quarta-feira, 15 de julho de 2009

FÉRIAS

o Verão (possível) de tantos portugueses, em caricatura

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Onde passam os portugueses da classe média as suas férias?
(Sim, que dos outros, dos das classes menos exigentes, e menos abastadas, sabemos que as não gozam, ou as passam no sítio do costume: “na terra”, quando muito; ou no local onde habitualmente vivem)

Verdade que o Verão já não é exactamente aquela estação a que estávamos habituados: os dias de sol radioso e de temperaturas reconfortantes não são mais uma certeza de Julho a Setembro. Agora, durante esses meses, a uns dias de temperaturas agradáveis, convidativas a uns dias de lazer e de refrescante retempero de energias nas praias soalheiras, ou no campo, por esse país fora sempre em festa nesta quadra do ano, seguem-se os dias de clima fresco, nublados, por vezes chuvosos mesmo, que dão lugar a uma canícula insuportável, para logo voltarem, de novo, as camisolas de lã e os guarda-chuvas e de seguida, em sucessiva alternância, as temperaturas sufocantes.
Mas as alterações climáticas não são uma novidade exclusiva do nosso país. São uma constante em todo o mundo, que sofre o rigor dos excessos climatéricos, dado que o homem, deliberada e suicidariamente, decidiu não olhar a quaisquer meios para atender à sua ganância, à sua falta de inteligência, aos seus hábitos anti-ecológicos para destruir e degradar, em galopante velocidade, o ambiente. Tudo em lugar de os sustar, como manda o mínimo senso e como tem seriamente aconselhado a ciência.

Mas o certo é que todos nos regemos pelos ditames do calendário que continua a designar de Verão àqueles referidos meses. E a neles preferir gozar as férias.

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Há muito que não rumava aos “Algarves”. Sobretudo a estas bandas do Barlavento. Mas este ano, por prévia combinação com familiares e amigos, lá voltámos a matar saudades de outros idos (80’s), com estacionamento na Praia da Rocha. Mais precisamente na, antigamente, referida zona dos “Três Castelos”, hoje denominada Praia da Bota (a foto explica porquê), que desde há quase quarenta anos os “habitués” conhecem por Praia do Branquinho.
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a hoje dita Praia da Bota, após a maré vazante da sua grande afluência de veraneantes

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vista da mesma Praia, das bandas de Nascente, também ao entardecer

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vista da mesma Praia, agora das bandas do Poente, à mesma hora de “desmontar a tenda”, com os rochedos, depois do Vau, que dão para a Praia do Alemão, em segundo plano, à direita, e a Ponta da Piedade (Lagos), por trás, em terceiro plano, lá num horizonte muito mais desmaiado (quase invisível)

o cartão de visita dos Branquinhos
no Restaurante Branquinho, depois das sete, com o Sol ainda alto

Como noutros tempos, aí nos sentimos em família. Quer com o casal Alice e Joaquim Branquinho, quer com os filhos. E, agora, até com os filhos destes.
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Nessas praias, e por essas bandas do Algarve, vêem-se, sobretudo, espanhóis (embora não tantos como na Páscoa) e outros estrangeiros, sobretudo nórdicos. Mas, até (no Restaurante e no Bar Branquinho, pelo menos), australianos.
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a Praia da Amoreira, com a praia fluvial em primeiro plano, vista do lado do acesso que vem da Praia de Monte Clérigo

Portugueses, veraneantes, poucos. Muito poucos, mesmo. Ainda que sejam eles que predominam noutras praias algarvias, ao que me parece, como nas da costa vicentina de Arrifana, Monte Clérigo e Amoreira.

vista da bela costa vicentina, imponente e alcantilada, para Sul das ruinas do forte de Arrifana...

Gostei de recordar a beleza extraordinária que são estas costas algarvias! Tanto a de Oeste como a do Sul...
... e a Norte do mesmo local
o farol do cabo de S. Vicente e a placa da sua inauguração, do lado esquerdo

... Como gostei de rever Sagres e o Cabo de S. Vicente.

... zoom da referida placa
por trás e por cima (na imagem) deste promontório, ao lado do cabo de S Vicente, o promontório de Sagres lá ao longe (realmente, bastante perto)
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Mas portugueses em gozo de férias… Poucos.
Bom, e nas praias concessionadas, e vigiadas... Raros.

Talvez não seja difícil adivinhar porquê…
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terça-feira, 14 de julho de 2009

MUNDO CÃO

imagem Carles Francesc/Público

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O imigrante sem papéis cujo braço foi atirado ao lixo pelo patrão, que o mandou ficar calado

Por Nuno Ribeiro (Público), de Madrid, aos 12.06.2009.

Chocante e impressionante é a história recente do jovem boliviano Franns, de 33 anos que, imigrante sem contrato (“sem papéis”, na classificação legal) desde 2006, em Espanha, em 28 de Maio último protagonizou uma experiência trágica, de revoltante desumanidade e de bárbara crueza.

Depois de durante estes cerca de três anos ter penado, por Madrid, na construção civil, por Múrcia, numa serração, e, desde há ano e meio, numa panificadora, em Valência, eis que vive aí um episódio de indescritível brutalidade.

Como habitualmente, naquele fatídico dia, Franns ligou a máquina de amassar o pão, lançando 40 quilos de farinha às pás. Mas com o farelo foi um papel. Acto reflexo, e para o retirar, o boliviano tentou apanhá-lo com o braço esquerdo. “Sentiu uma dor, viu sangue e, ainda assim, desligou a máquina. Salvou a vida”, mas não se livrou da dor nem das consequências da criminosa actuação da entidade patronal e da indiferença da lei!

O filho do patrão, Juan Rovira, tendo lançado o braço do empregado ao contentor de lixo, enrolado em sacos de plástico, levou-o ao Hospital. Mas parou a 200 metros das urgências, “ordenou-lhe que saísse e recomendou-lhe que não contasse o que tinha sucedido. Com o ombro ensanguentado e a perder forças, Franns foi andando, mas foi com a ajuda de um transeunte que chegou à urgência”.

Para cúmulo da tragédia, e da desumana situação dos imigrantes, o drama de Franns, sem braço, é certo, nas referidas condições, mas, porque sem contrato, não pôde ser catalogado como acidente de trabalho…

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A frio e sem mais palavras ou quaisquer juízos… Aí fica a sumária descrição do episódio.

O “mundo cão” não é uma fantasia mórbida.

É uma realidade.

Ainda hoje.

Sobretudo hoje.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

FOI PARA ISTO QUE FIZEMOS O 25 DE ABRIL? (6)

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Valentim, feliz (?!), confirma buscas

em sua casa, nas suas empresas e na câmara,

"justificadas por milhões de euros sem origem conhecida”

(cfr Público online, 18.06.2009)


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Veja a carta que o major escreveu aos gondomarenses nas últimas autárquicas:

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Não, decididamente não foi para isto que fizemos o 25 de Abril: não foi para sustentar caciquismos, nem para tolerar este tipo de traficância, para pactuar com a venalidade do voto…

Não, não foi para contemporizar com políticos deste jaez que o fizemos…


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domingo, 12 de julho de 2009

CONFISSÃO INUSITADA


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"A tempestade perfeita" (Sócrates dixit) no traço acutilante de Luís Afonso...

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("Agora a cores": opinião semanal de Luís Afonso - in Público de SB 11.07.2009)
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quinta-feira, 9 de julho de 2009

AJANTA E A ARTE BUDISTA



Os Contos de Jataka (uma famosa coletânea de lendas sobre as vidas anteriores de Buda) nas grutas de Ajanta



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Nas páginas da Fundação Maitreya o Dr. A.P. Jamkhedhkar, ex-Director de Arqueologia e Museus, diz que «Ajanta oferece uma história sem interrupção do desenvolvimento de arquitectura religiosa do Budismo, durante um período de 700 anos», tornando-a um local ímpar em matéria de escultura, arquitectura e pintura de grande beleza e apreciável técnica. Os murais, pinturas rupestres e frescos que decoram paredes, tetos e pilares, transmitem a todo o mundo, como é usual, a história dos reis, do Buddh e do povo.


Buddh (o "despertar", por extensão o budismo),

no fundo querendo designar o Buda ("Desperto", "Iluminado")

que actualmente se entende como alusão a Siddhartha Gautama,

mestre religioso e fundador do Budismo no século VI antes de Cristo.

Ele seria, portanto, segundo a lenda,

o último Buda de uma linhagem de antecessores cuja história se perdeu no tempo.

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A perda de importância, de influência e de implantação do budismo, e o seu apagamento, aliados ao surgimento de outros pontos de interesse turístico-cultural, nesse grande subcontinente indiano, no século XVII, transformaram aqueles ermos em matagais que esconderam, durante mais de dois séculos, tão singular preciosidade.
Na verdade, só em 1819 as grutas foram descobertas, por mero acaso, por um oficial da East Índia Company.
Intrigado com o aspecto incomum da escarpa rochosa, a seus pés, com sinais evidentes de tratar-se de lugares noutros tempos habitados, o seu grupo afoitou-se, meio receoso, a entrar e descobrir aquelas perdidas relíquias dando início aos grandes esforços de restauração e conservação das grutas e do seu precioso recheio artístico que remonta ao séc II a.C.
As grutas de Ajanta, em Aurangabad, uma cidade indiana do estado de Maharashtra, de que Bombaim é a capital, e que se localizam no oeste do país, são, assim, um testemunho sem interrupção da história religiosa do budismo, durante um período de 700 anos.

Ainda segundo Jamkhedhkar, a expressão artística de Ajanta viajou para outras paragens, por terra e pelas rotas marítimas comerciais, e acredita-se que as pinturas budistas nos santuários e mosteiros de Sri Lanka, Afeganistão, Nepal, Tibete, Mongólia, China e Japão foram inspirados por aquelas que se encontram em Ajanta.
Aliás, consta que, espalhadas pela Ásia, existem mais de 5.000 cavernas budistas chinesas que foram criadas e pintadas durante a época de ouro do budismo, no domínio do império do Primeiro Imperador Qin Jet Li, para nelas abrigar os seus eremitas.
Foi o reconhecimento da importância das grutas de Ajanta que levou a UNESCO a declará-las Património da Humanidade em 1983.

Veja, então, o
álbum de diapositivos sobre Ajanta.
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terça-feira, 7 de julho de 2009

AINDA UMA VEZ MAIS O «LAGO DOS CISNES»…

Principe Siegfried e Odette
O Lago dos Cisnes, selo russo de 1993, de 25r (imagem Wiki)
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… E DE NOVO COM WU ZHENGDAN E WEI BAOHUA

O mesmo duo que já antes aqui apresentei numa outra passagem do Lago dos Cisnes, nos principais papeis de Odette e de Príncipe Siegfried, Wu Zhengdan e seu parceiro, Wei Baohua, elementos integrantes do ballet acrobático da china, Guangdong Acrobatic Troupe, que – recordo - desde 2006 tem feito apresentações em vários países da Europa com enorme sucesso, e que já anteriormente aqui haviam sido apresentados por Claude Bessy, ex-Directora do Ballet da Ópera de Paris, trago-os desta vez, em nova interpretação do mesmo ballet dramático de Tchaikovsky, em mais um admirável e único espectáculo onde de novo a acrobacia, a técnica e a arte se casam numa minuciosa precisão e rara beleza, na sua recorrente imagem de marca, em que a bailarina dança em pontas sobre os ombros e a cabeça do bailarino!
Soberbo e espectacular, de facto.




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segunda-feira, 6 de julho de 2009

JOSÉ NAMORA MANUEL…

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… mas o histórico socialista não parece disposto a ceder

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«José Sócrates pressiona Alegre

para que entre nas listas do PS

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Vencido mas não convencido na guerra interna que tem travado com Manuel Alegre, José Sócrates não desiste da ideia de que aquele histórico militante socialista integre as listas do PS às próximas eleições legislativas marcadas para 27 de Setembro. Mas Manuel Alegre não deverá ceder aos intentos do líder socialista e, por motivos de coerência política, deverá manter a sua decisão de não integrar as listas eleitorais.
(…)
As divergências políticas entre Alegre e Sócrates existem desde que, em Setembro de 2004, ambos se defrontaram – também com João Soares – nas eleições para o cargo de secretário-geral do PS. Sócrates ganhou e adoptou uma linha de orientação política que tem sido sistematicamente criticada por Alegre.»

PÚBLICO.PT 03.07.2009 - 23h07 São José Almeida


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Alegre não deve, de facto, estar disposto a desbaratar o capital político conseguido com as últimas presidenciais em que, como candidato independente, bateu, de forma bem clara, o seu camarada de partido, o impante Mário Soares, homem dado a ódios de estimação e que, exactamente nessa linha de actuação, passou a desconsiderar e menosprezar, desde há bastante, o velho histórico de Coimbra. Como o fizera, aliás, a outro grande nome e igualmente dirigente histórico do partido, Salgado Zenha.
Demais, Manuel Alegre tem sido um crítico bastante declarado das políticas neo-liberais do actual primeiro-ministro. Não será fácil, portanto, agora, converter-se num seu colaborador e apoiante.
O autor de «Praça da Canção» (1965) e de «O Canto e as Armas» (1967) preferiu, nitidamente, abster-se de provocar qualquer cisão do PS. Representará, sim, uma larga facção do partido mais à esquerda que se opõe à que está agora à tona do poder.
E é nessa condição que vai, certamente, querer manter-se.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

PINHO DESTEMPERADO E ESCARNINHO

a imagem tão divulgada e discutida
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Parece caminharmos a largos passos no sentido da degradação das normais regras de conduta e intervenção na AR. A “elegante” atitude do ministro Pinho, ontem, para a bancada do PCP revela uma avançada “japonização” de processos de comunicação no nosso Parlamento.

O desespero de causa é evidente.
E quando ele acontece é fácil, a certos indivíduos, perderem a tramontana.

Triste sinal dos tempos que Abril não pode consentir.
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

DIZ QUE...

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Foto de Adriano Miranda (arquivo) (Público ol)

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Telegrama da Lusa informava esta tarde as redacções: «Um relatório do Grupo de Acção Financeira (FAFT-GAFI) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aponta os clubes de futebol como “veículos perfeitos para a lavagem de dinheiro” por criminosos.
O documento salienta que a lavagem de dinheiro sujo através do futebol não passa apenas por investimento em clubes, mas também pelas transferências de jogadores, que por vezes envolvem “verbas astronómicas”, pela indústria de apostas, designadamente online, e pelos patrocínios e publicidade. (…)»

01.07.2009 - 17:47 Lusa

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E DIGO EU: DESPORTO?

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. o jogador mais caro de todos os tempos não precisa de apresentação
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Nunca abordo o fenómeno desportivo, na sua vertente futebolística. Não por má vontade, muito menos por preconceito.
Pelo contrário, gosto de uma boa partida de futebol e, conquanto não muito assíduo aos encontros, na minha poltrona cativa, na “bancada central” do aconchego da minha sala, sou um indefectível sportinguista desde o tempo em que, era eu menino, os violinos eram quem sobressaía na orquestra.

No entanto, deixei de conhecer os labirínticos desígnios do desporto rei. E assim fui esmorecendo relativamente a ele, consoante ele foi deixando a pureza do ideal desportivo e o pendor amador e se ia transformando numa poderosa indústria. Pior ainda quando, convertido em grupos mafiosos, avançou em uniões espúrias com a política na sua pior expressão.

Resultou de toda esta evolução que o mundo do futebol se resumiu, em cada país, a menos de meia dúzia de formações com vocação eventualmente vencedora, porque detentoras de um poderio económico que lhes permite, na aparência, ao menos, organizar e manter um plantel de qualidade. E de entre estas, uma, talvez duas, capazes de concretizar essa vocação, porque as únicas que dispõem de meios para negociar, fora dos estádios, os apetecíveis resultados que urge ver aí concretizados.

Depois há os novíssimos ricos de eslava ascendência, ou outros nababos com fortunas colossais de esdrúxulas proveniências, que compram clubes e ou jogam no futebol quantias escandalosas para arrancarem troféus de efémera glória mas garantes de proventos fabulosos que vão engrossar o capital, e o valor das respectivas acções, das sociedades anónimas desportivas.
E esses, onde reinam, dominam por completo o mercado. Nem sempre, todo o mundo sabe, pelos meios mais transparentes e lícitos.

Os maiores clubes transformaram-se em importantes empórios cujas direcções têm servido de poleiro a aves raras, quantas vezes desconhecidas, para, a partir daí, se lançarem em voos de maior alcance.

O mundo do futebol desde há tempo que vem sendo um mundo de falsidade, de inexplicáveis sobrevalorizações, de escândalos e de trauliteiros.

As verbas que se praticam no futebol são uma afronta à pobreza, são um insulto para mais de metade da população do mundo.
Porque, é bom não esquecer: em cada seis habitantes do globo um passa fome e dois outros são subalimentados!

Vão mal as coisas nas tribos do futebol.

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

 

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