terça-feira, 3 de Novembro de 2009

O VAZIO

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instantâneos 05018
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A luz
coada pela densa neblina
de emaranhadas reflexões.

Um aperto.
Um nó.

A lonjura dos conceitos,
o eclipse da palavra.

O vazio.
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("instantâneos" - minha colecção de instantâneos alheios)
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segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

SEGUNDO VÍDEO DE AUDIÇÃO, APENAS, DO «DARK SIDE OF THE MOON»

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Deixo hoje, para audição, a faixa Time do Dark Side of the Moon.
Espero que gostem e que relaxem.


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sábado, 24 de Outubro de 2009

O ELITISMO E O ÓDIO DO SR CORREIA GUEDES

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ao perto, a criatura nem se enxerga
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Vasco Valente Correia Guedes, que usa assinar com o pseudónimo Vasco Pulido Valente, parece que só em alguns dias pares do ano consegue ser lúcido e aturável. De resto, em todos os dias ímpares, além dos restantes pares, é um velho chato, rezingão, convencido de um largo saber e de mais que variável humor, se é que alguém, alguma vez, lho descobriu.
Já li coisas boas de VPV (soa melhor e é garantia de melhor proveniência), muito provavelmente nalgum dia par do calendário. Mas a data de ontem, 23 (dia ímpar, note-se), o social democrata, pela graça de Deus nascido num bom berço e que faz gala em se apresentar como tendo feito o seu aprendizado académico superior na ultrachique Oxford, revelou-se um elitista repugnante face ao comunista (cruzes!) José Saramago, dedicando-lhe uma peça miserável acerca das suas últimas declarações que incomodaram os católicos, mesmo a larguíssima multidão deles que são, consabidamente, pseudoleitores ou (menos ainda) conhecedores da Bíblia.
A gratuita rudeza, a manifesta sem-razão, o ódio encarniçado, o veneno que vomitou na sua coluna de ontem no Público acerca do autor de Caim, foram confirmados pelo frente a frente, moderado por Mário Crespo, entre Saramago e o padre Carreira das Neves.
Na sua referida coluna de ontem, VPV (a quem o Correia Guedes não garantia o berço desejado) considerou, bem explicitamente, Saramago inculto, iletrado e ignorante e um pobre coitado como são, na sua óptica, todos os não nascidos num berço de ouro, rico e com dossel adamascado ou de seda como seria, supostamente, o seu.
Já no debate, o teólogo e especialista em temas bíblicos não só não usou da mais leve falta de respeito pelo genuíno ateu que é o autor de Caim (antes pelo contrário, fazendo-lhe até elogiosas referências), como não conseguiu contrariar Saramago, que mostrou saber do que falava. Ao contrário, foi o Nobel que deixou atrapalhado e sem convincente argumento o teólogo e biblicista.
Infeliz e… (como hei-de dizer…) infantil (sem dúvida o caso) foi o clérigo que, a dado passo, e a propósito da linguagem metafórica dos textos sagrados aludiu a natural compreensão, para o fenómeno, de um autor que tanto lança mão da imagética, como acontece com o seu opositor. Mas, curiosamente, antes que, com a sua habitual calma, Saramago lhe desse resposta a tal ingenuidade, foi Mário Crespo que, não se conteve e referiu que se o Nobel usa de tais imagens e metáforas nos seus livros… Estes, porém, não são sagrados!

Foi, realmente, um debate interessante e de nível, aquele a que assistimos esta noite.
Coisa bem diferente foi a chicana deplorável do sr Correia Guedes.

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Créditos ao Indesmentível, pela imagem
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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

PRIMEIRO VÍDEO DE AUDIÇÃO DO «DARK SIDE OF THE MOON»

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Acerca da obra mais conhecida dos Pink Floyd, teria sido uma ideia interessante acompanhar os 5 programas de análise do álbum com, simultaneamente, cada um dos 5 vídeos que nos proporcionam a sua audição total.
Não me ocorreu. Mas vou fazê-lo doravante, depois de apresentar, hoje, o primeiro destes últimos. E o segundo, quase de seguida.
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Também achei curioso recordar os nomes das respectivas 9 faixas, que são:
1. Speak to Me/Breathe
2. On the Run
3. Time
4. The Grat Gig in the Sky
5. Money
6. Us and Them
7. Any Colour You Like
8. Brain Damage
9. Eclipse
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Aproveito ainda, também, para rememorar a informação geral sobre a banda
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Vejamos então o primeiro vídeo da audição desta obra
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quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

MARIA CORREIA

o tempo da mala-posta já lá ia.
Agora a mala do correio era transportada a pé desde a estação receptora e distribuidora do concelho à da freguesia



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Anos 40 e tal. As férias grandes.
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As férias grandes, não: as férias
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enormes. Passadas na aldeia
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que me viu nascer.
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Muitas recordações. Algumas
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reminiscências. Vários “filmes”
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vivos na memória.
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Toda de negro vestida.

Era impensável uma viúva deixar de vestir de preto. Abandonar o luto. Carregado. Por todo o resto dos seus dias.

O lenço, preto, na cabeça,
inconcebível, também, uma mulher exibir os seus cabelos soltos: a "decência" não consentia


de pontas laterais reviradas
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para cima, descongestionando
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a cara, aliviando o afrontamento

O calor, sufocante, desprendia-se, com o pó, do caminho de terra
que os lamaçais de sucessivas invernias deixavam leve e volátil.


As mãos, ora pendentes, ora
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apoiadas nos quadris,

os dedos, de quando em quando, limpavam a fronte, enxugando-os no avental também preto.
Por vezes era com uma ponta deste que limpava o suor.


O saco do correio,

confeccionado numa espécie de tela, com a boca apertada com uma correia
que entrava num cadeado fechado sobre ela e um comprovante com carimbo da estação de origem,


à cabeça, sobre o lenço.
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O andamento
marcado ao compasso do corpo volumoso, velho e pesado,
que avança ora balançando sobre a anca e o lado direito, ora sobre o lado e a anca contrários…


numa cadência e num ritmo
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invariavelmente repetido

qual pêndulo, lento, que ao mesmo ritmo vai progredindo suavemente no seu percurso.


O horário não permite pausas e

a canícula não dá tréguas


cumprida a hora da partida, a da chegada, sem relógio mais
que a posição do Sol escaldante, está garantida pela cadência imperturbável.


Cara fechada, olhos no chão,
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bagas transpiradas borbulhando
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na testa e escorrendo, a correia
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percorre, numa rotina
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cansativa, a légua que a
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separa da estação
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dos correios do concelho até à
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da sede desta freguesia
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dispersa que também
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delimita a área
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municipal nesta direcção

a correia. Não sei se por isso, se por coincidência, Maria Correia para todos que a conheciam.


Mais que uma nuvem da minha
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meninice, a ti Maria Correia é
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uma imagem muito viva desses
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meus longínquos idos.
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Imagem de vida sofrida, do cansaço,
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do preço do pão do dia-a-dia.
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Imagem da rotina.
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Da inelutabilidade.
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Imagem dos deserdados
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da vida.

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segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

A ARTE AO SERVIÇO DA MEMÓRIA

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Recebi, há dias, por mail, e concordo que é SIMPLESMENTE ESPECTACULAR, como me dizia o remetente, lá de muito longe.
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Kseniya Simonova é uma artista ucraniana que ganhou recentemente a versão nacional equivalente ao "America's Got Talent." Ela usa uma enorme caixa de luz, música e vozes dramáticas, imaginação e o seu talento para interpretar, pintando com areia, a invasão e a ocupação da Ucrânia pelos alemães durante a II Grande Guerra.
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É bem patente, na assistência, o resultado desse apelo dramático a uma memória que não se desvaneça.

O texto é, basicamente, o que acompanha o vídeo.

Veja só, que talento e que maravilha




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sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

"VERDADES COMO PUNHOS!"

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Bartoon, Luís Afonso, Público, SX 16.10.2009

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Exactamente.
Verdades como punhos, mestre!

A propósito, "18% dos portugueses são pobres e a situação tende a piorar", segundo telegrama da Lusa, hoje.


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quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

«ALGUNS CLÁSSICOS: THE DARK SIDE OF THE MOON (PARTE 2 DE 5)»

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Atenta a informação geral sobre a banda, e a respeitante à análise do álbum, prossigamos





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quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

O «NOVO CLIMA»...

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Bartoon, Luís Afonso, Público, hoje

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Boa, mestre Alfredo!


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“BRINCADEIRA INOFENSIVA” – DIZ ELA

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esta estranha criatura diz também ser fã de "saia justa"

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Este vídeo foi para o ar no programa “Saia Justa”. A actriz (?) e escritora (?) Maitê Proença estava em Portugal por causa de uma peça teatral e aproveitou as suas horas vagas para fazer algumas imagens para esse programa do canal brasileiro GNT.
O tema?
O mesmo assunto pobre de sempre: gozar com os portugueses. E termina o vídeo cuspindo.
Todo o vídeo é uma ofensa a Portugal e aos portugueses.
Começa por ir a Sintra para mostrar uma porta de uma casa aparentemente comum, com o 3 virado para a direita e, sem perceber o significado esotérico pretendido, atribui o facto à ignorância dos portugueses (coitada da pobre ignorante, ela sim) pois diz que aquilo demonstra que está em Portugal – “os caras nem sabem colocar direito um algarismo numa porta!”
Vejam bem, vai a Sintra, que tem tantos monumentos, castelo e palácios riquíssimos, só para revelar a sua ignorância, pensando demonstrar a dos portugueses. Depois goza com o Tejo, inventando ser ele, para os portugueses, o mar.
Fala também em Salazar, de que ela também não sabe nada (dizendo que ele foi um ditador por mais de vinte anos – vá: podia ter dito que o tinha sido por mais de três anos…).
Goza com o Mosteiro dos Jerónimos, o túmulo de Camões, com o estilo arquitectónico manuelino, enfatizando o Manuel, nome injuriado no Brasil nas piadas sobre portugueses, e fala também no episódio no Hotel com o seu PC, ignorando que os hotéis não têm de garantir assistência aos pc’s dos clientes.

Enfim, veja o vídeo:

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Duas notas finais:
1. o texto acima é, basicamente, o que acompanhava os (vários) mails que ontem recebi sobre o asunto. Num blogue brasileiro onde, por vezes, também deixo rasto, postei um
outro texto, esse meu, e talvez mais suave do que a circunstância exigiria. Mas, primeiro, não ia ser insolente em casa de quem me recebe, para com os anfitriões e “familiares”. Segundo, não ia, ali, descer ao baixo nível da criticada.
2. Acabado de rascunhar este post, vi um programa na televisão sobre o aqui relatado e uma declaração (via telefone ou rádio) da Maitê Proença, ela mesma, em que tinha o desplante de dizer que não queria ofender-nos. Que se tratava de uma pura brincadeira!
A criatura, além de ser pouco esclarecida e insolente, continua a pensar que fala para “manuéis”…

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