadas mais desprotegidas da Somália, Uganda e República Democrática do Congo terão agora de esperar longos dias até que lhes cheguem algumas migalhas de socorro” – explicava o mesmo artigo.

“Migalhas”...

É o reverso da medalha.


terça-feira, 8 de janeiro de 2008

MATURIDADE

Dos jovens tem o gosto da polémica. É inteligente. É sabedor. De alguns dos mais velhos cultiva a sensatez.
É humano. Claro que é humano: mas a falha que o prova é difícil de encontrar.

Tem, com Helena Matos uma página no Público de Segunda a Sexta. Em que jogam um pingue-pongue de palavras. De ideias, melhor dito.
Ainda não ouvi júri que se pronunciasse sobre a matéria, mas creio que ele – Rui Tavares, que é de quem falo – tem marcado mais pontos. Embora muitas das “bolas”, bem puxadas por HM, mesmo rentinhas à rede, pareçam levar o selo do ponto certo a seu favor. Mas não; na volta, RT apanha a “bola”, mesmo a rasar a barra branca do limite da mesa, mas devolve-a com um poderoso e, muitas vezes, indefensável remate.

Hoje RT fala – para os verberar – na precipitação de juízos e de conclusões, no exagero de catalogação de actos e atitudes, na inverdade de afirmações que, venenosamente ou não, se pretende fazer passar por verdadeiras.
E não se coíbe de enunciar nomes.

Não faz o meu género o culto da personalidade, mas aprecio a firmeza de convicções quando convincentemente fundamentadas. Aprecio a lucidez, a serenidade, o saber de quem se apresente no terreiro da discussão, sem atender a “galões” nem “penachos”. E sem empáfia.

A razão e o acerto nem sempre sopram do mesmo lado: do dos mais velhos e supostamente mais experientes. Porque a experiência não se prende, necessariamente e só, com a idade.

Aquela conjugação de saber, lucidez e serenidade é que confere elevação à troca de argumentos entre opositores. Uma vez que cimentada pela tal bem assimilada experiência.

A idade não é tudo e a senioridade pode ser alcançada muito cedo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

“OBSESSÃO NARCÍSICA”


há vários tipos de espelho





Há dias, não me recordo quando, ouvi ou li algures, nem sei onde, uma referência a umas jornadas de reflexão de que não sei que celebridades ou pensadores, numa qualquer localidade, do interior, creio...
E, de raspão, ouvi ou li que um dos ponderados perscrutadores dessas matérias graves e sérias da vida e da política, um dos conceituados e mais respeitados intervenientes nessa reflexão era Santana Lopes.

Não mais ouvi referir tal assembleia de pensadores, nem acompanhei as respectivas conclusões.

Não sei bem ainda como nem porquê, mas por vezes temos “brancas” que nos fazem perder o rasto das coisas verdadeiramente importantes...

Mas alguém deve ter registado as máximas aí pronunciadas por esse mago da sensatez, da maturidade, do sentido de responsabilidade e de Estado...
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Dias depois, não li nenhuma acta da magna sessão, mas li - e não a propósito, se bem cuido -, de Pacheco Pereira a seguinte passagem, numa sua crónica habitual que, desta vez se intitulava “Documentos para a década triste”: «(...) No YouTube mantém-se esse fabuloso documento para a história portuguesa que é o "Menino Guerreiro", a que se deve somar o "discurso da incubadora" e o blogue Pedro Santana Lopes, todos dominados por uma pulsão de crise, vitimização, afirmação, obsessão narcísica, verdadeiros mostruários psicológicos e humanos de uma década que conheceu o seu autor como primeiro-ministro de Portugal. Quer o karma, quer a repulsão se percebem muito bem nestes exemplos ingénuos do efeito da espectacularização da vida pública e da sua "patologia".»

Obnoxius delirium premens, diria Catilina.


domingo, 6 de janeiro de 2008

“SÓ SE FOR MEDO...”



É a voz de um democrata!
É o desespero de um socialista!
É mais uma reacção a uma preocupante, confrangedora e perturbante passividade!
Pode parecer um grito agressivo. Nada disso. É antes a voz serena da razão de um cidadão que não se conforma com o juízo DE ALGUÉM de que todos somos cadastrados, assassinos, malfeitores. Mas que deixa os malfeitores à solta, que não permite que os cadastrem ou que lhes branqueia a folha.
É a voz de quem não aceita ser governado por uma criatura tal, como a ali descrita!

É um texto exemplar. De António Barreto.
Definidor de uma época e da sua principal personagem.

Dele retiro o sublinhado da própria edição:

«O primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas»

Como trago também, de lá, a seguinte reflexão: “Não sei se Sócrates é fascista”, “sinceramente, não sei”.

Depois, não posso, ainda, deixar de destacar a última e perturbadora conclusão do autor: “tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo...”


(“SÓ SE FOR MEDO...”)


Como se deixa ver, é um texto que merece ficar arquivado no APOSTILA. Trata-se de “SÓCRATES E A LIBERDADE”



SAÚDE...







O estado da saúde visto pelo bisturi e pelas parcas palavras de Luís Afonso, hoje, no Público
(Mais difícil de ler é o aviso fixado na porta, que diz:
ATENÇÃO
Encerrámos este serviço a pensar no seu bem. Há um óptimo Hospital a 50 quilómetros.)

sábado, 5 de janeiro de 2008

COMO? NÃO HÁ ALTERNATIVA?

Zé Povinho e a sua albarda
de R. Bordalo Pinheiro




Não me resigno. ESTE PS, afinal, parece ter a benevolente compreensão do PS. De algum PS.
Foi com grande estranheza que vi que para Ferro Rodrigues (!) ESTE PS, se apenas se tornasse mais humilde, até estaria bem. Pelo menos é o que se infere da sua afirmação de que não existe alternativa!

Não me conformo. Pode lá ser verdade?
Não me basta, já, a lábil esperança!
O desespero parece ser a única hipótese de reacção.

Não pode ser.
Outros há que têm de pronunciar-se.
Quando se decidirão eles a fazer uma pausa nos seus “afazeres” para dizerem de sua justiça?
É preciso que alguém mostre a este governo que a besta que suporta toda a sua fúria e toda a carga, está prestes a vacilar, a sumir... E depois?
Será preciso chegar a este estádio para, então, distribuir a factura por outros e mais qualificados e reais devedores?
Será necessário chegar a tal ponto para deixarmos de sustentar parasitas?
Não deveria ter chegado, há muito, a hora de serem os próprios partidos, à sua custa, a pagar os favores que devem, as fidelidades conquistadas?

Aguardamos ansiosos que gente sensata e isenta do PS se pronuncie.
Sei que ainda por lá há quem tenha coluna vertebral!
E cuido que ainda por lá há quem não tenha medo!

Mas já não há muito tempo para esperar...



sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

UM VOTO

Quando teremos no Mundo a Paz, a Harmonia e a Beleza que o Universo nos transmite?

Não são os títulos com que se anunciam, nem o fausto, a exuberância que exibem, nem os milhões de que são detentores, nem a extensão, a grandeza ou a importância dos seus domínios que a sua mão aponta que lhes dão aquela aura de vencedores. É o ar mais saudável que conseguirem demonstrar nesse momento.
É que, sem saúde, tudo isso não passará, afinal, de mais alguns tormentos...
Para os próprios, claro.

Saúde para todos. Paz para o Mundo. Pão para todos. Solidariedade para o Mundo. Uma vida minimamente dignificante para todos. Que a alegria de viver possa regressar ao Mundo – mesmo que tantos e tantos tenham de reaprender a sorrir! E que muitos mais o tenham que aprender, mesmo.
Que 2008 não doa, apenas, aos mesmos. Que não doa tanto como os mais têm doído aos do costume!

Que o desespero deixe de ser o sentimento mais dominante. Que haja lugar à esperança.

Que o Homem algum dia consiga trazer ao Mundo a Paz, a Harmonia e a Beleza que caracterizam o Universo.


 

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