terça-feira, 30 de junho de 2009

NOVA FÁBULA DO CAPUCHINHO VERMELHO

Capuchinho Vermelho-Pintura francesa do século XIX-wiki

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Contra ventos (acomodados comensais da mesa do orçamento), marés (franjas sustentadoras do poder que aguardam passar das migalhas que caem da mesa aos fartos acepipes que ela oferece) e tempestades (os inefáveis cozinheiros de tão lauta comezaina) o lobo mau tentou deixar de o ser, fingindo não querer enganar mais o capuchinho vermelho nem a avozinha.
Mas a avozinha nem pela nova conversa se deixou enlear. E o capuchinho vermelho nem por isso ficou mais feliz nem deixou de recear os perigos da floresta empestada de lobos traiçoeiros e maus.

Moral da estória?
Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, nem lhe herda os hábitos…


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segunda-feira, 29 de junho de 2009

DIZ QUE...

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«Assembleia paga pareceres para iniciativas do PSD

A Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) tem pago pareceres jurídicos para fundamentar, ou justificar a posteriori, projectos de resolução, iniciativas legislativas ou meros caprichos eleitoralistas do PSD regional. Custam, em média, mais de 25 mil euros cada e, na generalidade, são encomendados por ajuste directo a juristas da área social-democrata, actuais ou ex-deputados»
, lê-se num despacho de Tolentino de Nóbrega para o Público de ontem, 28.06.2009.



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O AYATOLLAH DA MADEIRA

Jardim não é qualquer xeque
por essas bandas de lá
pois o traste do moleque
é daí o ayatollah

Matreiro, o chico esperto
‘té se julga um talento
e domina, de peito aberto,
seu Conselho d’ Indiscernimento

Ao comando dos tubarões
dita a lei que lh’aprouver
no Conselho dos Guardiões
e mais onde lh’apetecer

C’ord’nador de mullahs
pregador independentista
todos o topam, até por lá,
Como o maior dos arrivistas
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PROSEMA de um “cubano” do “contenente”
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quinta-feira, 25 de junho de 2009

NEDA (“A VOZ”)

"Fotos de Neda distribuídas pela internet: o rosto da repressão contra os manifestantes (Crédito: AFP)"
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«Querida Neda, não tenhas medo...

Neda é o símbolo universal de um movimento imenso e forte de gente que hoje vemos como igual a nós
O que se sabe da jovem de cabelo negro e jeans azuis que morreu no sábado numa rua de Teerão, vítima de uma bala assassina, é que se chamava Neda, que tinha 26 anos, ou 27, que era estudante de Filosofia, que morreu em segundos, nos braços de alguém que lhe pedia para não ter medo. As imagens da sua morte quase irreal são um nó na garganta que não se desfaz. As autoridades quiseram silenciar o seu enterro, como se isso pudesse apagá-las. Aconteça o que acontecer daqui para a frente no Irão, seja qual for o número de vítimas da repressão do regime teocrático ou o número de dias da resistência iraniana, Neda é o símbolo universal de um movimento imenso e forte de gente que ontem talvez ainda olhássemos com a reserva do nosso olhar ocidental e que hoje vemos como igual a nós.»
Texto de Teresa de Sousa, no Público de ontem.
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Um regime teocrático – esta teocracia em concreto – é a negação absoluta dos valores do espírito, de qualquer além, do amor fraterno e da coragem da perfeição, segundo os cânones pregados por qualquer fé.

Não, não são os homens que se iludem. Os homens – certos políticos – optam, mesmo, e abertamente, pelo equívoco.

Como em todos os tempos, as guerras de cariz religioso são as mais ferozes. O que, em absoluto, não daria para entender, ou não foram elas, sempre, lutas encarniçadas pelo poder político, pelo domínio total (na vertical) e o mais globalizante (horizontal) possível. Donde lhes advém essa característica da sua maior ferocidade, atendendo ao sempre cego radicalismo que as move.
E então as vítimas, os entes verdadeiramente livres, tombam numa imolação que poderá tardar a dar frutos.

Agora, em Teerão, caiu Neda – que em persa (farsi) significa “a voz” – a somar a perto de uma vintena de mortos, até há dias.
Neda tombou baleada pela milícia que apoia Ahmadinejad. E a sua morte foi registada e divulgada na rede pela France-Presse associada à VEJA.
No vídeo seguinte vê-se Neda cair de costas de olhos muito abertos, baleada, e, segundos depois, vê-se o sangue jorrar abundantemente, cobrindo-lhe o rosto e o pescoço.



(Fonte: Veja.com de 22.06.2009 com Agência France-Press)

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Em Teerão têm-se contado por milhões as “nedas” que se ouvem, ansiosas por uma democracia que lhes escapa.
Na verdade, e como Teresa de Sousa, naquele artigo, lembrava que Obama tinha afirmado no seu célebre discurso do Cairo, “há valores que não são ocidentais ou muçulmanos, porque são o património de toda a humanidade”, como os mais elementares direitos de opinião e de manifestação, a par da liberdade, educação e outros mais.
A conquista desses direitos tem, por vezes, um preço muito elevado: grandes sacrifícios. E a própria vida, quantas vezes.
Como acabou de acontecer com a jovem Neda.
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quarta-feira, 24 de junho de 2009

DIZ QUE...


I.
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quarta-feira, 24 de Junho de 2009 20:10

Constâncio considera injustificado pessimismo da OCDE
O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, considera inesperado que a OCDE tenha feito uma revisão em baixa das previsões macroeconómicas para Portugal, argumentando que não existem dados mais recentes que a fundamentem.
(…)

Diário Digital / Lusa






NOTA:
Não, o nosso guardião-mor do sistema tem dado sobejas provas de uma acutilante sagacidade, disso não temos qualquer dúvida!



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II.
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quarta-feira, 24 de Junho de 2009 21:20

Ferreira Leite: PM «tentou mas não conseguiu» nova imagem
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, afirmou esta quarta-feira que José Sócrates «tentou mas não conseguiu» mostrar uma nova imagem na entrevista que deu à SIC na semana passada e recusou comentar uma eventual aliança com o PS.
(…)

Diário Digital / Lusa







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NOTA:
Não vamos por o nu a falar do roto. Ambos têm problemas intransponíveis em matéria de imagem.
Quanto à questão da eventual aliança ouvimos, claro, a fábula da raposa e das uvas.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

ABJECTO DIVERTIMENTO

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Deslindado o assunto das fotos "do voo AF 447"...
Não, não se trata de reacção de quem se sentisse enganado, a minha. Porque não foi isso que senti.
É a atitude de quem não aceita ser joguete de energúmenos vermes que brincam com os nobres sentimentos humanos! Que foi o que se passou.
É essa uma acção de seres rasteiros, necrófagos, vis que não aceitamos e repudiamos.

Claro que não me moveu qualquer intuito sensacionalista na publicação da minha última postagem, de há 4 dias.
As muitas horas (milhares) que tenho de voo, sobretudo porque a maioria delas vividas como actor nesse ambiente, marcaram profundamente a minha consciência e sensibilidade a tais trágicas e eventuais realidades, fazendo-me encarar esse meio de transporte com um enorme “respeito”.
Foi isso que me moveu, impressionado.


Esqueci-me, óbvia e momentaneamente, de uma outra realidade de que tenho, também, plena consciência: de que no mundo dos infornautas nem tudo é fiável. Mas essa atitude cautelosa (falível, portanto), não implica que proclame, sem mais, que nesse universo apenas exista “lixo” e “crime”.
O que aconteceu, aqui, foi ter eu, mesmo que com alguma imerecida boa fé, acreditado no, apesar de tudo, possível: a existência de tais fotografias relativamente àquele momento fatídico.
É que nem eram de grande relevância, ou de definitiva irrelevância, para mim (não absolutamente
expert, na matéria, mas nela vagamente entendido), o que visitantes e amigos deixaram como comentário, aqui, e os mesmos ou outros amigos por email

A verdade é que a tragédia aconteceu e alguém, minúscula, abjecta e repelente criatura, decidiu divertir-se com a íntima sensibilidade de seres respeitáveis.
Ignóbil!

Na medida em que o deva, as minhas desculpas pelo facto, a quem visitou este sítio.

Às vítimas do terrível evento o meu repetido sentir de respeito, e que um qualquer nirvana, em que em vida tenham posto esperança, lhes tenha de algum modo servido de lenitivo.

Ao verme rastejante e indigno ser humano autor do divertimento: o “inferno” na sua mais insuportável e degradante expressão!

E ponto final.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

O DRAMA DO VOO AF 447/31.05.2009

protótipo do avião acidentado

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Creio que circulam no ciberespaço as duas fotos que se seguem.
Recebi-as como anexo a um mail que, tudo indica, corre com o texto original (em inglês) de quem junta as fotos.
Trata-se, segundo o relato do remetente original, de duas fotos tiradas por um dos ocupantes do avião da Air France recentemente sinistrado no trajecto entre o Rio e Paris, na madrugada da Segunda-feira dia 1 deste mês, com 216 passageiros e 12 tripulantes.
Segundo o remetente original do mail as duas fotos terão sido tiradas apenas uns segundos depois de ter caído a cauda do avião. Ou seja, imediatamente após (eventual) impacto ou colisão e a queda do aparelho. E mais refere ele que elas fazem parte do cartão de memória de uma Casio digital Z750 encontrada destruída entre destroços do avião localizados na Serra do Cachimbo, no Norte do Brasil, situada numa área que abrange o Sul do estado do Pará, o Norte do estado de Mato Grosso, numa zona de transição entre a Amazónia e a savana.
(Segundo o mesmo relato o dono da máquina fotográfica terá sido identificado, referindo o seu nome, designadamente).
As duas fotos deixam ver nitidamente o enorme rombo da fuselagem do avião e na segunda distingue-se, perfeitamente, uma pessoa a ser sugada para fora do aparelho.
Imagens, sem dúvida impressionantes e, provavelmente, únicas.
E dramáticas!
Aqui fica o meu (nosso, estou certo de poder assumir) respeitoso preito às 228 vítimas deste brutal acidente.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

DITOSA PÁTRIA E UNIÃO EUROPEIA

Mirek Topolánek no Parlamento Europeu
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Ladies and Gentlemen!
Monsieurs, Dames!
Senhoras e Cavalheiros!

Tenho a subida honra e o singular privilégio de vos apresentar Mirek Topolánek, Primeiro-Ministro checo e Presidente em exercício do Conselho da União Europeia!
Eis, pois, Senhoras e Senhores, a modelar personalidade que honra e prestigia os cargos que desempenha e por quem todos temos o orgulho de ser representados!
Eis, enfim, no pequeno vídeo a seguir, o símbolo do democrata e do líder que superiormente dirige os nossos destinos, do modelo de urbanidade, de civismo e de boas maneiras e de outras virtudes que podemos apontar como exemplo aos nossos filhos!

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A causa próxima desta cena inédita e impensável numa Europa do século XXI está na desolação do primeiro-ministro checo com os resultados da Saúde no seu país e que reagiu desta forma sobre o responsável da respectiva pasta.
Mirek Topolánek renunciou, entretanto e formalmente, ao cargo na Quinta-feira, 26 de Março de 2009, dois dias depois da aprovação de uma moção de censura contra seu governo pelo Parlamento do país, por má gestão e agravamento da crise económica.
Topolánek exercia a presidência rotativa do Conselho Europeu, e se internamente a sua liderança mereceu o prémio que acabámos de ver, a nível da EU, no mesmo momento, "o balanço da presidência checa é desastroso", segundo os analistas.
Porém, o censurado avisou, na altura, a oposição de que será candidato à própria sucessão e assegurou que não abandonará a presidência da EU.

Ditosa Pátria e União que tais filhos gera!
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

ARTE

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Se há conceito de difícil e subjectiva definição, creio que esse é o de arte.

Como a que se segue, e com idêntica previsibilidade, tantas seriam as experiências que poderíamos trazer para o confirmar.

Mas veja-se esta… Muito bem “apanhada”!

E note-se que eu não acho nenhuma
boutade a atitude da educadora infantil, nem nenhuma manifestação censurável a “leitura” dos visitantes…

A questão está, penso, na extraordinária dificuldade em definir-se tais “manifestações artísticas”. Sobretudo se “no escuro”, como aqui acontece (já que não há o mais ligeiro elemento sobre o “artista”)

A verdade é que o intérprete põe muito de si na sua leitura, donde, talvez, o “galope” de certas interpretações!...

video

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terça-feira, 16 de junho de 2009

OS PULMÕES DO MUNDO

Mapa da ecoregião da Amazónia
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A Amazónia, definida pela bacia do rio Amazonas e coberta em grande parte por floresta tropical (uma das três grandes florestas tropicais do mundo), é um dos principais pulmões do nosso planeta. E 60% da sua área encontra-se em território brasileiro.
O Amazonas, o rio de maior caudal e extensão (6.937,08 km) do mundo, tem sua origem na nascente do rio Apurímac (nome que o Amazonas toma logo que acaba de nascer) no alto da parte ocidental da cordilheira dos Andes, no lago Lauri, no Sul do Peru, estende-se por nove países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela, em cujos territórios toma diferentes nomes) e desagua no Oceano Atlântico junto ao rio Tocantins no grande Delta do Amazonas, no Norte brasileiro.
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Mapa da bacia hidrográfica do Amazonas no Brasil

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O Amazonas é, assim, o rio com a maior bacia hidrográfica do mundo, ultrapassando os 7 milhões de km², grande parte deles de selva tropical. A área coberta por água no Rio Amazonas e seus afluentes mais do que triplica durante as estações do ano. Em média, na estação seca, 110.000km² estão submersas, enquanto que na estação das chuvas essa área chega a ser de 350.000 km². No seu ponto mais largo atinge na época seca 11km de largura, que se transformam em 45 e mais quilómetros na estação das chuvas (o que, por efeito da curvatura da superfície da Terra, impede, por vezes, que de uma margem se possa avistar a outra). A largura média do rio é de 5 quilómetros. No ponto onde o rio mais se aperta – o chamado "Estreito de Óbidos" – a largura diminui para um quilómetro e meio e a profundidade chega a 100 m.
Outra particularidade do Amazonas é a de ele (e afluentes) se situar quer no hemisfério Norte quer no Sul o que lhe permite beneficiar de dois períodos de chuvas, com as imagináveis consequências para a sua torrente.

Se a imaginária máquina de fazer chouriços (entrada do porco dum lado, saída dos enchidos do outro) nunca passou duma fantasia, a máquina de que a seguir se mostra a altíssima performance é pura realidade: um único homem aos comandos dessa máquina infernal substitui vários outros e, num ápice, corta cerce uma árvore, limpa-a de galhos, ramos e casca desnecessários e corta-a em toros à medida desejada. Tudo num abrir e fechar de olhos, repito.

É a máquina ajustada à ganância predadora dos madeireiros e empresários que pretendem, à custa de todas as regras ecológicas, impor a lei (exacto: falo de legislação elaborada pelos seus capatazes que se encontram nos parlamentos e nos governos da área) do lucro através do cada vez maior desmatamento florestal, em benefício das indústrias extractivas e de outras indústrias ou actividades bem mais rentáveis.

Melhor que ninguém, conhecem os veteranos indígenas o que interessa fazer em benefício da terra e do ambiente.
Donde os reiterados e pacíficos protestos e acções condizentes apoiadas pelos ecologistas, como neste momento acontece na Amazónia Peruana, relativamente ao respectivo presidente Alan García Pérez que, recentemente, reagiu a tais protestos, com vista a sustar legislação atentatória do meio ambiente, com o envio de forças especiais para os suprimir, gerando conflitos violentos. Ah, bom, e chamando, claro, os manifestantes de terroristas. Como não podia deixar de ser e os senhores bilderberguianos donos do mundo exigem.
É claro que “se o governo e as indústrias extractivas (entre elas gigantes do petróleo e gás como a empresa Anglo-Francesa Perenco e as Norte Americanas Conoco Phillips e Talisman Energy) vencerem, a Amazónia Peruana e o seu povo irão sofrer com o desmatamento em larga escala acarretando graves consequências para o clima global”, além dum dramático impacto nos povos nativos da floresta (conforme se pode ler numa petição que, neste momento, recolhe assinaturas em todo o Mundo).
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Bom, mas antes da apresentação do vídeo com a máquina devoradora da floresta, deixo uma curta animação sobre o respectivo problema ecológico.
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Salvem o Planeta
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A máquina devoradora da floresta
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(Os dados geográficos foram recolhidos na Wikipédia)
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

HOME... AGAIN

Sim, porque nunca é de mais alertar para a tragédia que se adivinha e porque vai sendo tempo de tomar consciência desta matéria e arrepiar caminho.

Clique, pois, em Terra, depois clique no 6º botão (download), de seguida em Microsoft Powerpoint e por fim em abrir.

Depois deixe correr os diapositivos. Não clique mais.

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domingo, 14 de junho de 2009

FUN BRAKE



A photo like this just doesn't come along every day!
One of the reasons Mummy wont let him be king ...
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Recebido, tal qual...
Funny (?!...)
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quarta-feira, 10 de junho de 2009

HOME… BY THE WAY



Dois dias depois de HOME O Mundo é a nossa casa (SG 08), e muito a propósito, temos hoje o Pálido Ponto Azul.

Vemos aqui a Terra – aquele minúsculo ponto assinalado no círculo em azul, no meio de um raio solar – numa fotografia tirada a 14 de Fevereiro de 1990, pela sonda Voyager 1, dos confins do Sistema Solar, a uma distância de 6.4 mil milhões de quilómetros.


Voyager 1 é uma sonda espacial que
em 21 de Janeiro de 2005
completou dez mil dias de actividade,
desde que foi lançada
a 5 de Setembro de 1977 pela NASA

Eu, com uma formação académica mais virada para as letras que para os algarismos, para as palavras que para os números, para as expressões linguísticas que para as numéricas, mas atrevido no reino destas, fico perplexo com o que imagino aproximar-se – creio – da realidade (ainda que em termos um pouco grosseiros, calculo): aquela distância equivalerá, mais ou menos, a 160 mil voltas à Terra (ao perímetro do equador, que é de 40 076 Km). E para melhor avaliação, à nossa escala, aquela distância equivaleria a uma viagem que demoraria, feita de avião e a uma média de 800 Km/h, mas sem parança, um pouco mais de 875 anos!

Foi por sugestão de Carl Sagan que esta foto, como tantas mais, foi tirada.
Como são palavras suas o texto do vídeo apresentado abaixo com o mesmo título da sua obra de que foram extraídas: Pálido Ponto Azul (Pale Blue Dot, 1994).

Carl Edward Sagan (Nova Iorque, 9 de Novembro de 1934 — Seattle, 20 de Dezembro de 1996) foi um cientista e astrónomo norte-americano e um excelente divulgador da ciência (considerado por muitos o maior divulgador da ciência que o mundo já conheceu).
Uma mielodisplasia (rara e grave doença na medula óssea), seguida de uma pneumonia, puseram termo à sua passagem por este pálido ponto azul, com apenas 62 anos, perdendo a ciência um seu importante e grande defensor, divulgador e incentivador na actualidade.

Algo provoca a nossa revolta contra o Grande Artífice
(tenha ele a designação que tiver): homens destes,
que nem parecem ter tido berço neste mundo,
antes num qualquer Olimpo, apagam-se cedo.
Mas os corruptos, ditadores e outros criminosos
e ou sanguinários vermes de hominídea figura
têm uma longevidade invejável!

Aceite, então, o convite e vogue no espaço observando a nossa pequenez (tão contrastante com a soberba de alguns) ouvindo as palavras do inesquecível astrónomo

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(Fonte dos dados biográficos e científicos: Wikipédia)

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terça-feira, 9 de junho de 2009

"EN TUS BRAZOS"

Trago, desta vez, a estória trágica dum ícone do tango dos anos 20, Jorge Moreno, que um acidente fatídico terá atirado para uma cadeira de rodas, paraplégico. Recordado o evento estava encontrado o argumento para a animação produzida em 2005 por François-Xavier Goby, Matthieu Landour e Edouard Jouret e que eles apresentaram nos principais festivais de animação.
O peso da tragédia está subjacente ao clip, mas é suplantado pelo amor (“don’t stop, hold me tight!”), por rara beleza e por uma sempre presente carga de sensualidade.

Animação brilhante nos pormenores como os jogos de luzes e de reflexos, nos hábeis e quase imperceptíveis movimentos da câmara, na forma como regista as emoções das personagens. Depois veja-se como os autores recriam autênticos cenários
art nouveau e como daquele jogo de luzes e reflexos resultam fotos “envelhecidas”, monocromáticas (quase sépia) com ténues sublinhados a cores…

Trata-se de uma obra singular no domínio artístico, em matéria de beleza e sensualidade, no âmbito de uma técnica de resultados surpreendentes.

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

HOME




São cada vez mais instantes e cada vez mais dramáticos os apelos à ponderação do quanto o Homem tem contribuído para a sua própria extinção da face da Terra.

Desta vez trago um recentíssimo filme-documentário da autoria do realizador francês Yann Arthus-Bertrand, feito expressamente para este último Dia Mundial do Ambiente (05.06.09).

São praticamente duas horas de tensa reflexão já que o filme «é constituído por paisagens aéreas do mundo inteiro e pretende sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade de alterar modos e hábitos de vida a fim de evitar uma catástrofe ecológica planetária».

Aí fica então
HOME O MUNDO É A NOSSA CASA para ver de uma assentada ou aos poucos, consoante a disponibilidade de cada um.


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domingo, 7 de junho de 2009

O MEGAFONE DO PROTESTO

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Com o acto eleitoral de hoje, a voz do protesto assumiu expressão política iniludível.
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O resultado desta eleição poderia (poderá) dar lugar a um extenso discurso.
Mas esse longo remoer da matéria, essa demorada análise, esse pesar sereno e sério e responsável das circunstâncias e dos respectivos resultados é da particular competência dos analistas e dos políticos. Porque o que hoje se passou foi, numa síntese irrecusável, que a voz do protesto se fez ouvir da forma a que a democracia dá prevalência e especial relevo. Aliás, voz de protesto e generalizada contestação que se vinha sentindo já há algum tempo e a que os destinatários faziam orelhas moucas.
Tenho dúvida de que a equipa que nos governa tenha capacidade de tirar as lições que gente sensata e responsável tem obrigação de tirar.
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E qual foi a reacção, esta noite, do primeiro-ministro? Considerou «decepcionantes» os resultados desta eleição… Mas que «o Governo vai manter a sua linha de rumo».
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À bon entendeur…

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

O LAGO DOS CISNES

A estreia, no Teatro Bolshoi, em 20.02.1877, de O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, foi um enorme fracasso. Não pela composição do autor mas pela coreografia e pela fraca interpretação quer da orquestra quer dos bailarinos...

O lago dos cisnes aqui interpretado pelo ballet acrobático da china, Guangdong Acrobatic Troupe, que desde 2006 tem feito apresentações em vários países da Europa com enorme sucesso, tem como estrelas e cabeças de cartaz a nossa já conhecida primeira-bailarina Wu Zhengdan e seu parceiro, Wei Baohua.

Foi a ex-Directora do Ballet da Ópera de Paris, Claude Bessy, quem no-los apresentou em
vídeo passado antes neste sítio, registando os maiores encómios a Wu Zhengdan, sobretudo.

É outro soberbo e ímpar espectáculo onde de novo a técnica e a arte se casam numa minuciosa precisão e rara beleza!
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quarta-feira, 3 de junho de 2009

FUN BRAKE

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Correm aos milhares, as anedotas sobre as loiras: algumas, com uma pitada de graça. Outras, em que mesmo a pitada é frouxa.

Mas boa, boa, mesmo – estamos no domínio do puro anedotário, não esquecer – foi uma que me chegou há dias.
E que deixo aqui, em versão corrigida e aumentada.
Esta, sim, está de morte!



O ventríloquo

Um jovem ventríloquo estava a fazer um espectáculo num bar de uma cidade da província. Estava a exibir o repertório habitual sobre a burrice das loiras, quando uma desenvolta loiraça sentada na quarta mesa da segunda fila não resistiu mais, se levantou e disse:
- Já ouvi o suficiente das suas piadas a denegrir as loiras, seu idiota. Não serão, por acaso, loiras a sua mãe, talvez a sua irmã, quem sabe algumas amiguinhas suas... E são estúpidas todas? São? E as que o forem é por serem loiras que o são? O que é que o faz pensar que pode estereotipar as mulheres dessa maneira? Acaso estará lembrado de tantas mulheres que se distinguiram e distinguem nas ciências, na Filosofia, nas artes, na política, nas mais diversas profissões onde a inteligência e a pronta e sensata capacidade de decidir e agir são uma exigência constante e que, muitas delas ainda foram capazes - oh, cúmulo do alto e devido apreço pelas mulheres! - de ser boas donas de casa, boas mães e boas esposas, não obstante muitas delas serem loiras? Estará você, seu mini-bestunto anquilosado, esquecido dos estigmas torpes e mesquinhos com que a sociedade medieval, como aquela de que você só pode ter provindo, impôs às mulheres, tanto morenas como loiras? Será preciso lembrar-lhe, porventura, seu ignorantezinho, a secular luta da mulher, fosse ela loira ou morena, natural ou oxigenada, que lhe granjeou o reconhecimento da sua capacidade e da sua inteligência não obstante a perseguição dos despotismos machistas inconsequentes como o seu, seu ínfimo petulante? Saberá, criaturinha desprezível, que quando as forças universais fizeram o mundo não discriminaram ninguém, fosse homem ou mulher, branco ou de cor, fosse loiro ou moreno? É agora, na era das tecnologias e da robótica, quando já estamos para além do futuro, que você, seu pigmeu, seu ignorante e atrevido vai continuar com as baboseiras ultrapassadas e sem sentido de anatematizar as loiras como se a cor dos cabelos da mulher fossem um atributo intrínseco da sua personalidade? O que é que têm a ver os atributos físicos de uma pessoa com o seu valor como ser humano? São homens como você que impedem que mulheres sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, o que nos impede de alcançar o pleno potencial como pessoa.
Por sua causa e por causa das pessoas da sua mísera espécie perpetua-se a discriminação não só contra as loiras, mas contra as mulheres em geral... Bahhhh!!! E tudo em nome do humor!!! Seu cretino!

Confuso e muito encabulado, o ventríloquo ouviu tudo completamente atónito, ruborizado, primeiro, lívido, depois, vexado sempre… Nunca imaginou que o espectáculo produzisse uma reacção semelhante… Não sabia bem que dizer… A perplexidade como que lhe garroteava a garganta… Um nó não lhe permitia
ordenar ideias, numa defesa frouxa, mas numa defesa…
E, sem jeito, nervosíssimo, começou a pedir desculpa à loira que acabara de o atingir com tão duras palavras e juízos...

Mas a loira, seguríssima de si, interrompe de imediato:

- O senhor não se meta. Não estou a falar consigo, embora acredite que seja da mesma laia. Estou a falar é com esse rapazinho que está sentado ao seu colo!!! Com esse idiotazinho!

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terça-feira, 2 de junho de 2009

«AMAZING GRACE»

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Amazing Grace é um conhecido hino cristão composto pelo inglês John Newton e foi impresso pela primeira vez no Newton's Olney Hymns (1779).
Depois de um curto tempo na Marinha Real, John Newton iniciou sua carreira como traficante de escravos, por volta de 1750.
A vida de um comandante de navio negreiro era uma lucrativa rotina: demandar as costas africanas onde os «chefes tribais entregavam aos europeus as "cargas" de homens e mulheres, capturados nas invasões e nas guerras entre tribos. Os compradores seleccionavam os espécimes “mais finos” dando em troca armas, munições, licores e tecidos. Os cativos seriam trazidos então a bordo e “preparados” para o transporte».

Preparados? Vejamos como: eram acorrentados no convés para impedir suicídios e colocados lado a lado para aproveitar espaço, fila após fila, até que a embarcação estivesse "carregada", normalmente até 600 "unidades" de carga humana.
Iniciava-se, então, a viagem através do Atlântico.
«Os capitães procuraram fazer uma viagem rápida esperando preservar ao máximo a sua carga, contudo a taxa de mortalidade era alta, normalmente 20% ou mais. Quando um surto de disenteria ou qualquer outra doença ocorria, os doentes eram atirados ao mar. Uma vez chegados ao Novo Mundo, os negros eram negociados por açúcar e melaço que os navios carregavam para Inglaterra no pé final de seu "comércio triangular."»
John Newton transportou muitas cargas de escravos africanos trazidos à América no século XVIII. Numa das suas viagens, o navio enfrentou uma enorme tempestade e naufragou. Sobrevivendo a esta sua última viagem, afortunadamente, o capitão converteu-se ao cristianismo e dedicou o resto da sua vida à pregação e à contemplação mística, momentos estes em que compôs muitos dos seus hinos religiosos, de entre eles, este:

Amazing Grace

Amazing grace, how sweet the sound

That sav’d a wretch like me!
I once was lost, but now am found,
Was blind, but now I see.

’Twas grace that taught my heart to fear,

And grace my fears reliev’d;
How precious did that grace appear,
The hour I first believ’d!

Thro’ many dangers, toils and snares,

I have already come;
’Tis grace has brought me safe thus far,
And grace will lead me home.

The Lord has promis’d good to me,

His word my hope secures;
He will my shield and portion be,
As long as life endures.

Yes, when this flesh and heart shall fail,

And mortal life shall cease;
I shall possess, within the veil,
A life of joy and peace.

The earth shall soon dissolve like snow,

The sun forbear to shine;
But God, who call’d me here below,
Will be forever mine.

Esta versão é que consta como sendo a original (John New­ton, Ol­ney Hymns -Lon­don: W. Ol­i­ver, 1779)
(Fonte: além da wikipédia, uma versão dos factos que repetidamente surge integralmente copiada de blogue em blogue, mas de que se desconhece a autoria. Quanto à veracidade… Mais fantasia, menos palavra, a situação não devia andar muito longe desta descrição.)

De notar que de carradas sucessivas desta “mercadoria” é que resultou a grande massa de negritude das colónias e posteriormente Estados do Sul dos EEUU. Donde, por sua vez, a Guerra Civil Americana/Guerra de Secessão (1861/65).
A propósito: (…) “guerra civil na qual o número de baixas americanas foi maior do que a soma de todas as baixas americanas sofridas em todas as outras guerras na qual os Estados Unidos se envolveram, desde sua independência, até à actual Guerra contra o Iraque.”
(wiki)




Il Divo
Da esq para a dir: Urs Bühler, Sebastien Izambard, David Miller e Carlos Marin
.
A ideia da criação do Il Divo surgiu após o empresário musical britânico, e conhecido jurado dos programas de televisão "Britain's Got Talent", Simon Cowell (n. 1959) ter ouvido, em 2001, a interpretação de Andrea Bocelli e Sarah Brightman da famosa balada italiana “Con te partirò”. Isso fê-lo reconhecer novas potencialidades para vozes líricas e de música clássica decidindo formar um quarteto vocal multinacional de ópera-pop sob os auspícios da Sony-BMG.
A busca conduzida por Cowell para recrutar jovens cantores para o seu projecto Il Divo ficou concluída em Dezembro de 2003 com a assinatura do quarto membro da banda, o americano David Miller.
Então, e seguindo a sequência da imagem, ficaram a constituir o quarteto:
o tenor suíço Urs Bühler (n. 1971), o cantor pop francês Sebastien Izambard (n. 1973), o tenor americano David Miller (n. 1973) e o barítono espanhol Carlos Marin (n. 1968).

Segundo se crê, foram encontradas diferentes versões deste hino religioso. E, na verdade, a versão interpretada pelos Il Divo é um pouco diferente da acima transcrita que consta da Wikipédia, atribuída ao converso traficante de escravos negros.
A versão do hino interpretada pelos Il Divo é a seguinte (e serve, aqui, de guião para acompanhar a respectiva performance)

[Canta Sebastião]
Amazing Grace, how sweet the sound,

That saved a wretch like me.
I once was lost but now am found,
Was blind, but now I see.

[canta David, com um coro de fundo, de Urs e Carlos]
T'was Grace that taught
my heart to fear.
And Grace, my fears relieved.
How precious did that Grace appear
The hour I first believed.

[canta Urs, com fundo de música e coros]
Through many dangers, toils and snares

I have already come;
'Tis Grace that brought me safe thus far
and Grace will lead me home.

[cantam os quarto, mas com a voz de Carlos a sobressair]
When we've been here ten thousand years

Bright shining as the sun.
We've no less days to sing God's praise
Than when we've first begun.

[canta, de novo, Sebastião, agora acompanhado pelos outros três em fundo]
Amazing Grace, how sweet the sound,
That saved a wretch like me.
I once was lost but now am found,
Was blind, but now I see.

Há uma estrofe que consta da versão referida atrás, da Wikipédia, e de uma outra que encontrei na rede, mas que não consta desta interpretada por Il Divo. E reza assim:

The Lord has promis’d good to me,

His word my hope secures;
He will my shield and portion be,
As long as life endures.

Esta foi a diferença maior que encontrei, para além de outras de menor expressão (trocas de formas verbais: no singular, numas, enquanto que no plural noutras, ou vice-versa)

Siga, então, e veja quanta serenidade e suavidade, por um lado. Mas por outro, a qualidade excepcional do quarteto. O seu desempenho perfeito e brilhante. As vozes extraordinárias, poderosas de um “conjunto assumidamente romântico”.
Assista a esta espectacular interpretação do conhecidíssimo hino



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segunda-feira, 1 de junho de 2009

AS CRIANÇAS

aos meus netos
e às mais crianças
.
.
Não me lembro que Pessoa,
se Campos, Reis ou Caeiro,
proclamou p’r’o mundo inteiro
com tanta, tamanha esp’rança
que no globo todo ecoa,
que o melhor são as crianças

Espontâneas,
inocentes,
libertas de preconceitos,
puras, de pensamento
livre e escorreito
e cheio d’encantamento,
são sãs, crentes
e de modos consentâneos.

Porque esperamos d’antanho o exemplo
e avaliamos dos grandes a acção?

Sigamos, delas, a lição
E o seu contentamento!


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PROSEMA
.
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