segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

2008

A muitos, a cada vez mais, nem é necessário augurar uma feliz passagem de ano. Passam bem, claro, na luxúria e nos faustosos lugares em que se encontram para se elogiarem mutuamente, para exibirem as plumas e os troféus com que alguém os presenteou em reconhecimento da sua fidelidade. As flutes, com vero champanhe, sucedem-se num ritmo vertiginoso, o que, acompanhado por aquela música pastosa, que soa bem alto, vai toldando as mentes mais frágeis, dando azo a interessantes experiências.

A muitos outros, aos meus amigos, a todos aqueles que temos sido as cobaias sobre que este governo tem, de facto, descarregado a sua fúria e o seu ódio, e a sua voraz insaciedade, desejo de facto, e do coração,


que 2008 doa menos!

Voto que formulo, também, relativamente a tantos outos – muitos mais – que acabam o ano velho e iniciam o novo deitados sobre cartões, por aí ao relento destas noites gélida, e com fome.

Também para eles o meu voto é que

Que 2008 doa menos!

sábado, 29 de dezembro de 2007

A COMUNIDADE BLOGUEIRA EM PORTUGAL




Pacheco Pereira, hoje, no Público, sob o título “A cultura de blogue nacional”, caracterizava, assim, a lusa comunidade: «mostruário da nossa pobreza, da nossa rudeza, da falta de independência que caracterizam o nosso "Portugalinho"».
«Feitos de mil egos à solta», «os blogues são coisa nova, são um fenómeno de per si. Trazem a quantidade, a lei dos grandes números, trazem as "massas". É verdade que apenas uma escassíssima minoria escreve blogues que caibam nesta categoria (...), e que apenas uma minoria os lê, mas nunca na história tanta gente se revela assim no espaço público» – esclarece ainda PP.
E da blogosfera nacional, diz o mesmo blogger que ela «dá um retrato único da mesquinhez da vida intelectual e cultural nacional», já que «a "cultura de blogue" começa a deixar [entre] os seus traços próprios, (...) maior radicalismo político e opinativo, mecanismos de identidade grupais ou tribais, para além da absorção generalizada dos males que o Eça atribuía aos jornais: "juízos ligeiros, vaidade, intolerância", "impressões fluidas" e "maciças conclusões"».
Assim, o blogue, insiste PP «caminha para ser um instrumento suplementar que reforça as duas tendências em curso nos nossos dias: a da substituição da democracia pela demagogia e a espectacularização da sociedade».

Depois, PP alude o forte «envolvimento narcísico» dos nossos bloggers, que têm «uma alta noção de si próprios e estão tão cheios de autocomplacência e de elogios mútuos que consideram um anátema qualquer discurso que lhes pareça exterior e que os ponha em causa».

É claro que há quem sustente que PP, de facto, pretende é tornar como paradigmática a blogosfera que ele conhece (os ditos blogues de referência), considerando-a imune à tal “pobreza”, “rudeza”, falta de independência”, “juízos ligeiros, vaidade, intolerância", "impressões fluidas" e "maciças conclusões", «envolvimento narcísico» e «uma alta noção de si próprios”, “maior radicalismo político e opinativo” e “mecanismos de identidade grupais ou tribais”. E esses críticos chamam a atenção para os incontáveis blogues “pequeninos” e anónimos que povoam a rede, muitos dos quais contribuem para o sucesso, ainda que mais modestamente, desse novo meio de comunicação.

Apesar de, de uma forma geral, os blogues constituírem uma espécie de diário aberto e público, é também um espaço de liberdade. De maior liberdade, digamos, que o jornalismo. Sem qualquer espécie de autocontrolo ou censura. A formação pessoal do blogger, a sua postura e os seus valores são os únicos limites do seu “estatuto editorial”.
Talvez por isso, por se verem mais libertos das exigências das editoras e de idênticas exigências das empresas que sustentam os media tradicionais e até das preferências dos seus consumidores, é que há tantos políticos, professores, jornalistas e outros profissionais dos mais diversos ramos das ciências e das artes com blogues na rede.

É claro que há muitos que fomentam fenómenos de grupismo e amiguismo, que vão crescendo cada vez mais num jogo de menções e
links recíprocos e outras trocas de favores.
Realmente, ainda subjaz, e não me parece que tenda a diminuir e a desaparecer, um certo espírito de relação de troca entre os bloggers: “visita-me e comenta no meu espaço, que eu vou ao teu fazer o mesmo, e através dos nossos mútuos contactos alargamos as nossas ‘audiências’”.
O espaço destinado aos comentários desses blogues, aliás, são bem como uma sala de espelhos e de cortesias, onde para além dos complacentes elogios e troca de cumprimentos, pouco ou nada de interesse se pode ler. O que pretendem tais bloggers é tornarem-se “líderes de audiências”, com apreciáveis números de visitas, que eles próprios activamente empolam, por vezes, de forma grosseira ou bem pouco discreta.

Se sempre tive relutância em tal calculada transacção, hoje, então, nem por sombras a suportaria.

Devo desde já fazer justiça e confirmar que nenhum dos blogues que mais frequento se enquadra na “espécie” acabada de referir, no que à atitude dos respectivos autores concerne.

Mas... E no que me respeita a mim: quantas das críticas aqui enumeradas se me aplicam?

Do tal espírito de “calculada transacção” sei que não sofro, nem nela participo.

Mas quanto ao mais importante?
Quanto ao fundo, ao substrato?

Aí, só os meus raros e pacientes leitores poderão ter uma palavra a dizer.
E se o não fazem (a maioria), será para (supostamente) me não melindrarem.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

DURA REALIDADE!

Vale a pena a reflexão:

A CADA 10 SEGUNDOS
MORRE UMA PESSOA DE SIDA NO MUNDO!

Sem mais palavras, deixo as imagens de um pequeno e espectacular vídeo de uma
campanha contra a SIDA

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

DE BALCONISTA A ADMINISTRADOR DA CGD

O super “empreendedor” Armando Vara


É claro que a questão não é a de ter começado por ser balconista do banco. Vários casos são conhecidos de quem começou igualmente em idêntico “patamar” (ou inferior, até) e tenha chegado ao topo de uma empresa... Mas com diferente percurso. Com uma subida a pulso, subindo de competência em competência, numa constante valorização profissional, por reconhecido mérito, numa evolução de cada vez maior prestígio e afirmação pessoal, baseados em trabalho e crescentes conhecimentos técnicos dentro da área dum negócio ou de uma carreira profissional.
Não é o caso de que hoje, e de há bastante, já, tanto se fala. “A subida de Vara na CGD tem sido explicada [fora dos muros DESTE PS e] por vários comentadores e economistas como uma opção governativa, baseada em cumplicidades partidárias. Isto porque Vara não tem um percurso profissional de excelência na banca” – consta do seu perfil, “desenhado”, hoje no Público, por Ricardo Felner, sob o título “O homem do aparelho do PS que se tornou... banqueiro”. Que o mesmo é dizer, o homem do aparelho do PS que, só por isso, se tornou, de bancário/balconista em banqueiro!
O argumento dos amigos de Vara é o de “não tendo [ele] qualificações brilhantes, compensa[r] as suas fragilidades com o seu empreendorismo”...
Todos compreendemos o fundamento... Ou não soubéssemos todos que tipo de “empreendedorismo” não se torna necessário para ultrapassar certas “fragilidades”!...
“Empreendedorismo” (um certo empreendedorismo) é, por exemplo, criar uma instituição privada com dinheiros públicos, como Vara criou a Fundação para a Prevenção e Segurança, aquando da sua efémera passagem pela tutela do Desporto. Escândalo que lhe valeu, aliás, uma demasiado feroz penalização: forçada e inevitável a sua demissão do governo, foi, no entanto, promovido a altos cargos, designadamente a administrador da instituição bancária em cujo balcão de Mogadouro se iniciara, a CGD, pelo actual governo.
Outro exemplo do tal “empreendedorismo”?
Um
job que o cartão de militante de Vara lhe valeu, foi o de, um dia, ter sido nomeado secretário de Estado adjunto da Administração Interna. Aí nomeia António Morais - o engº super-professor de Sócrates, que lhe ministrou 4 das cinco cadeiras com que o primeiro-ministro terminou o seu curso na Independente (já não estou bem recordado se num Domingo se num dia de férias) – primeiro seu assessor e depois director do GEPI/Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações. A António Morais e a outros engºs seus dependentes recorreria para construir a sua vivenda em Montemor-o-Novo, obra que envolveu uma empresa à qual o GEPI adjudicava muitos concursos. Mas estes favores tinham deixado de constituir questão importante ou problema grave: “cadilhar” vinha-se convertendo numa prática comum (a certo nível, claro, e só) e que se ia tornando, de algum modo, “asséptica”! (Não é só na área das tecnologias que se verificam grandes e surpreendentes avanços... Também na arte de governar)
Tem, igualmente, algo a ver com certo “empreendedorismo” o curso de Relações Internacionais tirado por Vara na mesma universidade em que o seu ex-sócio (entre 89 e 91) e camarada Sócrates se formou. Acontecendo, por mera coincidência (... pero las hay!), que se formou três dias antes de ser nomeado administrador da CGD, de onde sairia, pouco depois, um subordinado seu, Jorge Roberto, para reitor da dita UnI...

Desconheço de que “fragilidades” falam os seus amigos... Mas que ele é um empreendedor... Lá isso!

A sua fulgurante e meteórica ascensão, no partido e na vida, foi interrompida por um curtíssimo lapso de tempo: com Ferro Rodrigues na liderança do PS. Líder com quem, por mero acaso, o empreendedor não ia muito...

De resto... “É um ver se te avias”.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

BCP: NOVA OPA

Generaliza-se, bastante, a convicção de que ESTE PS lançou uma OPA sobre o BCP...

Com algum constrangimento (?!), Carlos Santos Ferreira resignar-se-ia a colaborar... Mas lançou o desafio: só aceito o convite se o (NOSSO) partido (ESTE PS) me proporcionar colaboradores competentes!...
O repto caiu NESTE PS como num imenso deserto...
Não se escutou qualquer resposta nem vago eco!

Aí, CSF, insistiu: aceitarei se o (NOSSO) partido (ESTE PS) me garantir colaboradores empenhados!...

Num imenso coro ouviram-se múltiplas vozes DESTE PS respondendo, ansiosas


que nem varas de um cor-de-rosa desmaiado...

Eu! Eu! Eu!

E eu! E eu!

Eu! Ou eu!

Eu, também!

E eu!

Eeeeeeeuuuuu!!!....


(O programa segue dentro de momentos)




segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

OS “NATAIS” DOS NOSSOS DIAS

Chegámos a uma quadra em que é de tradição formular votos especiais do que mais desejamos a todos os que nos são próximos, familiares e amigos.

Entre muitos, pouco mais é que uma prova de vida anual. Uma atitude socialmente correcta, apenas, entre outros.

O crescente consumismo deu ao comércio a oportunidade (para reanimar o negócio, é bem de ver) de aprazar datas com o pretexto de se manifestar o apreço pela mulher, pela mãe, pelo pai, pela criança, pela família e amigos... Até pelo/a namorado/a...
Como se fosse preciso que o calendário nos despertasse para manifestarmos o nosso sentir por qualquer deles!...

Ajoujados ao peso das compras, depois de uma correria estonteante de loja em estabelecimento, de centro comercial em “shopping center”, de livraria em galeria, terá chegado, hoje, a hora de descansar um bocado até se aproximar a hora de comer as couves com o bacalhau, por estas bandas, ou o polvo, no Minho, ou as sardinhas, em Setúbal – se é que ainda “poisam” (e desovam) por lá...
Para consoar em família.

Passada a euforia consumista, que regresse a paz. Que haja saúde. Que tenhamos motivos para, pelo menos, manter um sorriso...

Que cada um dos “natais” que se seguem, em cada um dos dias de cada ano que passa, não deixe esmorecer em nós o amor, a amizade, a solidariedade, a esperança.

domingo, 23 de dezembro de 2007

AZAR – ASAE

1. Na sua sanha avassaladora de qualquer resquício democrático, os neoliberais portugueses, a mando dos “europeus”, e provavelmente a conselho do Clube de Bilderberg, pretendem, ao fim e ao cabo, e de mansinho, para já, reduzir a dois os partidos legais em cada país.
É o primeiro passo para uma solução mais radical, para daqui a mais algum tempo. Não muito (que a paciência não é o forte dos capitalistas).

É o azar dos pequenos e das minorias.

Não faltarão partidos (partidos-empresa, em que se vão transformando) a falir e a fechar as portas, por falta de “capital” “social”...

Ou então vamos assistir à constituição de uma Comissão do Mercado de Valores Meritopartidários (outra CMVM), em cuja bolsa os partidos vão ser avaliados em função do seu capital humano (associados efectivos).
E lá vamos ter nos
media os lançamentos de uma ou outra OPA dos partidos com maior “cabedal” relativamente aos mais frágeis. Ou operações de Fusão de vários partidos-empresa. Ou outros processos de cartelização social.

Tudo até que se consume o desiderato dos maiores. Dos mais poderosos (então, já com toda a transparência, em ambos os sentidos).

Claro que de certos partidos (como o PNR), cujo programa e cujo ideário igualmente preconiza tal solução, mas já na sua fase final de partido único, vamos ter protestos. Trata-se, em tais casos de uma atitude “esperta” e oportunista: o aproveitamento das regras democráticas em seu favor – eles que odeiam tudo o que cheire a democracia...

(Há só um partido que eu tenho pena que se esfume: o PND do sr Manuel... Porque do partido do amigo do dentista, se baquear, desse não tenho pena nenhuma)



2. Quando é que a ASAE - Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, na sua instante e reboliceira azáfama, deixa de perseguir, atazanar e penalizar apenas os vendedores de bolas de Berlim, nas praias, para passar, também, mas agora na vertente ASAE - Autoridade de Segurança Ambiental e Educacional, a afastar-nos do caminho certos políticos, absolutamente impróprios para “consumo”, pelo seu mau hálito, bafiento e abominável odor, desagradável e incomodativa presença e inqualificáveis faltas de maneiras?
Seria também – e talvez com mais acerto – uma acção de meritória higiene!
Era outro “asseio”!

sábado, 22 de dezembro de 2007

SONDANDO O INFINITO

o telescópio espacial 'Hubble'

Galileu Galilei, o "pai da ciência moderna" (Pisa, 15 de Fevereiro de 1564 — Florença, 8 de Janeiro de 1642) terá sido o primeiro cientista (físico, matemático, astrónomo e filósofo) a usar nas suas observações o já existente, à altura, pequeno telescópio refractor – depois de o ter melhorado substancial e significativamente. E com ele já descobrira os relevos lunares, as fases de Vénus, quatro dos satélites de Júpiter assim como os anéis de Saturno, a Via Láctea (galáxia onde se localiza o nosso sistema solar, que ele descobriu que era composta por um número incalculável de estrelas (umas centenas de milhares de milhões) e as manchas solares.
Tudo isto contribuiu para a sua decisiva e definitiva defesa do heliocentrismo. O que lhe valeu ser levado perante o tribunal do Santo Ofício, onde foi condenado a prisão por tempo indefinido. Preso, as suas obras foram censuradas e proibidas. Incluídas Índex.
(Galileu, velho e doente, conseguiu ver comutada a sua pena de prisão por tempo indefinido numa espécie de prisão domiciliária, que não se confinou a um local, apenas, até ao fim dos seus dias.)


Os séculos (mais de três) passaram e eis que temos um telescópio, o “Hubble”, imaginado nos anos 40, projectado e construído nos anos 70/80 e em funcionamento, vogando no espaço sideral, desde 1990.
Em termos comparativos com os terrestres, o Hubble é um telescópio médio (2,40 m de diâmetro – contra, por exemplo, os 10 m de diâmetro de cada um dos dois maiores telescópios terrestres).
Podem sintetizar-se assim os objectivos do “Hubble”: investigar corpos celestes pelo estudo de suas composições, características físicas e dinâmica; observar a estrutura de estrelas e galáxias e estudar suas formação e evolução; por fim, estudar a história e evolução do universo.

Das inúmeras fotos recolhidas por ele, 10 são destacadas como as melhores.
Imagens que ultrapassam a imaginação do homem.
Dizer que são surpreendentemente espectaculares é pouco, tal a sua deslumbrante beleza. A dimensão do infinito universo atinge valores que ultrapassam as nossas maiores escalas, que escapam à nossa compreensão, que nos arrebatam, esmagados que nos sentimos, minúsculos que nos consideramos...

Bom, é que um ano-luz equivale, apenas, a 9 454 254 955 488 km de distância...

Vejamos então as 10 fotos que alguns consideram as melhores:

1º- A Galáxia do Sombrero - distante 28 milhões de anos-luz da Terra - foi eleita a melhor foto, captada pelo Hubble. Pelas suas dimensões, esta galáxia, oficialmente denominada M104, tem uma aparência espectacular. Ela têm 800 mil milhões de sóis e um diâmetro de 50.000 anos-luz.
(- The Sombrero Galaxy - 28 million light years from Earth - was voted best picture taken by the Hubble telescope. The dimensions of the galaxy, officially called M104, are as spectacular as its appearance.It has 800 billion suns and is 50.000 light years across.)

2º -A Nebulosa da Formiga, que é uma nuvem de poeira cósmica e gás, cujo nome técnico é Mz3, assemelha-se a uma formiga quando observada por telescópios fixos. Esta nebulosa está distante da nossa Galáxia, e da Terra, entre 3.000 a 6.000 anos-luz.
(- The Ant Nebula, a cloud of dust and gas whose technical name is Mz3, resembles an ant when observed using ground-based telescopes. The nebula lies within our galaxy between 3.000 and 6.000 light years from Earth.)



3º - Em terceiro lugar está a Nebulosa NGC2392, chamada Esquimó, pois se assemelha a um rosto circundado por chapéu ou gorro enrugado. Este chapéu, na realidade, é um anel formado por estruturas ou restos desagregados de estrelas mortas. A Esquimó está há 5.000 anos luz da Terra.
(- In third place is Nebula NGC 2392, called Eskimo because it looks like a face
surrounded by a furry hood. The hood is, in fact, a ring of comet-shaped objects flying away from a dying star. Eskimo is 5.000 light years from Earth.)





4º - Em 4º lugar temos a Nebulosa Olho-de-gato, que tem uma aparência do olho esbugalhado do feiticeiro Sauron do filme "O senhor dos anéis".
(- At four is the Cat's Eye Nebula, which looks like the eye of disembodied sorcerer Sauron from Lord of the Rings.)



5º - A Nebulosa Ampulheta, distante 8.000 anos-luz, que tem um estrangulamento no meio, por causa dos ventos que modelam a nebulosa serem mais fracos na sua parte central.
(- The Hourglass Nebula, 8.000 light years away, has a pinched-in-the-middle look because the winds that shape it are weaker at the centre.)



6º - Em 6º lugar está a Nebulosa do Cone. A parte que aparece na foto tem 2.5 anos-luz de comprimento (o equivalente a 23 milhões de voltas ao redor da Lua).
(- In sixth place is the Cone Nebula. The part pictured here is 2.5 light years in length (the equivalent of 23 million return trips to the Moon).



7º - A Tempestade Perfeita, uma pequena região da Nebulosa do Cisne, distantes 5.500 anos-luz; descrita como "um borbulhante oceano de hidrogénio, e pequenas quantidades de oxigénio, enxofre e outros elementos".
(- The Perfect Storm, a small region in the Swan Nebula, 5.500 light years away, described as a 'bubbly ocean of hydrogen and small amounts of oxygen, sulphur and other elements'.)


8º - Noite Estrelada, assim chamada por lembrar aos astrónomos um quadro de Van Gogh com este nome. É um halo de luz que envolve uma estrela da via Láctea.
(- Starry Night, so named because it reminded astronomers of the Van Gogh painting.It is a halo of light around a star in the Milky Way.)



9º - Um redemoinho de olhos "furiosos" de duas galáxias, que se fundem, chamadas NGC 2207 e IC 2163, distantes 114 milhões de anos-luz na distante Constelação do Cão Maior (Canis Major).
(- The glowering eyes from 114 million light years away are the swirling cores of two merging galaxies called NGC 2207 and IC 2163 in the distant Canis Major constellation.)



10º- A Nebulosa Trifid. É um "berçário estelar", afastado da Terra 9.000 anos-luz, e é o lugar onde nascem as novas estrelas.
(- The Trifid Nebula. A 'stellar nursery', 9.000 light years from here, it is where new stars are being born.)



(Tudo elementos que circulam no ciberespaço, de onde os recolhi)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

NÃO FICARIAM MAL UNS SINAIZITOS DE ESQUERDA...


esquerda? O velhinho está xoné! Só pode!
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Recentemente, Pio Abreu, num artigo ("Uma verdade evidente") reflectia:
“As regras de Bruxelas vão no sentido da liberalização. O projecto, para os Estados soberanos, é emagrecer e reduzir o controlo sobre as actividades económicas".

O que, relativamente à situação de Portugal, Agostinho Lopes (Público QI 20DEZ07/Opinião/“Outro rumo, nova política”) resumia, em termos pouco brandos: “Há quem no PS se afadigue a convencer os portugueses de que são a esquerda moderna. Mas a sua “modernidade” é a da convergência com os partidos à sua direita em torno da agenda neoliberal do consenso de Washington e as diversas agendas neoliberais de Bruxelas. Os factos e as políticas aí estão, como o recente OE demonstra, para cortar cerce qualquer veleidade de tingir de esquerda o que é retintamente de direita”.

Assim, o busílis da questão está no seguinte: quem manda, de facto, em Portugal?

Entrosando a tal recente reflexão de PA, no jornal de distribuição gratuita “Destak”, com a de ontem, de AL, poderia talvez resumir-se a nossa situação no seguinte:
“Os cidadãos [escrevia PA] elegem os políticos, mas não os empresários. E estes vão-se apoderando de todos os recursos, pelo que a riqueza ou a miséria dos cidadãos depende deles.” Depois, o nosso “espírito crítico é informado (e torturado)” e deformado “pelos media que, por sua vez, são controlados por grupos económicos”, na permanente mira dos quais estão os políticos que elegemos, que não os empresários.

Para AL a problemática não é assim tão diferente quanto isso: “o eleitorado escolhe quem ocupa o poder”, no entanto, quem dita a sua acção são os mercados financeiros.

Mas algo se deve poder fazer para atenuar tal quadro e evitar que a um país pobre se exija como se fora rico, por um lado, e por outro para não agravar a situação social no nosso país que caminha velozmente para o insuportável.

E que algo é possível fazer confirmou-o o recente conselho de Mário Soares para que este PS se voltasse “um bocadinho mais para a esquerda”, por mor das inegáveis “desigualdades sociais e a pobreza”.
Corroborou, de facto, a possibilidade de uma diferente política, Mário Soares, mas foi de extraordinária benevolência: ao sugerir que este PS se voltasse “um bocadinho mais para a esquerda”, estava complacentemente a admitir que nessa política já haveria algo de esquerda.

Mário Soares é muito dado a deslizes... Ou então foi uma blague. Mas de mau gosto, temos de convir.

Acreditamos que não se trate nem de uma nem de outra coisa.

Vamos acreditar que Mário Soares apenas quis lembrar que a um governo PS não ficariam mal uns sinaizitos de esquerda...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

ESTÍMULO

a felicidade



«Gravatas - umas verdes, outras vermelhas - para incentivar os reclusos e ex-reclusos a levar "por diante um novo projecto de vida". O Presidente da República visitou ontem a associação O Companheiro, em Lisboa - uma instituição que trabalha para a integração social de quem já esteve detido ou está ainda a acabar de cumprir pena em regime aberto. E ofereceu a cada utente uma gravata.»Assim dava conta, ontem, a Lusa e relatava a jornalista Andreia Sanches, talvez meio encabulada e constrangida, em artigo intitulado: Cavaco acabou dia dedicado a projectos sociais a oferecer gravatas a ex-reclusos. E mais adiante concluía:
“Mas se a sociedade não está muito sensibilizada para apoiar "quem já pagou pelos seus erros e procura com determinação encontrar um novo caminho", isso "não pode servir de razão para a reincidência", sublinhou ainda Cavaco, perante uma plateia onde estavam vários utentes. "Quis trazer uma recordação a cada um que aqui está", concluiu. E pediu que lhe trouxessem um saco de prendas, que distribuiu uma a uma. Eram as gravatas - "um estímulo para não desistirem".


Não sei como é que cada um dos que me lêem reagiu, ontem, à notícia...
Eu, por mim, fiquei sensibilizadíssimo com o sentido de solidariedade e de compreensão pelo fenómeno social que Sua Excelência o Senhor Presidente da República demonstrou. Compreensão do fenómeno e a sua respectiva expressão quando, com um superior sentido de oportunidade - e sem o mínimo paternalismo, sublinhe-se -, alude “à reincidência...”

Que outra dádiva mais oportuna, mais útil, mais simbólica e mais comovedora podia o ilustre visitante oferecer? Sobretudo, mais estimulante?

Que outras palavras mais adequadas e mais incentivadoras podia o mais alto magistrado da Nação proferir?

Até senti, assim a modos que um nó na garganta, uma profunda comoção.
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(São desta massa. Muito pequeninos. Nada a fazer.)
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

SEGURANÇA? AB-SO-LU-TA-MEN-TE! (SEM PESTANEJAR)

uma “antevisão”, em meados do ano de 2000, do metro de Lisboa na Linha Azul entre a Baixa-Chiado e Santa Apolónia



A partir das 15 horas de hoje o público pôde começar a utilizar as novas estações de Terreiro do Paço e Santa Apolónia em Lisboa.

Uma dezena de anos, ou mais, foi o tempo gasto a construir dois quilómetros e duzentos metros deste troço, e 299 milhões de euros é o seu custo estimado.

O acidente ali ocorrido em Junho de 2000, em que o túnel ficou alagado de água e lama e em que houve um abatimento de terras, obrigou a repensar o projecto e a reformulá-lo. Para garantir segurança, evidentemente.

E é hoje considerado seguro esse troço da linha?
Se é! O presidente do conselho de gerência do Metro afirmou, até, a tal propósito: "Se houver um sismo de grau cinco ou seis fujo para a Estação do Terreiro do Paço", numa inequívoca demonstração de confiança.

Confirma-se, então, que se pode circular com segurança nesse novo troço!
Absolutamente!
E é de tal ordem esse convencimento que (são os próprios responsáveis que o afirmam) ele vai ser monitorizado em permanência para detectar “oscilações milimétricas”. Tão evidentes a firmeza e convicção que a mesma entidade afiançou ser o novo túnel “o mais seguro” de Portugal. Claro que, sem qualquer necessidade disso (mas pelo sim, pelo não) vai ser feita a referida monitorização permanente...

Exageros! Somos assim...

Estamos todos satisfeitíssimos e sentimos a maior segurança...



De repente tive uma branca... Onde é que estamos?...
... Ah, sim, em Portugal!

Tudo certo.



QUANTAS VIRGENS POR CABEÇA, AFINAL?

Os muçulmanos suicidas que se fazem explodir em acções de puro terrorismo, são classificados, por certa espécie extremista desse credo, como mártires.

Por supostamente se baterem por uma justa causa: pela exterminação dos infiéis.
Aí, compreende-se que as muçulmanas igualmente se ofereçam a esse “martírio”.






imagem de V Druzhinin





Mas os muçulmanos (homens) não se entregam tão desinteressadamente a tal “suplício”... Fazem-no, ainda, e talvez sobretudo, na mira de, “na outra vida”, virem a dispor, cada um, de um especialíssimo super harém de cem mil virgens...

O curioso pequeno vídeo que se segue demonstra como a “procura” das “virgens” do “além” tem superado, e largamente, as reservas da “oferta” do “paraíso”...

O mediador desse outro mundo, cá no planeta, bem se tem empenhado em ganhar adeptos para o completo esmagamento dos “agentes do mal” (expressão que também conheço noutra boca), oferecendo, sem contar com tamanha adesão, o tal cento de deliciosas virgens a cada um dos seus “heróicos”-suicidas.
Finalmente, porém, o mesmo Ossam tem surpreendido os candidatos a tão nobre causa com a confissão da impossibilidade que sente, a partir de certa altura, de poder premiar por igual, e como prometido, os seus discípulos. Quando muito, o número de imaculadas donzelas será um décimo do prometido... E... E...
Assim, muitos dos pretendentes, menos motivados, vão “desertando” desse ainda numeroso contingente de aspirantes a mártires.

Querem saber o que é o desespero de alguns candidatos ao prometido aconchego, no outro mundo, da centena de virgens, por cabeça, perante a drástica diminuição do número de castas donzelas que, agora, a cada um vão cabendo?
Vejam:









segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O POLÍTICO

um exemplo de "o político" na perspectiva e na composição de Kaos

“Os políticos falam verdade e mentem indiferentemente. Realizam o prometido ou não, sem qualquer dúvida ou remorso. Defendem, sucessiva e metodicamente, o interesse geral, o partidário e o pessoal, sem nunca deixar de garantir que se trata do interesse nacional.”
(...)
“Tudo isto é sabido. Mesmo assim, os políticos persistem no seu comportamento e o público vai acreditando.
(...)
“Conhecem-se as regras, percebem-se os interesses, sabe-se que é ilusão e tem-se a exacta consciência da encenação. Mesmo assim, vive-se como se estivéssemos diante de factos genuínos e situações novas.”
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São três extractos de uma das habituais reflexões de António Barreto, aos Domingos, no Público – coluna intitulada Retrato da semana -, neste caso, na de ontem.
O sociólogo traça o perfil do político, generalizando-o, como se todos obedecessem à mesma matriz.

Creio que será sempre de evitar generalizações.
O próprio António Barreto, por certo, que não pretendia generalizar (designadamente porque também foi [?] político e até ministro).
Ou talvez AB queira dizer que se trata do retrato do político mais comum nos tempos que ora vivemos. Em todo o mundo.

É uma análise muito dura. Bem corrosiva. Não tão cáustica quanto alguns (a grande maioria) merecem.
Mas uma análise cuja síntese envolve os seus perigos, e AB bem o sabe. É o discurso que faz as delícias dos mais radicais conservadores, que a direita mais retrógrada anseia ouvir.

Uma das coisas que hoje mais falta nos faz é a esperança. O que mais nos afunda é a desilusão.

Os desiludidos somos incontáveis. Os esperançosos do fim de tal espécie de criaturas, os crentes na regeneração do político, como exemplo de dignidade (o que envolve, por exemplo, seriedade, honestidade, verticalidade) e de um verdadeiro sentido de serviço público, são poucos. E eu bem gostava de me incluir em tal número.

Esbracejar isoladamente, pouco ou nada adianta.
Mas quem é que nos consegue calar?

domingo, 16 de dezembro de 2007

IRENE PIMENTEL

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“Não tem lugar na Universidade, cursou História como estudante-trabalhadora, mas a originalidade dos seus estudos sobre o Estado Novo, que lançam uma luz nova sobre esse período, levou o júri do Prémio Pessoa a decidir galardoar esta mulher de 57 anos, uma historiadora determinada e lutadora” – é a síntese e a chamada para um artigo sobre a historiadora, no Público de ontem.

Irene Pimentel é surpreendida pelo dia da Libertação quando rondava os 24 anos, e só aos 29 se decide entrar na Faculdade de Letras. Mas a política atrai-a antes dessa marcante data, ainda em 1970, na “ressaca” do Maio de 68.

Em 1978 rompe com a esquerda mais radical para iniciar um percurso independente fora do estrito âmbito partidário.
Mas como tantos militantes de partidos da ala esquerda, também ela terá ganho o traquejo habitual, característico dessa área, que incentiva o gosto pela retórica, pela polémica, a discussão e o poder argumentativo.

Já liberta de eventuais preconceitos relativamente à época da ditadura, nela mergulha a sua investigação, como, com o sugestivo título “Chegou tarde à História, cedo ao Estado Novo”, narra São José Almeida no mencionado artigo.

É assim que publica vários livros sobre a época, e, designadamente, escolhe como tese de doutoramento a história da PIDE, de 1945 a 1969, de que publicou recentemente uma versão reduzida, A História da PIDE.
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PIDE: prisão de Caxias


O Prémio Pessoa acaba de distinguir Irene Pimentel e premeia a sua dedicação à investigação do período da Ditadura.
“Os seus livros, que nunca negam a sua adesão à causa das liberdades e dos direitos humanos, revelam um notável esforço de rigor intelectual e de objectividade académica"
– refere uma declaração do júri do Prémio.

Mas publicou mais. Vejamos um destaque do mesmo periódico, da mesma data e da mesma jornalista acerca da obra de Irene Pimentel, vista por ela mesma:

- As Organizações Femininas do Estado Novo
(Círculo dos Leitores/Temas e Debates, 2000)
"É um livro que tenta caracterizar o Estado Novo através da sua política relativamente às mulheres."
- Os Judeus em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial (Esfera dos Livros, 2006)
"Os Judeus... é sobre um episódio fugaz da História de Portugal. Uma parte da Europa esteve em Portugal em fuga da outra Europa que a perseguia, devido à sua religião e à sua política. E em que os portugueses viram que também eram europeus."
- A História da PIDE (Círculo dos Leitores/Temas e Debates, 2007)
"É a caracterização do Estado Novo através da análise da sua polícia política e onde tentei ver se o regime durou tanto tempo graças a esse mesmo instrumento."
- A Mocidade Portuguesa Feminina (Esfera dos Livros, 2007)
"É o livro onde pretendo, através de imagens, mostrar um mundo passado e acabado, que foi o das nossas mães e do qual já perdura pouco."
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Além disso, “Irene Pimentel tem no prelo uma fotobiografia de Zeca Afonso. Integra-se numa colecção a lançar pelo Círculo de Leitores” – refere ainda a jornalista SJA.
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Talvez boas matérias para próximas leituras...
Quem sabe se, mesmo, para oferta na quadra que se aproxima...

sábado, 15 de dezembro de 2007

EVOLUÇÃO

Não me impressiona nem me incomoda nada que o álbum de slides, que deixo a seguir, provenha de um centro espírita, ambiente em que não me enquadro, doutrina e crença de que não participo e a que não adiro.
Não obstante essa origem, a verdade é que encontro na mensagem (excluído eventual e pretenso esoterismo) muito de interessante e de verdadeiro.

A verdade, igualmente, é que tudo está em mudança, na era que vivemos.

A evolução verifica-se, até, nos conceitos de amizade, companheirismo, amor!
Prende-se com certo relacionamento. Tem reflexos na intimidade das pessoas.

Sinal dos tempos, apenas?

Consumação, afinal, e definitiva, de um longo processo?

Matéria de reflexão, de todo o modo, estou em crer. Quiçá para ambos os géneros, que não apenas para um, penso também.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

“AMBIENTE? DEIXA PARA LÁ!”

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“Até Al Gore se mostrou desiludido e apontou o dedo ao seu próprio país para o responsabilizar pela falta de acordo em Bali. Bush não aceita metas para a redução de emissões de gases com efeito de estufa e está empenhado em torpedear os esforços da ONU neste sentido” lê-se numa síntese, hoje, no Público, acompanhada da foto acima.

Bush tem razão: que importa que o ambiente se degrade, que o planeta se torne inabitável, que as gerações futuras morram num sufoco e com sede, num processo de definhamento angustiante e pavoroso?
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Ou melhor: não é exactamente Bush que se marimba (passe o plebeísmo). São os seus mandantes (seus e de todos os descerebrados e enquistados neoliberais que governam o mundo): a generalidade dos industriais, dos donos dos grandes negócios, das grandes fábricas, de toda a parafernália que contribui para um acelerado processo de degradação do ambiente do planeta... Que lhes pode preocupar, agora, semelhante problema se, posto no outro prato da mesma balança, igualmente neste momento, com o lucro, o fiel pende sempre para o lado deste?
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O negócio, o lucro é tudo quanto os pode preocupar. É tudo o que os move.
Os filhos? Os netos? Mesmo os deles e das gerações actuais? Que se danem...
Há, de facto, crimes que compensam.
Há, realmente, assassinos a tomar conta dos nossos destinos!
Em suma, para essas criaturas quem vier depois que pague essa factura. Nem que seja com a própria vida. Numa arrastada e aterradora agonia...
Mas isso vem depois. O depois não interessa. O presente, sim, é que é de explorar até ao último átomo do tutano da questão. Do negócio, claro.

A grande massa dos habitantes da Terra, o povo, não quer reagir... Não compreendo ainda bem porquê...

Até quando?
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Nota: claro que, para mim, como para muitos mais, a Al Gore não lhe basta, apenas, que lhe lavem os pés para o pôr no altar...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

“... APANHÁMO-LO!”

Saddam após a captura
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"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
Cüa aura popular que honra se chama!

Lusíadas
[canto IV]

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Não falo de perfídias. Nem de abusivas e – pior ainda – infundadas intromissões num país soberano, por um seu congénere, de motu proprio.

Falo do ditador que se tornou presa fácil.
Falo do rei que vai nu.
Falo do todo-poderoso que se convenceu que o seu poder absoluto vencia a barreira dos tempos, que ultrapassava os confins da eternidade.
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o todo poderoso
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Falo do déspota sem coroa e sem ceptro, sem guarda pessoal nem exército, sem assessores nem aliados.
E sem povo.
Despojado de tudo, sem honra nem glória, acoitado num buraco, no chão, qual réptil repelente e fétido, caçado como animal perseguido. Capturado como um assassino e como qualquer mero e "desprezível" delinquente.
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Saddam Hussein
O todo poderoso reduzido à sua ínfima condição,
caçado “como uma ratazana” ou uma toupeira.
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“Senhoras e senhores, apanhámo-lo” – proclama, vitorioso, o representante do dono do mundo e líder dos invasores, faz hoje quatro anos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O CRIMINOSO TEM DE SENTIR QUE O CRIME NÃO COMPENSA





Desta vez o mote foi-me dado pelo editorial de hoje de Amílcar Correia, subdirector do Público, a propósito da recente vaga de homicídios no Porto levados a cabo por supostos gangs.
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Porque é que nos regimes autoritários não há criminosos (tirando, claro, os detentores do poder e seus “braços”)?
Porque os outros criminosos sabem que lhes sai bem cara a ousadia de contravenção ou de acção criminosa... Tão cara que não se atrevem simplesmente a actuar, quanto mais a atitudes impudentes...

Em regimes democráticos terá a vigilância policial de ser tão violenta, tão brutal, tão desumana como acontece com a animalesca polícia das ditaduras?

De forma nenhuma.

Liberdade não tem de ser equivalente a balbúrdia e a atropelamento e desrespeito da liberdade dos mais.
Disciplina não pode passar a ser uma palavra abominável e erradicada do dicionário de uma democracia.

Claro que quando o poder é complacente com certo tipo de acção criminosa, como a corrupção e outros mais e impunes crimes “de colarinho branco”, os outros malfeitores sentem-se muito mais encorajados a acções violentas (em crescendo, conforme vão tomando o pulso ao poder judicial) e até de impressionante desfaçatez.

Há grupos de marginais que são produto das degradadas condições sociais em que nascem e se desenvolvem. A luta contra a criminalidade, antes de o ser, tem de começar por erradicar tais condições de vida. Por promover uma efectiva igualdade, debelando a marginalização.

Não obstante, um regime de liberdade é mais propício ao surgimento de outros criminosos, que não provêm daquelas “bolsas” que o governo tem de erradicar através de uma acção que contrarie e elimine as causas que lhes estão na base.

Porém, outras pessoas há que, pelas mais variadas razões de ordem psicológica, pela ambição de poder e domínio de certa área de negócios (alguns deles de actuação bem pouco confessável) ou por mera razão de índole, quiçá provocada por outros distúrbios mentais, que avançam e progridem no mundo do crime, por flacidez do legislador penal.

A indisciplina e a criminalidade têm de ser combatidas com firmeza. A acção penal tem de proporcionar instrumentos (leis, nomeadamente) que permitam às polícias e aos tribunais terem uma acção eficaz. Antes de mais uma investigação criminal mais eficaz. Acção que, nem por isso, exige, nem se compadece, com violências e brutalidades.

A lei penal (tanto na sua vertente substantiva, como na adjectiva) não tem de se afastar das suas mais modernas e humanas políticas. Mas não pode ser frouxa e permissiva.

Se o condenado indicia evidente necessidade de tratamento neurológico, esse tratamento tem de ser facultado.
Ou seja, se o caso do condenado exige especial acompanhamento, claro que ele tem de ser prestado. Contudo, ele tem de sentir, também, e de forma bem convincente, que o crime não compensa, e sentir isso tanto mais quanto mais grave tenha sido a sua acção criminosa.

E se se tratar de redes de crime organizado, ainda menos complacente tem de ser o legislador criminal.

É possível as autoridades policiais actuarem com eficácia sem recorrer a métodos condenáveis.

Como é possível o legislador ser firme sem necessidade de prever o degredo, a pena de morte ou a prisão perpétua do criminoso.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

PORQUÊ? PARA QUÊ O ACORDO ORTOGRÁFICO?

Felizmente (para ambos) não tenho nada em comum com Vasco Graça Moura. É, realmente, uma pessoa culta, mas em termos ideológicos aprecio-o tanto quanto aprecio qualquer outro conservador empedernido e de mente (nessa área) anquilosada.

Mas porquê esta confissão, ou este desabafo?

Simplesmente porque pode parecer que tenho a mesma opinião que ele no respeitante ao acordo ortográfico (atendendo ao que aqui deixei recentemente sobre a questão). Mas não tenho.

O ponto de vista de VGM é o de que o acordo é "catastrófico no plano científico, económico e geoestratégico". E segundo a leitora do Público, Helena Soares, de Lisboa, “esta concepção de "catástrofe geoestratégica" tem um nome: co-lo-nia-lis-mo. Bafiento”.
A senhora tem razão, é óbvio.

Como razão tem Rui Tavares, também hoje no Público: claro que nada vai mudar. É evidente que o acordo vai ser mais uma inutilidade, pois que nem brasileiros nem portugueses vão alterar em nada a maneira como falam ou escrevem, quer quanto à suas diferentes expressões quer relativamente ao vocabulário que usam.

VGM é radical: os brasileiros “não sabem escrever português”.
Eu o que sustentei, e mantenho, é que os brasileiros são livres de evoluírem do português para o “brasilês”. O que não devemos consentir é que eles nos obriguem a utilizar a sua ortografia e as suas expressões.

Porque havemos nós de “falar anistia” em vez de “dizer amnistia” ou a escrever “seqüestro” em lugar de sequestro? Porque teremos de chamar “Antônio” ao seu homónimo (homônimo, dizem eles) António?

Bem vistas as coisas, a verdade é que, no que à ortografia respeita – é RT que o recorda – todos entendemos o que se pretende dizer quando se escreve correcto ou correto. E Até korreto, que é como os rappers kontinuarão a eskrever.

Também concordo que em actos e documentos oficiais a ortografia a utilizar deve ser a aprovada pelas academias e governos respectivos.
E nos fóruns internacionais, como uma das línguas oficiais adoptadas ou como língua de trabalho, deve ser o português europeu que deve ser utilizado, que é o que se passa com o inglês e com o espanhol (castelhano), ainda que sejam muitos mais milhões de estrangeiros a falar cada uma dessas línguas do que ingleses e espanhóis. Mais, bastante mais, do que brasileiros a exprimirem-se na nossa língua pátria.

E se os deputados e governantes portugueses querem ver implantado nos países lusófonos, em África ou em Timor, o português de Portugal, que promovam essa política cultural, nomeadamente com a oferta dos manuais escolares, antes que os brasileiros, com a sua habitual “ligeireza”, conquistem essa posição.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

“CLÁUSULA PENAL” “SUI GENERIS”

O assunto corre pelos media e pela ciberesfera (blogosfera e correio electrónico).

Aliás, circulam, no ciberespaço, dezenas de casos de outras inexplicáveis (ou mal explicadas) situações, como a aqui descrita. De mais flagrante injustiça, até, algumas. Gritantemente escandalosas, muitas.
Todas verdadeiras?
Quase?
Nada?

A maioria delas correspondem à verdade, é sabido.
Mas na incerteza passam todas por verdadeiras.
Segundo a sabedoria popular... Não há fumo sem fogo!

E que fogo, nalguns dos casos propagados!

Mas o acontecimento que trago hoje não é o costumado de auto-fixação de chorudas remunerações, nem da atribuição de indecorosas reformas, nem dos imorais prémios e privilégios aos “fiéis” de cada capela.
Num governo realmente socialista, seria impensável tal alargamento do fosso que separa a generalidade dos cidadãos dum número cada vez mais crescente de privilegiados. Tal governo não se conformaria que os ricos o fossem cada vez mais, à custa de um número crescente de pobres. Não se conformaria com a situação e muito menos a fomentaria.
Tal política só é possível por acção ou cumplicidade de um governo frouxo relativamente ao cumprimento do seu programa. Como acontece com ESTE PS. (Que já começa a causar mal estar NO PS).

Mas o episódio que trago hoje é outro.
O advogado João Pedroso foi contratado, pelo Ministério da Educação, para, em Maio de 2006 apresentar determinado trabalho. Para isso recebeu, de Junho de 2005 a Maio de 2006, 1500 euros mensais.
Na data aprazada, o advogado não entrega coisa nenhuma. Vai daí, por despacho de Fevereiro de 2007, o prazo inicial foi prorrogado por igual período, mas agora com a remuneração mensal de vinte mil euros.

O polémico “outsourcing” foi já objecto de um requerimento entregue na Assembleia da República.

Tal contratação externa de serviços torna-se tanto mais incompreensível quanto se sabe que os juristas, às dúzias, no Ministério da Educação, entretanto se vão continuando a entreter com os seus ofícios-circulares...

Nada de anormal se passa: erro de avaliação, defende-se o ME.

“Tá bem abelha!” – diria, como habitualmente, em situações inverosímeis, o meu barbeiro.

Mas é claro que o sr António Silva é exagerado nas suas desconfianças. É que é capaz de se tratar de erro de avaliação, sim, já que João Pedroso não é um mero advogado. Consta que é, antes, além de licenciado em Direito, Mestre e Doutor (talvez ainda "doutorando") em Sociologia do Direito, pela faculdade de Economia da Univ. Coimbra, especialista em questões de protecção de crianças e jovens, matéria sobre que lecciona em cursos de pós-graduação, na Universidade de Coimbra, no âmbito do Centro de Direito da Família (uma Associação privada sem fins lucrativos, constituída em Novembro de 1997, composta por docentes da Faculdade de Direito de Coimbra e por investigadores dedicados ao estudo e ao desenvolvimento do Direito da Família e dos Menores).
Ou seja, o invocado “erro de avaliação”resulta do facto de João Pedroso ter competências a mais (ainda que não específicas, como parece óbvio).

Na verdade, é uma tão original quão estranha “cláusula penal” para o não cumprimento de um contrato: o contratado, incumpridor, ver renovado o mesmo contrato, por igual prazo e por um valor mensal mais de 13 vezes superior!!!

Pelo menos em causa própria, João Pedroso é um bom advogado!
De truz! (E o pessoal – a carneirada dos contribuintes – que pague!)

Até quando?


domingo, 9 de dezembro de 2007

A CIMEIRA QUE LAVA MAIS BRANCO

imagem Alexandre Joe/AFP/Público


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A “Cimeira UE-ÁFRICA” não será, para Portugal, um momento único. Ah! Mas é ímpar!

Se a “cimeira” decorreu em três dias, eu em apenas dois, e, para mais, curtos e ignotos espaços, não consigo verter todo o “fel” que a circunstância produz no meu íntimo. No de tantos. Que estes são incontáveis, bem ao contrário dos outros. Até porque esses outros tem de se conformar com o exigente “numerus clausus” na sua admissão ao areópago das excelências de poderosos ditadores, alguns também torcionários e assassinos, para com eles privar; talvez, até, para os aplaudir.
Realmente, como muito bem reflectia hoje Manuel Carvalho, no seu editorial, como se pode “ser parceiro de quem não partilha valores básicos nem preocupações comuns”?
Por mais desagradáveis (duras, não houve) que algumas críticas, na cimeira, tenham sido dirigidas a Mugabe, a verdade é que a presença da criatura, ali, já equivale a um branqueamento da situação no Zimbabwe.

Não é a primeira vez que guardo na minha pasta de escritos que considero especialmente meritórios – porque além de praticarem uma bela e elegante prosa, são marcantes e particularmente actuais no respeitante a uma época, a uma circunstância ou a uma personagem – não é a primeira vez que remeto para o APOSTILA, dizia, um RETRATO DA SEMANA de António Barreto, que tem, de facto, uma objectiva condizente com a sua acutilância e capaz de nos oferecer uns zooms de grande qualidade.

O artigo de hoje, “O circo desceu à cidade”, é um texto pungente, dum realismo doloroso, de uma actualidade impressionante e perturbadora. Inquietante. Uma peça que em termos musicais começaria com um “Adagio giocoso, ma non troppo vivace”, passando a um “Andante assai vivace ma serioso” e terminando num “Largo maestoso molto espressivo”.
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É, de facto, muito caro o preço da democracia...

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Leia, pois, no APOSTILA
“O CIRCO DESCEU

À CIDADE”.

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DEMOCRACIA E LIBERDADE



A característica essencial da democracia é a liberdade.
Mas a liberdade vem sendo cada vez mais ameaçada.
É bem patente que os regimes democráticos actuais caminham para a sua transformação em democracias musculadas. Em Portugal, por exemplo, o “partido” deste governo fala de liberdade, mas é manifesta a prevalência, e bem acentuada, da segurança no seu discurso e na sua acção.
Ou seja, cada vez mais a liberdade é vigiada, controlada, policiada. Daqui a pouco não passará de uma utopia.
O predominante pendor para essa obsessiva preocupação securitária foi decisivamente demonstrado em recente intervenção de Rui Pereira na Assembleia da República.

E no entanto, o nosso ministro da Justiça questiona-se, candidamente (só pode ser. Ou então provocatoriamente – o que é muito mais grave) na mesma sessão da AR sobre se alguém acreditará que a liberdade está em causa em Portugal.

Alberto Costa é, então, bem o exemplo de como é curta a memória do homem.
Alberto Costa que “viveu na pele o que é o Estado policial, o autoritarismo da ditadura de Salazar e sabe pessoalmente o que foi a PIDE/DGS”.

A jornalista São José Almeida, na sua coluna semanal, no Público desenvolveu ontem um artigo prenhe de interesse, de actualidade, de sentido de democracia, de séria preocupação com os conceitos.
Claro que não negou (como qualquer cidadão sensato não negará) a necessidade de segurança para exercer o direito de liberdade. Mas falou do indispensável encontro do ponto de equilíbrio entre os dois valores.

Trata-se de um texto exemplar, que desmonta o discurso do governo e traduz um preocupante espírito da época que vivemos.

Daí que A relatividade da liberdade deva fazer parte do APOSTILA.


sábado, 8 de dezembro de 2007

A “CIMEIRA” E OS VIRTUOSOS FILANTROPOS



Não sei se comece pelas palavras de Vasco Pulido Valente, se pelas do blogger Rui Lucas.

Rui Lucas desabafava, ontem, no seu
Pedecabra: «Vemos uns "figurões" chegarem e, em vez de serem presos, serem parceiros de diálogo...»
Já VPV, na sua coluna do Público de hoje (não deixo URL pois só é acessível a assinantes), anunciava: “[estão] cá 144 “altas” personagens, se contarmos também os
gangsters, da “Europa” e da África, para a “cimeira”. E mais adiante comentava: «Meles Zenawi, da Etiópia; Omar al-Bashir, do Sudão; e Robert Mugabe, do Zimbabwe, que ultimamente se distinguiram pelas suas matanças, também apareceram. Além de umas dezenas de beneméritos, que, em nome do progresso e dos direitos do homem, só assassinam e torturam em pequena escala e que, por consequência, gozam do respeito da "Europa" inteira.»


imagem Wikipédia
Meles Zenawi
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imagem Daniel Rocha/Público Omar al-Bashir
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imagem Inácio Rosa/Reuters/Público
Robert Mugabe
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imagem José Manuel Ribeiro/Reuters/Público
Muammar Kadhafi
Na passerelle desfilaram “figurões” famosos
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Estes, alguns zelosos humanitários que, com a sua presença, "honraram" anfitriões e participantes na "Cimeira" deste fim-de-semana na nossa capital.
A “cimeira” e a sua preparação foram repetidos alvos da censura de jornalistas, políticos e de outros cidadãos, nos media e na blogosfera, nas últimas semanas.
É, de facto, insuportável tal promiscuidade!
Nunca foi método que desse bons frutos o castigar com uma mão e, simultaneamente, afagar com a outra.
Mas o evento e a sua circunstância prestam-se a congeminações mais “fáceis” e “ligeiras”. E se pretendo evitar cair nelas, não posso deixar de expressar o meu – ainda que impotente – desesperado grito de revolta.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

ELITISMO “COMO EXEMPLO, IDÉIA DE EXCELÊNCIA E VALORES”

imagem Wikipédia (adaptada)







Quem, desta vez, me deu o mote para este apontamento foi Esther Mucznik (ontem: “Em defesa das elites”/Público/Opinião).

Não é preciso ser conservador para discordar que “palavras como autoridade, hierarquia, elites se [tenham tornado] palavras banidas”. Realmente, defender a necessidade de autoridade, de hierarquia e de elites não tem forçosamente que entender-se como apologia ao autoritarismo, ao despotismo ou aos privilégios.

Por mais que alguns nos queiram convencer que pertencem a esse escol, ou por mais que alguém se esforce em os alcandorar a tal posição, a verdade é que tais “elitistas” (aqui, sim, no pior sentido) não passam de tartufos sedentos, apenas, de poder e privilégios.

Tem, pois, de novo razão a investigadora em assuntos judaicos quando alude que um “igualitarismo serôdio decorrente da perversão da ideia democrática corrói a nossa sociedade”.

Há que recuperar a própria ideia de elite, não como conjunto privilegiado de cidadãos, mas como um grupo de excelência, de superiores qualidade e valores, em cada área do conhecimento, que se distingue, também, por uma diferente “responsabilidade social e um dever moral face à comunidade a que pertence”.
E prossegue a mesma colunista: a verdade é que “em Portugal, essa consciência é limitada, quer por parte de empresários, quer por intelectuais, artistas ou políticos.” E, pior ainda, as “elites sempre se consideraram desligadas do serviço público, geralmente atribuído ao Estado”, esse "big brother" orwelliano.

Aliás, numa entrevista ao Público em Janeiro de 2005, Marçal Grilo, depois de ter afirmado que “nunca tivemos elites tão boas como temos hoje” reflectia, igualmente: “as elites estão um pouco desnacionalizadas. Assumem-se como cidadãos do mundo, da globalização, e têm um certo snobismo intelectual de distanciamento em relação ao que se passa no país”.

No mesmo sentido afirmava também Esther Mucznik: “a consciência da necessidade de elevar o conhecimento da população não é, no nosso país, salvo excepções, uma preocupação de cientistas, filósofos ou pensadores.”
“Desprezada pelas elites, mais preocupadas "em se dar bem", como dizem expressivamente os brasileiros, a população está cada vez mais entregue a si própria e aos mitos fáceis de uma cultura de hipermercado"
– conclui a autora.

Também William Henry falou “na luta perpétua entre o igualitarismo e o elitismo” na sua obra provocadora que pôs em polvorosa a "nação mais igualitária do mundo", “como a América gostaria de ser”. “In Defense of Elitism” (1994) é o título do livro, onde W. Henry se refere a elite “como exemplo, ideia de excelência e valores”, entretanto completamente subjugada por uma "sociedade mais igual".

Como se constata o elitismo de que se fala aqui, e aqui se defende, não tem nada a ver com o conceito de elitismo noutras eras e noutras paragens, nem com proselitismos académicos, de classe ou de estatuto. Não falamos de “torres de marfim”, mas de gabinetes de trabalho.
Falamos, repito, de elite “como exemplo, ideia de excelência e valores”, que desprendidamente se bate pelo progresso do seu país.






quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A IMPORTÂNCIA DE UMA ASSINATURA

A Amnistia Internacional é uma organização de âmbito mundial, não-governamental, que se propõe promover e defender os direitos constantes da Declaração Universal de Direitos Humanos e de outras leis internacionais afins, como o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.
Data a sua fundação de 28 de Maio de 1961.
A sua criação teve origem numa notícia do britânico "The Observer" em que era referida a sentença de sete anos de prisão proferida contra dois estudantes portugueses da Universidade de Coimbra por terem gritado «Viva a Liberdade!» na via pública.
O advogado britânico Peter Benenson lançou então um apelo no sentido de se organizar uma ajuda prática às pessoas presas por razões políticas, de credo ou de raça, e fundou a
organização.

O seguinte vídeo é bem o símbolo da importância, do poder, da força que pode ter uma assinatura para a humanitária organização.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

SUA ALTEZA REAL O PRÍNCIPE D. RENATO I

(um desenho do principado da Pontinha - "capa" do respectivo site)


Para todo o português a sua casa é o seu castelo: situe-se ela num T2 dum prédio de 13 andares onde residem, paredes-meias, mais 38 famílias; seja numa vivenda geminada do bairro da Encarnação; ou numa moradia unifamiliar implantada num terreno de 300 m2, em qualquer localidade do país.
Mas daí até chegar à paranóia do sr Renato da Madeira, perdão, do morro, perdão, do rochedo da Pontinha, ex-ilhéu da Madeira... Vai uma considerável distância.

Pois o sr Barros veio à Feira da Ladra e aos alfarrabistas, e aí se muniu de armas, brasões, títulos e mais material de aristocratas arruinados ou tão genuínos como ele, mas falidos, que lhe “confirmassem” o título de “príncipe”.

E agora o “príncipe Renato I” quer proclamar, dentro de semanas, a independência do seu “principado”, o Forte de S. José da Pontinha. Para tanto já contactou todas as autoridades nacionais e regionais assim como a ONU e outras instâncias internacionais, designadamente a União Europeia.

Socorro-me da crónica divertida de Nuno Pacheco, ontem, no Público, para transcrever o intuito de Sua Alteza Real o Príncipe Senhor D. Renato I, declarado à agência Lusa: "No dia 31 de Dezembro do corrente ano, a partir das 24 horas, as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas serão fechadas ao trânsito de pessoas e mercadorias" exteriores aos seus domínios...

A vítima imediata de tal acção é a ilha da Madeira, mais precisamente a cidade do Funchal, no extremo oeste de cujo porto se ergue o penhasco, que será gravemente lesada com tais cortes das três vias de acesso ao “principado”.
E a economia do arquipélago, não digo que entre, de imediato, em colapso, mas será, por certo, fortemente penalizada.

Não faço a mínima ideia de qual será a atitude do inefável pontífice da região, mas tendo em conta a sensatez do guru e as suas repetidamente confirmadas boas maneiras, é mais que seguro que AJJ lhe dará a adequada resposta, talvez até em linguagem bem castiça e vicentina – se estiver para aí virado. Ou então liga-lhe tanto como aos acórdãos, pareceres e decisões do Tribunal de Contas.

Às mais instâncias, nacionais ou internacionais, creio que nem terão chegado as mensagens do anunciado novo “soberano”. Ou se perderam, pelo caminho, ou “caíram” – é o meu palpite.

Em última instância, o que Alberto João, na sua paciente e sempre virtuosa acção, é capaz de lhe fazer é mandar destruir o molhe que se construiu para ligar o penedo à ilha, nos setenta metros que os separam...
E o “príncipe” que compre um hidroavião ou um helicóptero.

Não sei se algum dos quatro cidadãos do seu “país” é psiquiatra ou neurologista, mas logo ali no Funchal, ou a uns bons pares de horas de helicóptero, o “príncipe” encontra-os com fartura.

O pesado degredo que é este mundo – que não o ilhéu da Pontinha para o seu “soberano” – é de vez em quando contrabalançado, na sua soturnidade, com episódios divertidos.
A vontade de rir não será nenhuma... Ah! Mas um sorriso aposto que se escapa a todos...




De notar que esta matéria já consta da Wikipédia. (E talvez por coisas destas, a outras acrescidas, é que, por vezes, é posta em causa a sua credibilidade). Além de que o “principado” tem, mais que várias referências, uma página na net.
Tal facto poderá parecer dar um ar de seriedade ao assunto. Mas não esqueçamos que há paranóias colectivas e móbeis particulares que depressa congregam invejáveis suportes.




terça-feira, 4 de dezembro de 2007

DOIS INSTANTÂNEOS

Duas frases, no Público de ontem, deram-me o mote para duas instantâneas observações:

1.
«Annapolis parece uma operação de relações públicas visando tornar menos amargo o final de mandato de Bush» - Sarsfield Cabral

Na verdade, que outra finalidade pode ter tido o espectáculo montado pelos americanos, sabendo-se, à partida, que o fracasso estava garantido? Não é com farsas destas que se leva a paz àquela zona do Próximo Oriente. O único objectivo da montagem do circo, só pode ter tido por finalidade aquela apontada pelo jornalista.


2.
“Para ter sucesso no mundo não é suficiente ser estúpido, também é preciso ter boas maneiras” - Voltaire, escritor francês (1694 - 1778)

Por certo que se Voltaire vivesse nos tempos que correm, não teria feito tal afirmação. AJJ, por exemplo, é a prova de que não é preciso obedecer ao segundo requisito do perfil, e que, ao contrário do que conclui, o primeiro é suficiente para ter sucesso no mundo (dele).


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ACORDO ORTOGRÁFICO



"Da minha língua vê-se o mar.
Da minha língua ouve-se o seu rumor "
(Vergílio Ferreira)



Aí está, outra vez, instalada a polémica sobre um novo acordo ortográfico entre os países de língua oficial portuguesa

Por mais que Malaca Casteleiro tenha pretendido defender o contrário (actualmente não sei, mas calculo que também), a verdade é que, nessa matéria, andámos sempre a reboque do Brasil.
Subserviência?
“Valores mais altos que se levantam”?

A qualquer observador parecerá que o berço da língua portuguesa foi o Brasil, e não Portugal, de tal maneira aquele domina o processo.
Temos vindo de cedência em cedência, submetendo-nos à vontade e à iniciativa dos nossos irmãos de além Atlântico.
Já há muito que me parece ser tempo de dizer basta.

Aqui há anos parece termos resistido a uma reforma que consistia em acabar com o assento nas palavras esdrúxulas. Donde os hilariantes comentários e análises dessa criança crescida que dá pelo nome de MEC, acerca de casos como o de cágado e o respectivo hipotético termo pós-reforma: cagado.

Os brasileiros são de tal modo os “comandantes” do processo que eles, que curiosamente abrem todas as vogais (o português europeu tem de facto muitas vogais mudas), escrevem e pronunciam, no entanto, Antônio e homônimo (que nós, ao contrário, abrimos), tendo chegado a pretender que alterássemos os nossos António e homónimo por aqueles seus estranhos correspondentes.

Um gracejo muito antigo diz que

quando os portugueses "descobriram" o Brasil,

deixaram lá, da língua, as vogais, e ficaram com as consoantes.

De tal maneira os brasileiros se acham superiores a nós, nesta matéria que - o caso passou-se comigo, não mo contaram (nem o inventei) -, há anos (nos idos 70) numa papelaria, em Copacabana, uma senhora, já entradota (eu era então um jovem com pouco mais de trinta anos), depois de eu dizer ao que ia, se volta para uma colega e comenta: (transcrevo em linguagem fonética) “qu’engràçádo! Êli tem sôtàquê!" Não resisti ao comentário: “como? Eu é que tenho sotaque? Está a ver muito mal: nós é que vos ensinámos a falar, e nós é que temos sotaque? Essa!...”

Bem nos basta ter de ler em "brasilês" quase tudo o que na Net é suposto estar em português!

Deixemo-los abastardar a língua, ainda que isso nos custe. Não temos peso nem força para o evitar. Mas preservemo-la, nós, sem consentir que nos imponham alterações que nada têm a ver com a sua normal evolução cá deste lado do grande oceano.

Não embarquemos nessa de substituir facto por fato; acção por ação; hesitação por esitação, etc.

Há um coro enorme que comenta, a propósito: se ingleses e espanhóis nunca sentiram necessidade de acordos ortográficos, seguindo cada povo das Américas e da Europa o seu caminho, porque havemos nós de nos preocupar com isso?

Chega de acordos. Chega de mutilar a nossa língua para “agradar” e “acudir” a morfologias tropicais!

Agradeçamos o contributo positivo que os falantes do português, por esse globo fora, nos possam dar para o enriquecer.
Mas rejeitemos deturpações e aleijões da nossa língua materna.

Cada qual, nessa matéria, que siga o seu destino, como acontece com hispano-americanos e com anglo-americanos e anglo-australianos. E tantos outros.

A fonte e o berço do português é aqui. Aqui (às fontes originárias) devem acorrer os que quiserem utilizar este meio de comunicação.

Isto sem querer negar o altíssimo valor de tantos autores brasileiros que escreveram preciosos textos nessa – de facto autónoma, reconheçamos – expressão luso-brasileira.

Mas não nos obriguem a “pegar o ônibus” nem a “vestir o fato, de fato não exato” ou “beber o chope ou o suco que não seja exatamente o nosso predileto” ou a “mandar na delegacia o cafageste detetado no banheiro”, nem a “aderir a qualquer ação ou reação”, nem a “termos de comprar na usina de Santo António”, nem a “a visitar o sítio do coronel em Minas”, nem a aceitar, simplesmente, que ele “falou” o que cada um pensava...

 

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