quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

BRINCANDO, BRINCANDO...

Oportuno.
Certo que se fala de “ontem”.
Na esperança de que “amanhã” esteja desactualizado.

A política foi sempre o prato forte dos humoristas.
Por vezes os únicos que conseguiam furar o “cerco” e as malhas da censura...

Veja o “gato” RAP em forma, numa rábula divertida sobre questões muito sérias...




EM TEMPO

Hoje, QI 07FEV08, e por mero acaso, reparei que o vídeo - que era do SAPO - foi retirado (o que podem constatar com mais clareza se clicarem em cima do ecrã negro do vídeo). A extensa mão do BB chega mais depressa a alguns portais do que a outros. Por outras palavras, o Sapo está, pelos vistos, mais perto do BB do que outros. Ou está mais "atento, venerando e muito obrigado" que outros estarão.
O assunto era sério. Talvez tanto que é capaz de ter sido uma das causas próximas da demissão de Correia Campos...
Talvez daí o "melindre" sentido pelo Sapo. Ou o acatamento de uma instrução (vulgo: ordem) numa obediência que outros chamarão subserviência.
Tudo isto são conjecturas, claro. (Serão?)
A culpa é da conotação que o Sapo tem.

Sendo assim, e porque um documento é um documento (mesmo que neste estilo), volto a colocá-lo neste mesmo sítio, mas agora "transportado" do "YouTube" - talvez mais irreverente, menos "colaborante", mais independente, mais livre das amarras do Big Brother.
E então, podem voltar a ver:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

SERVIRÁ A PAUSA PARA REPENSAR?


Sócrates referiu hoje que não abria mão das suas reformas na área da saúde.
Toda a gente reconhece que havia alterações a levar por diante. Como toda a gente sabe que, de uma forma geral, a gestão hospitalar é um caos no nosso país.
Mas os desperdícios que aí se verificam e os gastos excessivos que aí se fazem nunca são em favor dos utentes dos serviços. Esses (utentes) e estes (serviços) sobrevivem em condições de grande carência, a maioria deles (uns e outros).

(Mas, claro que há alguém que ganha... Há sempre quem ganhe à nossa custa.)

Por razões que não me regozijam nada, de há mais de um ano para cá que tenho sido frequentador assíduo de hospitais.
Da minha natural propensão para estar atento resulta ter constatado aquela realidade, tanto quanto ela pode ser detectada por um espírito observador, conquanto naturalmente mais desperto para aspectos mais superficiais, já que leigo na matéria. Mas o que é detectável mais à superfície dá para entender que, em profundidade, a gravidade da situação é muito maior.

Acerca dos exageros que tanto caracterizaram a actuação do ministro cessante – donde, naturalmente, os ruidosos protestos das populações mais atingidas por eles – veja-se a curiosa e esclarecedora declaração do primeiro-ministro de que
não haverá mais encerramentos de urgências sem alternativas.

Compreende-se, pois, bem, que aqueles exageros, os respectivos protestos e algumas aberrantes situações a que iam dando azo, tudo acrescido à falta de comunicação esclarecedora do ministro acerca das medidas que ia implementando, tenham contribuído para lhe desgastar a imagem pública.




Por outro lado...
Será possível que o primeiro-ministro esteja mesmo bem consigo, e com a sua política de educação, traduzida num grave facilitismo relativamente aos alunos e numa injusta e grave afronta aos professores? Humilhação que um muito importante número de docentes não merece de forma nenhuma?
Quando deixará o Ministério da Educação de ser um laboratório de experiências pessoais? Quando é que ele será dirigido por políticos que prescindem da vaidade de ter o nome ligado a uma reforma, em benefício de uma ponderada avaliação global coordenada, eficaz e adaptável, no terreno, à nossa realidade, nessa área?


O povo está cansado de esperar, de desesperar e de pagar! E aguarda, a cada momento, que deixem de mudar, apenas, as moscas.


terça-feira, 29 de janeiro de 2008

REMODELAÇÃO MINISTERIAL

imagem DD
as novas caras do Governo


Estes acontecimentos são dos tais que se precipitam, quando ainda os cidadãos mal se deram conta de que algo iria acontecer.

Isabel Pires de Lima e Correia de Campos foram demitidos da Cultura e da Saúde, respectivamente.

Na verdade os ministérios mais sob fogo têm sido o da Saúde e o da Educação.
Quanto ao da Saúde, parece ter chegado a altura de o primeiro-ministro compreender a séria contestação que a equipa de Correia de Campos tem provocado. Assim como de compreender o desgaste que os protestos, as manifestações e a contestação lhe provocaram.

O repúdio que se tem feito sentir da política da Educação, em muitos dos seus sectores, ainda não terão sido de molde a mover Sócrates do apoio à respectiva equipa.
Resta saber até quando. Se é que algum dia esse apoio e compreensão vão ser retirados à equipa de Maria de Lourdes Rodrigues.

Outro membro do governo que surpreende pela continuação no seu posto, é o ministro “Jamais” – tantas foram as suas calinadas e reveses.

A actividade da ex-ministra da cultura não foi, naturalmente, avaliada pelo vulgo.
No meio tinha mais antipatias que boas recepções. Mas esteve quase sempre debaixo de fogo e era geralmente considerada uma peça a abater, no governo, para esta área.

A nova ministra da Saúde, Ana Maria Teodoro Jorge, tem um apreciável currículo na área da Saúde, quer profissional, quer como coordenadora e gestora. Era actualmente directora do serviço de pediatria no Hospital Garcia de Horta, em Almada, e Já foi presidente da ARS (Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

O Advogado José António Pinto Ribeiro é sobejamente conhecido como um homem culto, conhecedor e frequentador da área da cultura: foi programador-geral da FKG, fundador do Fórum Justiça e Liberdade, esteve ligado ao Instituto Camões e era agora administrador da Fundação Berardo.
Além da língua pátria fala alemão, francês, inglês, espanhol e italiano, o que também tem a ver com a sua estatura intelectual.

Quer um quer outro dos novos ministros, não estão vinculados ao PS, mas estão-lhe próximos. Ana Jorge mais próxima da tendência Alegre, Pinto Ribeiro mais soarista.

Todos continuamos convencidos é de que a este governo não chega mexer em duas das suas pedras...
Mas pode talvez entender-se a decisão de Sócrates como o começo do repensar a política do seu executivo. De reequacionar os problemas, de ponderar acerca dos colaboradores.
Se assim for... Do mal, o menos. E ele não deve estar esquecido que em 2009 temos legislativas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

QUE A TERRA LHE NÃO SEJA LEVE!

imagem: site da SIC

Fruto, antes de mais, de uma favorável conjuntura, a relativa prosperidade dos mais de 200 milhões de habitantes das 17 mil ilhas que constituem a Indonésia, durante o longo consulado de Suharto, não podem chegar para lhe relevar o rol de crimes de que foi autor.
Não chega para branquear a sanha sanguinária e déspota do ditador e dos seus títeres.
Acusado de nepotismo, de corrupção e de genocídio. Ladrão (chefe de quadrilha) declarado (ver alusões de instâncias bancárias internacionais). Déspota implacável, ditador feroz e prepotente, não tinha direito à vida tranquila dos inconscientes.

Nos tempos que correm, não é só a morte que “limpa” qualquer passado. A atitude compassiva dos governos relativamente a figuras do género é injusta, já que lhes mantém privilégios e um tratamento comprovadamente imerecidos. Vivem uma vida tranquila e um conforto que se tornam aviltantes em relação às suas vítimas e respectivos descendentes. O que também já vale por uma “lavagem” da memória da criatura e dos seus actos.

Claro que não concordo com “justiças” como a que foi feita ao casal Nicolae e Elena Ceausescu...

Mas não compreendo que se poupem tais criaturas a diligências relacionadas, por exemplo, com a Justiça, por razões (ultrapassáveis) de saúde. E isto sem chegar ao exagero e ao desumano comportamento que eram as sua normais cartilhas de procedimento quando no poder.
Claro que estou a pensar também em Augusto Pinochet.

É um insulto, um ultraje ao Homem, à dignidade humana, a deferência com que semelhantes ditadores e assassinos são tratados no resto dos seus dias!

Pois se os criminosos, antes de serem condenados pelo tribunal, são objecto de especial vigilância e não são alvo de mordomias, porque hão-de ser diferentemente tratadas estas criaturas?

Não compreendo que figuras como Xanana Gusmão se tenham ficado por um “foi o promotor do desenvolvimento de um grande país”, mas “teve os seus lados fracos, sobretudo a violação dos direitos humanos, a ditadura e a corrupção”. Acho uma declaração complacente e desculpabilizadora.
Já mais frio e realista foi Ramos-Horta: “Suharto foi um ditador da família de Pinochet”, conquanto pedisse “para não se guardar rancor ao ex-líder”. Esqueceu o presidente de Timor que, embora possamos pedir aos cidadãos que tenham memória curta (a muitos nem é preciso pedi-lo), o mesmo não acontece com a memória da História.
(Timor-Leste, recordo, que foi uma das vítimas de Suharto, onde chegaram as suas atrocidades: dos milhões de vítimas assassinadas pelo sua “Ordem Nova”, duzentas mil foram timorenses)
Mais curioso (e revelador de certo perfil) foi a declaração do primeiro-ministro australiano que, apesar de tudo o que a História regista, se limita a considerar Suharto, apenas, como alguém “controverso no que diz respeito aos direitos humanos e a Timor-Leste.

Direi, por um lado, como, espontaneamente, soltou Ana Gomes: “até que enfim”!

Por outro, continuo a pensar que a figuras destas não podemos, de facto, augurar que a terra lhes seja leve.





PS: Já agora, deixem que me interrogue, uma vez mais: porque será que regimes e líderes destes têm sempre no governo dos EU grandes amigos, aliados e apoiantes?

domingo, 27 de janeiro de 2008

DA GENEALOGIA A UM MODESTO “OBSERVATÓRIO” - II



Antes de mais uma nota acerca de uma frase da crónica de ontem (não há dúvida que o povo tem razão: as conversas são como as cerejas...) quando referi a posição que a lei tomou em matéria de enterramentos de cadáveres: proibia-os quer no interior das igrejas, quer no seu exterior, no seu espaço envolvente, permitindo-os, apenas, nos cemitérios públicos. Adiantava eu, aí, que por acção de uma espécie de “asae” dessa época, nesse âmbito, se desencadeou a revolta popular da “Maria da Fonte”.
É claro que se impunha essa intervenção dessa “asae” (chamemos-lhe assim), pois que a nova regra se opunha a hábitos seculares, nada aconselháveis, das populações. Foi, portanto, oportuna e tinha de ser firme, em benefício da higiene e da saúde pública. (Já agora, como oportuna e de aplaudir é a acção da actual ASAE, de uma forma geral – se lhe retirarmos evidentes exageros e gratuitas medidas persecutórias que excedem os fins para que foi instituída).
E é claro que a “Maria da Fonte” (que, aliás, era ainda movida por protestos noutras direcções, como na da matéria fiscal), neste particular, foi mais a consequência de uma informação deturpada, mal intencionada, mesmo (dos padres, designadamente, como logo se deixa ver), e que, oportunistamente, se colou aos argumentos de uma população ignorante, conduzindo, inevitavelmente, aos excessos dos protestos populares.

E, agora sim, a abordagem sumária de uma das dificuldades, entre tantas, para a investigação genealógica nas famílias comuns: a repetição de muitos nomes (mesmo nome e apelido) em mais que uma família (diversas, por vezes), quer nos mesmos quer em diferentes lugares de uma mesma freguesia. (E por certo que em mais de uma freguesia).

A essa dificuldade acrescia, tornando-a mais gravosa, o facto de a maioria dos nomes serem constituídos, apenas por um nome e um apelido.

Hoje, mesmo, existem muitos nomes repetidos. Daí que, para contornar a situação e o embaraço, se atente igualmente, para além do nome, a outro elemento, necessariamente pessoal e irrepetível: BI ou outro.
A repetição de uns tantos nomes, entre os de tanta população, nem chega a constituir, propriamente, qualquer problema.

Mas imagine-se em recuados séculos. No século XVIII, por exemplo – que é o de que vamos mostrar um exemplo: uma acentuada repetição de nomes num universo populacional muito mais reduzido... Era uma confusão, mesmo. Problema solucionável, em geral, mas nem sempre com facilidade.

Veja-se, para exemplificar, o seguinte caso: uma criança cuja mãe e cujas avós, ambas, tinham o nome de Maria Ribeira.

Na verdade, os mesmos nomes repetiam-se, na mesma família e noutras, vezes sem conta. Imagine-se a teia complicada que não é!

Depois, além das Maria Ribeira, que as havia às dúzias, havia ondas de modas de nomes, hoje menos comuns, como, na mesma época de que falamos (e na freguesia a que me reporto), o de Iria Nunes. E então, nessa altura, havia dezenas de Iria Nunes.
Por outro lado, eram muitos os homens com o apelido Duarte, uns, José; Manuel, outros. Como neles se repetia com muita frequência o apelido Ribeiro, com os costumados nomes próprios.
(Curioso também é notar, aqui, que eram, nesse tempo, usados os dois apelidos, consoante o género do titular: elas, Ribeira; Ribeiro, eles).

Mais fácil - para melhor ilustrar o que pretendo dizer - seria imaginar uma reportagem.
Mas isso fica para amanhã, ou depois, para não arrastar mais o espaço deste apontamento.

sábado, 26 de janeiro de 2008

DA GENEALOGIA A UM MODESTO “OBSERVATÓRIO”

Há uns anos atrás, deu-me para ir procurar o nome dos meus antepassados, na linha do meu pai, apenas (apenas, porque já era ciclópica tarefa). Saber quem foram, como se chamavam, como e quando viveram, quando e com quem casaram, de quem foram pais, avós, etc., como de quem eram filhos, netos, e por aí adiante, quando e onde se finaram e se ficaram sepultados na igreja, no adro ou em cemitério público. (No caso – freguesia – sobre que me debrucei, até 1833, os defuntos eram enterrados ora na igreja ora no adro, opção que obedecia a algumas circunstâncias ou a certas particularidades do defunto – nalguns casos, nitidamente, por razões de condição social; a partir daquele ano até finais da década de 60 da mesma centúria, só no adro da igreja ou espaço próximo. Sendo os defuntos sepultados exclusivamente em cemitérios públicos a partir de então, mormente por razões de saúde e higiénicas – o que levou a que a acção de uma espécie de “asae” dessa época, nesse âmbito, desencadeasse a revolta popular da Maria da Fonte).

Para além do nome dos avós e de todos os bisavós (oito: quatro em cada linha de antecessores), registei vários dos 8 trisavós da referida linha (sendo 16 na totalidade de ambas as linhas), vários dos 16 tetravós (quartos avós) (32); assim como alguns dos 32 pentavós (64), poucos dos 64 hexavós (dum total de 128), também um ou outro dos 128 heptavós (que totalizam, em ambas as linhas, 256), igualmente um ou outro dos 256 octavós (512), um ou dois dos 512 nonavós (1024), um ou dois dos 1024 decavós (2048) e um dos 2048 undecavós da mesma costela (os das duas somam 4096). Não cheguei a encontrar nenhum dos 4096 dodecavós desta banda (do total de 8192, de ambas).

E desisti deste intento por várias razões. Não, por acaso não fui vencido pelo cansaço (foram horas e horas a fio, manhãs e tardes inteiras, na Torre do Tombo, meses a fio; assim como várias idas a Santarém, ao respectivo arquivo distrital, onde me enclausurei dias inteiros).
Cheguei foi à conclusão de que estava a fazer um trabalho sem um real interesse, para além da satisfação do ego e da curiosidade, tanto meus como dos meus 5 irmãos – certo que com o entusiasmo dos meus dois filhos e dos meus 13 sobrinhos, e provavelmente, mais tarde, dos meus, para já, três netos, além, também provavelmente dos meus 26 sobrinhos netos. Ou seja, pareceu-me ser demasiado trabalho (tempo perdido) para tão escasso e pobre objectivo.
Além de que esse seria sempre um trabalho incompleto: para o vulgo, só existem registos paroquiais de baptizados (alguns com a data de nascimento mencionada), casamentos e óbitos desde finais do séc XV. Eventualmente poderia encontrar-se um ou outro elemento na Biblioteca Genealógica de Lisboa (que também frequentei), um das centenas de braços da rica biblioteca dos mórmons (os fiéis d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), em todo o mundo, nessa área. Mas logo me apercebi de que muitos são os elementos que estão em falta, ou são de duvidosa credibilidade, no que concerne aos registos relativos a Portugal nesse arquivo.
Assim, continuei a desenvolvê-lo mas com outras perspectivas e interesses, mais virado para um diferente e mais alargado universo de eventuais interessados.

É que alguns dos registos paroquiais (sobretudo os dos casamentos e passamentos) contém outros elementos, para além da simples referência aos nomes dos registados e seus parentes mais próximos: alguns são autênticas reportagens de factos e acontecimentos locais, nacionais ou mesmo internacionais (como relatos sobre a entrada e saída dos invasores napoleónicos numa dada freguesia; referências a mobilizados do regimento do Conde de Lipe; desentendimentos entre o poder civil e o religioso; informação sobre doenças de cada época, sobre a natalidade, como sobre a mortalidade e suas causas mais frequentes, assim como sobre a longevidade das pessoas; além de algumas autênticas crónicas sociais...)

Alguns dos problemas encontrados naquela primeira fase do trabalho eram os que decorriam do facto de se repetirem muito os nomes (nome e apelido), em diferentes famílias dos mesmos ou de diferentes lugares da mesma freguesia. Mas desta dificuldade deixarei um apontamento amanhã.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

PAVAROTTI E DALLA: CARUSO

Pavarotti e Dalla evocam o lendário tenor Caruso (1873-1921), num espectáculo ao vivo em Modena, na Itália.
Aliás, a canção chama-se mesmo: Caruso (do filme com o mesmo nome).
Espectaculares “a voz quebrada de Dalla e a voz límpida, diamantina de Pava”.



Emocionante!
Soberbo!
Arrebatador!



Luciano Pavarotti e


Lucio Dalla (ao vivo

em 1992): Caruso



quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

ESTÁ AÍ A CHEGAR A ERA PÓS-REDUTORA




Que diriam, entre tantos mais, Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares (que por outras causas já estiveram de costas voltadas, mas agora se batem de mãos dadas por esta nova cruzada) se já cá tivesse chegado uma nova determinação anti-tabagista, como a que já chegou, ou está a chegar à Califórnia: alargar aquela proibição às residências dos cidadãos...? Se já cá tivesse chegado a época pós-redutora que já se vive noutras zonas do planeta? Que tal?

Haverá big brother mais preocupado com a nossa saúde e com um braço mais extenso?
Não tarda que ele não meta o bedelho e não condicione ou penalize o nosso pensamento...

Eu, traidor da classe, desde os começos deste século (poucos anos ainda volvidos, portanto) – numa altura em que as ondas de protesto contra os fumadores andavam bem longe daqui - convertido (quando pensava tal ser impossível, mas de minha livre e exclusiva vontade) ao grupo dos esterilizados, compreendo perfeitamente a posição dos fumadores contra os excessos da legislação e contra a respectiva incoerência, contra o estúpido e abusivo “asaeismo” reinante.

É absolutamente absurda a estigmatização e a marginalização que estão a encaminhar os fumadores para um novo gueto. Inadmissível.

Estamos entregues ao caprichoso talante de uns quantos tiranetes que fazem de nós humanóides descerebrados, abúlicos e autómatos.
Não restam dúvidas de que assistimos à postergação ou ao afunilamento de regras ditadas ao sabor de maiorias de duvidosa democraticidade...

A situação faz-me ocorrer uma frase de José Saramago, pronunciada por ele mesmo no encerramento do Fórum Social Mundial 2002, a 05.02 desse ano, acerca da democracia, «esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo do povo, pelo povo e para o povo»...

“Do povo, pelo povo e para o povo?”
Está bem. A ASAE (que entre nós já se chamou PIDE e que pensávamos enterrada desde ABRIL) já nos explica como é...


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

UMA IMAGEM, MIL FACES






Hospital de Santa Maria, cerca das 9 da manhã. Dia de semana.
Passos perdidos, em frente ao balcão da recepção do hospital.
Três corredores sucessivos, separados por portas de correr, de abertura automática.
Num compasso de espera, sento-me numa cadeira para observar os passantes.
É impressionante aquela turbamulta, num constante vaivém, que se atropela, que corre, que se acotovela, que barafusta, que protesta, que reclama, que se interpela, que sofre, que se cala, que se perde na barafunda... são dezenas e dezenas de pessoas que se cruzam, que se ultrapassam, aos ziguezagues ou em pequenos segmentos de recta, intercalados de vários desvios, umas em passo acelerado, outras quase em corrida, raras pausada e calmamente, em regra por imposição da idade ou por visíveis condicionamentos. Há os que, apoiados em canadianas, se balanceiam e atiram em consideráveis distâncias, ganhando uma velocidade notória. Há os que, arrimados a bengalas, avançam a passo miudinho. Há os que, pés marcando dez para as duas, avançam em passos largos. Há os que se arrastam, aos saltinhos. E os que, balançando-se lateral e acentuadamente, mal avançam escassos centímetros.
Há os que, acabados de saltar da cama, há duas ou três horas, enfiaram a mesma roupa de todos os dias, desenfiando-se rapidamente para a rua, cabelos ainda com os jeitos ganhos no travesseiro durante a noite.
“Feios, porcos e maus”, ocorre-me.
De facto, quase todos feios. E muitos, com aspecto de porcos. Maus? Talvez nem por isso.
Gordos e disformes, tantos. Secos que nem carapaus, alguns. Para além dos apenas gordos ou somente magros.
Altos ou baixos, preocupados ou aéreos, muitos de cara fechada e ar ausente. Todos apressados.
As portas parecem umas doidas tontas, constantemente a ameaçar fechar, mas a desistir, a cada instante, desse intento, tal a pressão da chusma que avança. Clic-clic, clic-clic – é o som que ressalta daquelas doidonas nervosas.

A primeira constatação que faço é a de que os serviços públicos hospitalares só são utilizados, por gente feia, pobre e degradada.

Gente que se levanta às seis e que se deita às onze da noite; elas, depois de concluída a lida diária da casa e de avançadas várias tarefas do dia seguinte. Todos, depois de um dia sem parança e sem laivos de esperança. Todos cansados da ginástica de fazer esticar os euros de forma a que não sobre sempre dia, como habitualmente sucede.

Aqui ou acolá, hoje, amanhã ou depois, sempre os mesmo dias de desatino, de luta, de desespero, de triste expectativa, marcados pelas rotinas, quais repetitivos movimentos pendulares. Cansativos. Desgastantes.

Gente cujo passado já caiu no esquecimento e a quem o futuro se apresenta como uma parede ou um túnel escuro como breu.
O presente é quanto lhes resta. Sempre igual. Sempre difícil. Sempre mais preocupante. Cada vez mais arrasante.

Mais parecem, todos eles, sombras de fantasmas.

E a solidão que transpira dessa mole?

E o desespero a que tantos não conseguem resistir?

Feios e com ar muito degradado?
Pudera!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

PS, “UM PARTIDO SEM ALMA NEM VIDA PRÓPRIA”?






É um mistério quase insondável. Melhor, é um quase mistério.
Ora bom, bem vistas as coisas nem será mistério nenhum.

Todos sentimos que ESTE PS que nos governa e representa na AR, não é um PS de lei.
Todos sentimos que se assenhoreou dos sonhos, planos e projectos do PPD/PSD. Que na deriva neoliberal arrancou a bandeira ao maior partido da oposição.
Todos sentimos que faz a gestão da crise sem evitar que ela se reflicta sobretudo – para não dizer somente, por soar a radicalismo – nos mesmos: numa classe que já foi média e neste momento está em queda acelerada e desamparada.
Classe a que pertenceriam alguns – muitos – dos que hoje recorrem ao banco alimentar para poderem subsistir ou pelo menos evitar que os seus também passem fome. (Referem-se cada vez mais, nesse crescente número, os casos de licenciados de vários quadrantes das artes e ciências, igualmente em progressivo aumento numérico).

Admiramo-nos, alguns, com a complacente (ou apenas supostamente indignada) anuência de certos democratas que militam no PS a tudo quanto vamos assistindo...

Esperamos, a todo o momento, por um sinal de reprovação do que se passa – melhor: de discordância de muitos factos, episódios e acções DESTE partido que nos governa... – mas têm sido raros esses sinais.

A certos socialistas, que não acreditamos que pactuem com tudo o que está a acontecer, vemo-los pegar nesta matéria com muitas cautelas: de luvas e pinças. É o caso paradigmático de Brederode Santos. Limitam-se a admitir que algo se vai fazendo, ainda que com algumas distorções, erros e outros desvios.

De Manuel Alegre ouvimos, perplexos, por exemplo, que se absteve (APENAS) na votação da lei eleitoral autárquica.

De João Cravinho tivemos uma chispa de declaração em que define uma sua mais clara distância DESTE Partido Socialista...

De Ana Benavente lemos uma expressão mais clara acerca do descontentamento de uma boa parte do PS acerca de muito do que se passa neste momento com o partido que nos governa.

Há elementos cuja inacção é bem preocupante: Ana Gomes, por exemplo, que dirá ela?

E Jorge Sampaio, se livre estivesse de especial estatuto que, geralmente, se traduz em grande moderação e maior independência, que diria ele?

De Mário Soares – que nem sempre foi o melhor exemplo de coerência - tivemos o recado, em tom bem-humorado, de que talvez já fosse altura de o primeiro-ministro, agora, se voltar um bocadinho para a esquerda...

Creio que as cautelas de alguns dos que, seguramente, não estão satisfeitos com o que se passa têm a ver com a intenção de evitar grandes tormentas ou desgastantes crises no interior do partido.

Mas há uma frase, de Elísio Estanque (um militante do PS de Coimbra – cidade onde o partido está cada vez mais decadente), que me deixa aturdido: “no actual contexto político, como sabemos, o PS é um partido completamente domesticado perante o governo e o seu líder (isto é, um partido sem alma nem vida própria)” – cfr O partido, as causas e os protagonistas, in Diário de Coimbra, 28 de Dezembro de 2007 (apud CES/Centro de Estudos Sociais, da U de Coimbra).

Sei que nestas matérias sou demasiado primário e muito pouco “político”, mas a minha alma pasma perante tão conformada declaração.

Será mesmo de lançar uma pá de cal sobre a urna do PS?

Será verdade e inevitável que dele apenas reste e se venha a manter este simulacro de socialismo triunfantemente levado a cabo por estes neoliberais social-democratas que nos governam?

A esse “partido completamente domesticado” de que fala EE não haverá, mesmo, ninguém capaz de dar o murro na mesa e dizer: basta!?

Dou a palavra aos contestatários e inconformados.
(Embora sem grandes esperanças de que o silêncio seja quebrado)


 

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