sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O ESTILO "PAROLO-FÚNEBRE" NO SEU AUGE




«Quando passar numa das principais artérias da cidade de Lamego, não vai precisar de muita atenção para esbarrar numa original placa. Não se trata de um escritório de advogado, ou um consultório médico, nem mesmo de um gabinete de contabilidade, mas sim da novíssima profissão liberal de, imagine lá... deputado!! A mediocridade não enxerga além de si mesma, já dizia Doyle e, antigamente este tipo de pessoas recebiam apropriado adjectivo mas hoje, ainda que tal aconteça pouco lhes importa... já perderam a noção do ridículo e a vergonha!» (lê-se em múltiplos emails que circularam na net).


Confirmei a história no Público, edição online de há semanas, mais precisamente de 28.09.2010, numa local da jornalista Sandra Ferreira. Artigo a que, na net, só têm acesso os assinantes do mencionado tipo de edição desse jornal (meu caso), e que aqui acompanho.

Aí se refere a onda caricata, lerda e ridícula que, acerca de tal placa, enxameou os jornais locais, a Internet, a blogosfera e até o Facebook! É aí, em todos esses meios de comunicação, que se diz ter o assunto sido tratado como sendo de estilo "parolo-fúnebre" – lê-se naquele diário.

O pobre do deputado, de comprovado gosto mais que duvidoso, ficou apavorado, imagino, pois considera (lê-se no mesmo periódico) e lamenta que foi alvo de um "ataque feroz".

Pudera! Pois se o sujeito não se enxerga…

Na sequência dessa “algazarra” de farto gozo, o sr deputado resolveu substituir a placa por uma outra onde apenas consta o seu nome.

Deixando assim à imaginação de cada um o atributo ou a função que se presume dever acrescentar-se ao nome. (Nalguns casos essa imaginação deve traduzir-se em termos muito curiosos e piadéticos).

Se o estilo “parolo-fúnebre” pagasse imposto, só por este caso o fisco não apuraria grande soma (a menos que aquele fosse – como deveria ser – muito elevado).

Mas não. Os casos repetem-se em número tão elevado que, mesmo em valor mais modesto, o referido imposto constituiria uma riquíssima receita.

Num país, como o nosso, de raízes e tradições cristãs, este gozo da populaça traduz um fraco pendor de caridade!...

Ou, noutra perspectiva, independentemente de tais raízes e tradições, nem é tanto o estilo provinciano que é motivo do comentário mordaz e de gozação, mas o bacoco e pacóvio…

Paz ao seu espírito! (Embora a não mereça por mor da sua petulância, conquanto saloia!)




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A DESMONTAGEM DE UM MITO

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Quem leu o meu post de ontem, acerca de Cavaco, na sequência da sua declaração de recandidatura, e tenha lido, no Expresso.pt, do dia anterior, o Artigo de Daniel Oliveira, OS CINCO CAVACOS, há-de ter pensado que, de alguma maneira, e em parte, eu também o tinha lido.
Não é que tivesse alguma importância, se isso tivesse acontecido: batemos, ambos, nalgumas mesmas teclas, sem que haja plágio da minha parte, e sendo a música, em geral, outra.
Mas, por acaso, não costumo ler o Expresso.pt, como também o não li no dia 26. (Aliás, também o não costumo ler - nem comprar, claro - na versão impressa.)
O artigo, que merece figurar no Apostila – porque é um bom trabalho e representa uma época – recebi-o por e-mail.

Insisto que é muito bom este trabalho de Daniel Oliveira que faz a desmontagem (o que eu, igualmente, pretendi com o meu post de ontem) do mito Cavaco com muito maior desenvolvimento, qualidade e acutilância do que o meu post. Em vez de desmontagem dum mito, em boa verdade, mas de forma menos soft, eu diria, antes, desmontagem de um tremendo bleuf


A descrição de cada Cavaco está muito bem feita. E então a frase com que ele fecha o artigo é tão arrasadora como verdadeira.

Veja, pois, no Apostila OS CINCO CAVACOS.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

RESOLVIDO O TABU, EIS A ENORME SURPRESA!

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Como logo se vê, e a imagem ilustra, só após tremendamente difícil e "profunda reflexão"…

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Finalmente o tabu foi quebrado. Estávamos todos ansiosos por saber se Cavaco ia recandidatar-se ou não. Toda a gente vivia numa tremenda ansiedade há espera de desfazer essa dúvida.
Então não é que, para enormíssima surpresa de todo o mundo, o actual presidente decidiu recandidatar-se? Mas não foi decisão fácil. Muito menos já decidida… Não. Foi na sequência de uma “profunda reflexão”.

Daí a enorme e inesperada (passe a tautologia) surpresa!

Definitivamente não têm, a generalidade dos nossos políticos, até o sorumbático presidente, a mínima noção do ridículo. Também ele nos tratou, ontem, nessa declaração, como totós e imbecis.
“Profunda reflexão”, imagine-se!

Vamos ver, agora, se se confirma ou não que a memória do povo é muito fraca e que o povo português, muito calejado, esquece, de novo, coisas que devia ter bem presentes.

Cavaco foi ministro das Finanças e depois primeiro-ministro durante 10 anos. E Presidente no decurso dos últimos 5.

É, pois, embora lhe não convenha que disso se fale, um dos responsáveis pela situação em que nos encontramos.
Foi durante o seu longo consulado de chefia do Governo que houve, à fartazana, distribuições de facilidades e benesses à função pública (com natural projecção no sector privado), muito para além do que seria justo e razoável, não tendo tido o cuidado de calcular (conforme a sua formação académica e um normal senso aconselham) que a seguir ao tempo das vacas gordas do seu mandato, poderia surgir, como aconteceu, o tempo das vacas magríssimas. E que essas gordas ofertas viriam a tornar-se insuportáveis?

O sector público não ambicionava mais que a melhoria de situação que já era vivida no sector privado. Mas não, o chefe do governo, Cavaco, não se restringiu à reclamada e justíssima paridade. Pelo contrário, alargou-a, enchendo os bolsos dos funcionários para além do expectável.
Depois… Bem, depois de uma política de mãos rotas em que começaram os institutos públicos, as empresas municipais, as fundações, sei lá que mais, a multiplicar-se como cogumelos… é o que hoje se vê.

Pensará o Presidente que pode lavar as mãos desta situação?

Esquecerá o povo tudo isto e será capaz de o eleger, de novo, como um salvador da Pátria?

Esperemos um sopro de sanidade mental dos eleitores e que tal não aconteça.
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Três pequenas notas finais:
- Recusei-me a acreditar que Eanes tenha dado cobertura a esta farsa…
Mas parece que deu mesmo!
- Cavaco garantiu ir fazer a campanha mais barata… Desde agora, esqueceu-se de acrescentar. Não contando com a feita até agora, encapotada no exercício do seu cargo.
- E o continuado exercício do mandato, a partir de agora, dispensa-o bem de grandes gastos… Obviamente!

E uma derradeira conclusão, na sequência daquelas duas últimas notas:
Mais uma vez o presidente, agora também candidato, quis fazer de nós uns atrasados mentais…

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

A ESQUERDA E O ORÇAMENTO, EM SÍNTESE


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a entrega da pen com o OE

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O OE que, na opinião de Medina Carreira, certifica que “estamos a caminhar para uma tragédia do Estado social”, é assim, e em síntese, avaliado pela esquerda:

Medidas de austeridades “são uma descida aos infernos”, avisa José Manuel Pureza (do BE)

Francisco Lopes (candidato do PCP às próximas presidenciais), que já demonstrou saber mais do que de disjuntores, lâmpadas e fusíveis, considera aprovação do Orçamento "uma tragédia para o país".

Ana Gomes (da ala esquerda do PS – por vezes, e por alguns, preconceituosa e precipitadamente mal avaliada, mas de uma genuína seriedade e verticalidade), em declarações à Antena 1, acusa o Governo de “insensibilidade social”, afirmando que a sua proposta de Orçamento do Estado para 2011 é “injusta na partilha dos sacrifícios”, pelo que espera que as negociações com os partidos, nomeadamente com o PSD, leve à correcção das situações que prejudicam os portugueses com rendimentos mais baixos e os desempregados.

Numa outra circunstância, ainda a respeito do Orçamento, mas agora em declarações à Lusa, insiste Ana Gomes: "Não aceito que a banca não seja mais taxada" e critica o esforço que é pedido aos portugueses, insistindo não aceitar que "a banca e tudo o que tenha a ver com mais-valias e transacções financeiras não sejam mais taxadas em benefício do Estado numa situação de emergência como é esta". Pouco depois, conclui: "é difícil aceitar que famílias de recursos mais baixos ou medianos tenham que fazer um esforço superior àquele que se exige aos mais ricos, nomeadamente a banca e outras instituições" que não estão sujeitas a uma tributação mais alta em prol do estado.

Apresento uma síntese mais desenvolvida da opinião de Ana Gomes
porque muita gente pensa que, no PS, todos afinam pelo diapasão
do governo.
O que acontece é que a política deste PS deste governo não confere
com a opinião da generalidade do partido.
Falo de Ana Gomes por ser um dos mais conhecidos elementos
desse partido; melhor dito, da ala esquerda dele.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A TAP NÃO VIVE DO ERÁRIO, ANTES CONTRIBUI PARA ELE

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Os mass media e a blogoesfera têm trazido, de há tempos a esta parte, muitas situações relacionadas com “fardos” suportados indevida ou injustamente ou para além do razoável por parte do erário público - ou dos contribuintes, que é o mesmo.
Muitos deles denunciando casos que correspondem, em boa verdade, a situações como as que se acaba de referir, que merecem denúncia e o nosso repúdio. Mas, entretanto, insistindo noutros que, por razões certamente inconfessáveis ou de inadmissível ignorância, não cabem naquele rol. É o caso de repetirem, à exaustão, que, nessa enumeração cabe a TAP. E, como se sabe, desde todos os tempos, uma mentira muitas vezes repetida acaba por, na prática, se tornar numa “verdade”.

Independentemente disso (ou talvez não) é mesmo muito vulgar as pessoas pensarem que a TAP vive à custa do Estado.

Ora manda a verdade que se esclareça – e a companhia fê-lo através do seu porta-voz – que a TAP há 13 anos que não recebe nada do Estado.
Mesmo as chamadas "indemnizações compensatórias", aplicadas no âmbito do serviço público às Regiões Autónomas, são ajudas aos respectivos residentes, não às correspondentes companhias operadoras.

Assim, e em abono da mesma verdade, deve esclarecer-se que a TAP não só não recebe nada dos contribuintes como, bem pelo contrário, “contribui muito positivamente para as finanças públicas” já que “gera todos os anos uma apreciável receita líquida para os cofres públicos”. Senão, veja-se: “Só em 2009 foram [entregues ao Estado] 198.734.297,5 euros, relativos a impostos e contribuições para a Segurança Social.”

Esta, sim, é a informação correcta e verdadeira.
Reponham-se, portanto, os pontos nos ii, e não se envenene a opinião pública neste ponto, fazendo justiça a uma das empresas portuguesas com mais prestígio nacional e internacional.
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(Ex-empregado TAP, hoje reformado, sou do tempo em que se “vestia a camisola” da companhia e se contribuía para a sua boa imagem. Daí o fazer aqui eco de uma elementar ética relativamente à mesma empresa.)
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UMA VIRTUALIDADE CADA VEZ MENOS VIRTUAL

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Galáxia encontrada pelo Hubble é o mais distante objecto já visto.
Estudar estas galáxias primordiais é extremamente difícil.
Embora originalmente brilhante, a sua luz já está muito ténue quando chega à Terra.
[Imagem: NASA, ESA, G. Illingworth/HUDF09 Team]
Com informações do ESO (Observatório Europeu do Sul) - 21/10/2010

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Não há muitos anos atrás, seria impensável uma notícia destas:

«Invulgar
ONU tem embaixadora para comunicar com extraterrestres
Diário Económico 28/09/10 13:57

A ONU vai nomear uma embaixadora para o Espaço para coordenar a resposta da Humanidade na eventualidade de um contacto alienígena.
Esta missão será confiada à astrofísica malaia Mazlan Othman, que na próxima semana irá explicar as suas competências, numa conferência, em Inglaterra.
Este novo cargo surge depois de terem sido descobertos um grande número de planetas que orbitam estrelas, o que aumenta a possibilidade de um contacto extra-terrestre.»
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Galáxias “apaixonadas” (web)
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Com esta evolução… que mais poderemos esperar? Muitas mais notícias deste jaez: hoje inesperadas… Sei lá: por exemplo os tais contactos com alienígenas, exploração de novos mundos, estudo e implementação de formas de comunicação com eles, contactos para troca de experiências, contactos para análise do estádio de desenvolvimento (conceito já então uniformizado e utilizável) entre eles, estudo e implementação de formas de colaboração mútua, contactos para troca de conhecimentos com a correlativa alteração (naturalmente profunda) dos mesmos, etc, etc, o que – pelo menos entre nós – desencadeará uma revolução (quiçá radical) em sede de todas as ciências, conceitos filosóficos, religiões, costumes, cultura.

Será, ainda, o fim de muitas “certezas”.

A ser assim, não será, então, ainda, o apocalipse… Mas abalará, profundamente, muitos milhões de humanos.

Não será, por certo, ainda, na nossa geração que estas virtualidades se transformarão em realidade. Mas que já algo se admite nesse sentido… aí está esta nomeação a prová-lo.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ESTÁ NA MASSA DO NOSSO SANGUE: A MALEDICÊNCIA

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isto é o que urge fazer, mas vai ter de esperar um pouco
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Eu confesso que era um dos tais indivíduos toscos, cerebralmente situado entre o asno e o galináceo, que não entendia a necessidade e sobretudo a pressa em instalar o TGV, cá na paróquia.
Pensava eu – pouco versado nessas matérias de economês – que embora a coisa pudesse dar trabalho a um montão de gente (o que teria algo de positivo; para uns quantos boys, de muito interesse, até), o seu financiamento seria de tal ordem que iria agravar a nossa situação perante as respectivas instâncias. Pelo que seria aconselhável esquecer, de momento.
Afinal, e no que respeita à despesa, a avaliar por uma maquinazita usada para construir a linha do super rápido comboio, que vi num vídeo, a coisa não deverá ser assim tão incomportável como isso. Coisa tão pequena e tão simples, é como o algodão, não engana: é um processo simples, rápido e barato. E é de um relevantíssimo interesse para a nação.
É claro que a maquinazita, só por si, não dirá tudo, relativamente à conclusão a que me pareceu poder chegar, mas será um índice para ter em conta relativamente a ela. Senão vejam, e logo concordarão comigo…

O que há é uma cambada de invejosos e teimosos (mesmo do PS! – uns velhos do Restelo, já se vê) que resolveram contrariar o êxito deste líder e deste chefe deste governo DESTE PS (ao qual sempre me referi deste jeito – por puro despeito, é óbvio, pois vejo encalhadas as minhas prebendas e mordomias). Nada mais.
Ora urge que aconteça à verdade como sucede com o azeite.

Então vejam e digam lá se tenho ou não carradas de razão…


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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

HAVERÁ MAIS VIDA PARA ALÉM DO ORÇAMENTO?



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Aqui há anos o então Presidente Jorge Sampaio lembrou que havia vida para além do défice… E bem, segundo as opiniões mais optimistas.

Parafraseando o ex-Presidente, e transpondo para os dias de hoje, não sei se haverá lugar para o mesmo optimismo e se haverá mais vida para além do orçamento ou se ele não irá sufocar-nos a todos…

A todos, claro que não.

Mas se assim for, e se ficarem só os ricos, como é que eles “se amanharão”?

(Esta fez-me lembrar uma história passada com Margaret Thatcher: havia, no seu consulado, um jornalista-entrevistador de grande fama, que era implacável com os seus entrevistados e que numa entrevista à dama de ferro lhe atirou, referindo-se à pobreza: dizem que a Senhora se preocupa, sobretudo, ou apenas, com os ricos e com os negócios… Ao que ela respondeu: se assim não fosse, que seria dos pobres?

Isto, embora encarado na perspectiva de um processo enviesado e paternalista, nem desse jeito (nem de nenhum outro) está na mente dos nossos “neuro-liberais”, para usar, de novo, a curiosa e acertada expressão do jornalista Sérgio Ferreira Borges.)

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

AINDA ACERCA DO ORÇAMENTO

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Até o nosso velho amigo Alfredo tem mandado as suas dicas sempre oportunas e sensatas acerca do malfadado OE.
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(Luís Afonso/Público/Opinião/Bartoon/hoje)

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ELE BEM AVISOU

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Verdade seja dita, o cavalheiro até nos avisou dos tempos difíceis que se aproximavam: como recordo de seguida, um dia a língua fugiu-lhe para a verdade… Não podemos queixar-nos com a surpresa, porque ela não existiu.

video

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PERVERSIDADE E IMORALIDADE

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José Vítor Malheiros (JVM) é um dos colunistas que mais aprecio no Público.
Se até de um assunto de pouca e trivial importância é capaz de nos oferecer uma boa peça jornalística, quanto mais de uma matéria que nos dá tratos à imaginação, como este inferno da situação em que nos colocaram… Que é o caso da sua coluna de hoje que se intitula
«As pensões douradas da oligarquia» cujo lead reza: «Usar a Segurança Social para que uns milhares de privilegiados possam manter hábitos de luxo é imoral», e em cujo texto, mais abaixo, explica (a enumeração é da minha lavra): «A imoralidade é clara. 1) Não é admissível que, no contexto actual de cortes salariais, apenas seja objecto de um corte de dez por cento a parcela do cúmulo de pensões que exceder 5000 euros. 2) Por que não se faz então a mesma coisa com os salários? Trata-se apenas de mais uma borla oferecida à oligarquia. 3) Não é admissível que se garanta tão repetidamente que estes cortes apenas vigorarão em 2011, quando a mesma garantia não existe para os salários. 4) Não é admissível que sejam proibidas as acumulações de pensões com salários do Estado mas se permita a acumulação de salários privados com pensões públicas. 5) Finalmente, não é admissível que essa proibição não abranja aqueles que já beneficiam neste momento dessas acumulações e que apenas atinja os futuros pensionistas.» Donde a conclusão constante do destaque acima referido: «Já se sabe que tudo isto representa apenas uns poucos milhões. Mas usar a depauperada Segurança Social para que uns milhares de privilegiados possam manter hábitos de luxo é imoral.»
Como logo se vê, a imoralidade do Orçamento aqui tida em conta é apenas - e em parte, creio – a que se prende com o uso e abuso dos fundos da “depauperada Segurança Social”. E não consiste apenas num ponto, mas em cinco, o motivo do nosso desespero e justa revolta nessa matéria, como decorre do texto atrás exposto.

Os “afilhados”, resultantes do nepotismo, e os boys, todos com os obscenos, escandalosos e inexplicáveis proventos das suas igualmente escandalosas sinecuras estão a pôr em causa e em risco os parcos ou magros rendimentos da grande maioria da população.

Até quando?

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

REFLEXÃO DE FREI FERNANDO VENTURA SOBRE A SITUAÇÃO QUE VIVEMOS

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Para não estragar nada, vou abster-me de me pronunciar sobre o assunto. Porque estou inteiramente com ele.
Deixo-vos apenas, para além do pequeno vídeo (só lastimo o som baixíssimo da gravação), a introdução de Pedro Guilherme Moreira, no seu blogue "Ignorância":
«Frei Fernando Ventura e a Sabedoria
Para quem esteve distraído, por favor fixe este nome: Fernando Ventura, frade capuchinho, homem sábio. Para agnósticos, ateus, crentes, católicos praticantes ou nem por isso, ignorantes, diletantes, honestos ou desonestos intelectuais, para todos, com Saramago ou contra Saramago, não vão por mim. Vejam este inolvidável (muitas vezes inefável e tocante) momento de televisão. (…)»
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domingo, 17 de outubro de 2010

E SE O ZÉ-POVINHO ARREIA A CARGA E RESPONDE COM UM MANGUITO?

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Todos os ex-ministros das finanças do Portugal de Abril contribuíram, de algum modo, para a presente crise, mas não vi nenhum bater com a mão no peito confessando “mea culpa”. Mais: nenhum deles foi capaz (leia-se competente) para prever a grave crise provocada pela derrocada do capital financeiro que viria antecipar e agravar a presente crise. Mas falam todos, contudo (imagine-se a coragem e o auto-convencimento), como se nada tivessem a ver com o assunto, como sendo génios fantásticos e eminências pardas dum saber infinito e de uma confiança inultrapassável.

Um, de entre eles, que contribuiu para esta situação na tripla qualidade de ministro das finanças, primeiro-ministro e presidente da República, veste agora a pele de cordeiro e vem-nos com ar preocupado - mas não contristado - e modos paternalistas fazer apelos e declarações com ar condoído. Mas que faz de concreto? Convoca os ex-ministros das finanças, como se foram seres vindos doutro planeta, alheios ao que se passa, com o saber e as mesinhas necessárias para debelar a crise, mas não vi nenhum apontar soluções que não fossem, as que sempre usaram: as de agravar os parcos rendimentos dos mais desfavorecidos. Nenhum deles se atreve a fazer pagar a crise a quem a provocou…
E não nos queiram convencer, excelentíssimos sábios e milagreiros, que isto é demagogia da esquerda. Por mais que esses partidos vos incomodem, já não nos assustam com esses “papões”.

Mesmo que a gravidade da situação só possa ser ultrapassada com o sacrifício de todos, não vejo que alguém seja capaz de impor uma distribuição desses sacrifícios na razão inversa da que se sabe ir ser aplicada.
É altura, Sr Presidente e senhores ministros e ex-ministros, srs actuais e ex-todos aqueles que se enchem ou encheram à tripa forra à nossa custa, como se fôramos o zé-povinho albardado, de Rafael Bordalo Pinheiro, é altura de deixar de nos considerar totós, imbecis e ignorantes.



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Basta de atitudes teatrais, de cinismo e de palavreado.
Vossas senhorias não se despem do vosso ar sonso e farisaico, e da vossa ganância, mas nós estamos a evoluir para o outro zé-povinho, do mesmo autor, o do manguito.


A situação não é, não vai ser de forma nenhuma sustentável da nossa parte, sendo de prever que o manguito surja mais cedo do que vossas excelências pensam e prevêem.
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sábado, 16 de outubro de 2010

ENTREGA DO ORÇAMENTO DO ESTADO

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- Teixeira dos Santos: ... e que Deus lhe ponha a virtude!
- Jaime Gama: Amen
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QUASE NOS ADORMECEM…

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Não há muito, Marques Mendes enumerou na TV, para além dos Governos Civis, a extravagante e absolutamente inútil existência de centenas de institutos públicos, de centenas de empresas estatais ou autárquicas, de centenas de fundações… E sei lá que mais!... Que mais não são, segundo qualquer entendido, que um sorvedouro de dinheiro dos contribuintes, ou a fonte de sinecuras para boys, amigos, “compadres”, e outros fieis comparsas. Os serviços de muitos deles são absolutamente dispensáveis, outros podiam com todo o proveito de uma boa gestão passar para a competência de outros já existentes cuja existência se destina aos mesmos ou muito próximos fins. Ora convertendo estes milhares de instituições (e aquelas que aqui falta enumerar) que estão nesta situação, noutros tantos e mais cargos de chorudos e escandalosos proventos… veja-se onde chegámos.

Mas quando o governo – o governo deste PS – fala em cortes em remunerações não é, muito certamente, esses que ele tem em vista…
(Bom, não sejamos injustos: sempre os penalizará nalguns cêntimos, nuns magros euros!...)

Até quando esta situação?

Quando surgirá alguém capaz de dizer BASTA!

É que não me parece, também, que seja alguém do PSD capaz de ser esse herói: Marques Mendes e outros responsáveis do mesmo partido, não se cansam agora de enumerar e propor medidas “eficazes” para equilibrar as contas do Estado e para sermos menos castigados pelo fisco… Mas quando estão no governo tudo isto se lhes varre da memória.
A generalidade dos políticos desses partidos (do centrão) não se atrevem, quando instalados no governo, a pôr em prática os conselhos e as propostas que apregoam na oposição.
Ou alguém tem dúvidas de que se Marques Mendes fosse, d’hoje para amanhã governo, ia executar uma política tal como aquela de que ele, indirectamente, acaba de fazer a apologia?
Se não temos empresários competentes – como tantos políticos não há muito afirmaram à boca cheia e com todas as letras - também temos um deficit muito, muitíssimo acentuado, de políticos sérios, capazes e de imprescindível verticalidade.

Este é o nosso problema.

Em suma: NÃO HÁ VONTADE POLÍTICA, por parte da generalidade e da vulgaridade dos nossos políticos para levar por diante uma política de seriedade e rigor e impiedosos com os traficantes de influências, com os incompetentes, com os abusadores, com os gananciosos… Com os tão característicos chicos-espertos.
Ao contrário, todos esses querem é empanturrar-se à mesa do orçamento.

Espero bem que chegue o mais depressa possível o dia em que demonstraremos a esses vendedores de banha de cobra que não somos os ingénuos nem os estúpidos que eles imaginam…

Mas quando?
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Tinha já publicado esta postagem quando ouvi notícia acerca da extinção de alguns dos tais organismos. Mas muito mais vai ficar por fazer nesta área.
Já agora, e acerca de uma das integrações de que se fala, não compreendo que a Direcção Geral de Reinserção Social (DGRS) vá deixar de ser um organismo autónomo e ser integrada na Direcção Geral dos Serviços Prisionais (DGSP)… A primeira creio ter um horizonte muito mais vasto e complicado do que o que apenas aos presos respeita!

Esta integração, parece obedecer a princípios obscuros, parece-me efectivamente muito mal escolhida: porquê esta (incompreensível) e não outras de tantas em que não se mexe?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O APELO DO NOSSO ALFREDO


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(Luís Afonso/Bartoon/Opinião/Público/hoje)

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QUASE INÉDITO, MAS MUITO ACTUAL

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caricatura de José Régio e o seu burro por Hermínio Felizardo


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SONETO DE JOSÉ RÉGIO
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Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
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Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
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E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
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Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.


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Conquanto escrito em 1969, o soneto mantém, hoje, de facto, uma extraordinária actualidade, mutatis mutandis certas referências e actualizando os valores aí referidos. (Um ordenado de seis contos era, então, um bom ordenado e o de 30 contos – 5 vezes superior – era um riquíssimo vencimento. Mas, atendendo à evolução do valor da moeda e à evolução das retribuições dessas funções, não há possibilidade de hoje estabelecer comparações entre elas: estão a vários anos-luz).

O que se passa hoje em tais matérias é, na realidade, escandaloso: seriedade, verticalidade, sensatez, contenção, sentido de Estado e da realidade são, agora, expressões sem sentido e motivo de discretos sorrisos complacentes com a ingenuidade de quem os refere, quanto mais de quem os pretenda praticar!

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PS? QUE PS?

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Numa busca hoje realizada nos meus arquivos encontrei um post que eu julgava perdido (por manifesto lapso tinha-o classificado mal) de Rui Namorado, datado de 08.07.10, no seu blogue O Grande Zoo, intitulado DEBATE SIM, CANTO CORAL NÃO.

Trata-se de um post que considero da maior importância para os que acreditam que este governo que nos consome os nervos, a paciência e os parcos haveres é representante DO PS… Este governo deste PS é antes, na expressão piadética mas adequada do jornalista Sérgio Ferreira Borges, igualmente conimbricense, um governo neuro-liberal. Isso, sim.
Acho o post de leitura obrigatória para quem queira inteirar-se e esclarecer-se acerca da matéria.

Talvez a propósito, ou talvez não, de qualquer forma muito oportunamente, é citada, imediatamente antes daquele post, uma frase do Cardeal de Retz (Jean-François Paul de Gondi, 1613 - 1679): "Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito."
Inevitavelmente.

É um texto que não pode deixar de integrar o APOSTILA de N&R e do FLASH.
Conquanto desfasado no respeitante ao, então, seu principal objectivo, a mensagem mantém um iniludível interesse no seu âmago. Leia, pois DEBATE SIM, CANTO CORAL NÃO.

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EM CIMA DO ACONTECIMENTO

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Não são só as palavras que são como as cerejas… também as ideias!

Este cartoon de Henrique Monteiro é de uma extraordinária oportunidade, até pela sua dupla leitura, e de um raro, mas justo, sarcasmo, em qualquer delas!

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(recebido, ontem, por mail)
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A PSEUDO-PERPLEXIDADE DE VASCO PULIDO VALENTE

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a abastardada monarquia pela pena implacável de Rafael Bordalo Pinheiro

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Numa das suas habituais colunas de fim-de-semana no Público, desta vez na última SX 08.10, Vasco Pulido Valente (VPV) põe asas e revela uma pseudo-perplexidade sobre qual o conteúdo dos “valores republicanos” acerca dos quais não houve político ou jornalista “da nossa pobre esquerda” (segundo a sua expressão) que não tenha dissertado a propósito do centenário agora comemorado…
Perante aquela “pobre esquerda”, claro que VPV assumiu o papel da nossa “brilhante”, “douta” e “patriótica” direita para revelar uma confusa desorientação ao querer comparar aos ideais republicanos toda uma série de “tipos” de república cujos únicos objectivos escapam aos referidos ideais e cujo traço de união entre eles é esse próprio termo na sua mais simples designação, mas sem o conteúdo do correspondente e genuíno ideário.

Só se ilude com teses como a de VPV, mostrando pendor para a monarquia, quem gosta de viver na ilusão e desconhece o valor da dignidade do Homem e a sua expressão…

Na sua, VPV só poderia querer afirmar é que houve (há) regimes que, ditos republicanos, não se regem pelos seus nobres e elevados valores, não que eles não existam e não representem, no seu âmago, o zénite de qualquer república que represente ou pretenda, efectivamente, atingir o seu ideal. Ou seja, VPV fez de conta foi que ignorava esses valores, mas sem negar a sua existência.

Liberdade, igualdade e fraternidade são, para quem não sabe (como VPV pretende fazer crer) ou finge não entender (que é o que na verdade se passa com o mesmo colunista), os valores Republicanos por excelência. De facto eles são essenciais para que possamos caracterizar um Estado como democrático.

Sim, porque não é na monarquia que o cidadão pode efectivamente demonstrar toda a sua capacidade de intervenção política. As monarquias ocidentais já se não assumem, neste momento, como antanho, como um regime de origem divina. Isto ao contrário – de alguma forma – ao que ainda hoje se passa nalguns regimes, monárquico e republicano, no oriente. Mas esses regimes admitem, de todo o modo, que a sucessão dos seus chefes de Estado obedece a um poder superior que lhes atribui, por privilégio de nascimento, os seus poderes.

A República, mais que uma mudança de regime político, abre caminhos para que o progresso se instale através dos valores da liberdade, igualdade e cidadania, essenciais para um Estado Democrático que permita a todos os cidadãos uma participação efectiva e activa de qualidade, de equidade, de igualdade e de liberdade."

Realmente, um Estado onde uma família (originariamente espúria ou baseada numa união lícita) herda o poder, de forma natural (?), onde, portanto, outra origem, baseada no exercício da sua cidadania pelas populações, não fosse jurídica e politicamente admissível, nesse Estado os respectivos processos de organização e de actuação não são compagináveis com o normal espectro da cidadania exercida plenamente em nome da igualdade, da liberdade e fraternidade.

Como aceitar que um cidadão, por direito de nascimento, assuma o poder de interferir nas decisões do Estado e de o representar ao mais alto nível?


Acerca de Portugal e deste centenário aduzo, em última instância, e como causas mais próximas, as constantes do argumento de Natália Coelho e Odete Figueiredo: «A República permitiu a participação, de todo um país, no mais abrangente magma cultural dos ideais de modernização da Sociedade portuguesa que chega, aos finais do século XIX, com enormes factores de atraso: uma fraca e incipiente industrialização, uma altíssima taxa de analfabetismo ou uma ruralidade muito marcante. O ideário republicano em Portugal passou sobretudo pelo projecto de uma nova cidadania e foi profundamente marcado pelas grandes clivagens da viragem para o século XX e marcaram os programas políticos dos fundadores da Iª República: - a redefinição dos símbolos nacionais num clima de mobilização nacionalista; - a laicidade do Estado; - o aprofundamento do parlamentarismo ou o alargamento da participação e dos direitos políticos e sociais.»

Por último, para a avançada, grandiosa, épica monarquia de VPV e outros seus defensores, a mulher era considerada uma entidade menor, acéfala, propriedade dos respectivos maridos ou tutores, sem qualquer espécie de direito ou capacidade de intervenção (melhor: dela impedida)… (Não sei se Suas Altezas Reais a rainha consorte e suas filhas também eram consideradas de acordo com tão avançada e “digna” matriz!). A Lei da Família, o direito ao Divórcio, pondo termo á chaga social dos filhos ilegítimos, datam - deve ser sublinhado - da Primeira República, e só o clerical Estado Novo fez recuar esses avanços e voltar às seculares e tristes condições de outrora.


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sábado, 9 de outubro de 2010

A VERDADE, O RIGOR E A ISENÇÃO E O INEVITÁVEL PROGRESSO DO PAÍS

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Sublinho hoje a grata e feliz ventura de alguns funcionários públicos, ainda que de passagem meteórica nalgumas funções, como, aqui, de uma secretária pessoal do primeiro-ministro…

De destacar, a propósito (não sei se será este um desses casos) a extraordinária mobilidade de grande número deles (nunca para pior situação, presume-se, sem hipótese de erro), muitos de muito tenra idade mas já reveladores dum saber e de uma experiência invejáveis…


Do Diário da República, 2.ª série — N.º 235 — 4 de Dezembro de 2009 a págs 49181, destaco e sublinho dois despachos:

Despacho n.º 26370 de 2009
Nos termos e ao abrigo no n.º 1 do artigo 2.º e no n.º 1 do artigo 3.º
do Decreto -Lei n.º 322/88, de 23 de Setembro, com a redacção que
lhe foi dada pelo Decreto -Lei n.º 45/92, de 4 de Abril,
nomeio a
licenciada
Paula Alexandre Cunha Coelho Ferreira para exercer as funções de secretária pessoal do meu Gabinete, em regime de comissão de serviço.
Este despacho
produz efeitos a 26 de Outubro de 2009.
4 de Novembro de 2009. — O Primeiro -Ministro, José Sócrates
Carvalho Pinto de Sousa.
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Despacho n.º 26371 de 2009
Exonero, a seu pedido, por ir exercer outras funções públicas, a licenciada Paula Alexandre Cunha Coelho Ferreira das funções de secretária pessoal do meu Gabinete, ao abrigo do disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto -Lei n.º 322/88, de 23 de Setembro, sendo -me grato evidenciar a forma extremamente leal, competente e dedicada como desempenhou aquelas funções, bem como as excelentes qualidades pessoais e profissionais.
Este despacho produz efeitos a 30 de Outubro de 2009
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4 de Novembro de 2009. — O Primeiro -Ministro, José Sócrates
Carvalho Pinto de Sousa.
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Que maravilha:
no 1º dia, o ritual das apresentações, o conhecimento geográfico do local de trabalho e a respectiva ambientação ao mesmo.
No 4º dia, o cerimonial das despedidas.
Nos 2º e 3º dias o efectivo exercício de funções: sendo de salientar que tanto bastou para o sr primeiro-ministro «evidenciar a forma extremamente leal, competente e dedicada como desempenhou aquelas funções, bem como as excelentes qualidades pessoais e profissionais» - como reza o respectivo despacho, presume-se que com verdade, rigor e isenção!

Assim, sim: até dá gosto!

Embora frequentes estas situações, no cômputo geral são raras…
Nem todos os dias aparecem estes génios merecedores de tais distinções!
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

AS PEQUENAS HISTÓRIAS DA CRISE


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Recebi por email e reencaminho desta forma que é a maneira de chegar a mais leitores do que se enviar ao habitual grupo de amigos.
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DN 30.09.2010 / Opinião / Coluna: Um ponto é tudo
A medidazita que faltou
por FERREIRA FERNANDES
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É vogal de uma dessas entidades reguladoras portuguesas - insisto, não é ministro de país rico, é um vogal de entidade reguladora de país pobre - e foi de Lisboa ao Porto a uma reunião. Foi de avião, o que nem me parece um exagero, embora seja pago pelos meus impostos. Se ele tem uma função pública é bom que gaste o que é eficaz para a exercer bem: ir de avião é rápido e pode ser económico. Chegado ao Aeroporto de Sá Carneiro, o homem telefonou: "Onde está, sr. Martins?" O Martins é o motorista, saiu mais cedo de Lisboa para estar a horas em Pedras Rubras. O vogal da entidade reguladora não suporta a auto-estrada A1. O Martins foi levar o senhor doutor à reunião, esperou por ele, levou-o às compras porque a Baixa portuense é complicada, e foi depositá-lo de volta a Pedras Rubras. O Martins e o nosso carro regressaram pela auto-estrada a Lisboa. O vogal fez contas pelo relógio e concluiu que o Martins não estaria a tempo na Portela. Encolheu os ombros e regressou a casa de táxi, o que também detestava, mas há dias em que se tem de fazer sacrifícios. Na sua crónica nesta edição do DN, o meu camarada Jorge Fiel diz que o Estado tem 28 793 automóveis. Nunca perceberei por que razão os políticos não sabem apresentar medidas duras. Sócrates, ontem, ter-me-ia convencido se tivesse também anunciado que o Estado passou a ter 28 792 automóveis.
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Na verdade, o novo-riquismo e o provincianismo de muitos dos nossos políticos não os deixa abdicar das suas mordomias que sabem deixar boquiabertos e com uma ponta de inveja os seus mais próximos, seja família, sejam amigos, sejam pares em quaisquer instituições!

Não é, em grande medida, o sentido de Estado nem o de serviço público que preside à sua escolha e nomeação, mas antes o servilismo perante o chefe e o cartão do partido (o que em muitos casos também esteve na base da promoção do próprio chefe – ou seja, em grande parte dos casos, foi um igual, rigoroso e isento critério baseado na “competência” e noutros exigentes valores que conferiram aos medíocres uma irrecusável promoção)

Que há que esperar de gente desta massa?
A inevitabilidade e a aceleração do processo de decadência (de falência?) do país.


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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

THE BIG BOSS

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Pinto da Costa: “Vou ficar atento se este árbitro terá direito a férias”
(destacava um título no Público online de ontem… com foto do arquivo de Paulo Pimenta)


HONI SOIT QUI MAL Y PENSE ...

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

O CÚMULO DA FRIEZA DO GOVERNO - II

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Se em si a triste idiossincrasia da generalidade dos portugueses é lastimável… que ela se mantenha na generalidade dos políticos e de pessoas dos estratos mais beneficiados da nossa população, é mais que isso: é condenável.

Mas não é, exactamente, disso que vamos hoje falar, mas antes, precisamente, do contrário.

Tiago Mesquita, hoje, no Expresso online, dá-nos o exemplo de um deputado com um raro (do melhor) sentido de espírito de serviço e de carácter realista (como tantos, segundo parece e vai constando), de um tal Ricardo, não o abafador de gravadores Ricardo Rodrigues, mas dum Ricardo Gonçalves, que nos deixou amargurados com a miséria que são, segundo o seu relato, os “ganhos” dum representante da Nação!

Tudo a propósito da crise e das medidas implementadas (os cortes, neste caso) e que penalizam (segundo a sua peroração) de forma desumana sobretudo os deputados.

E convenhamos que tem razão, a pobre criatura. Como pode fazer face às exigências normais da vida um cidadão que “tira” uns meros 3 700€/mês, a que acrescem 60€ diários de ajudas de custo, por ser um deputado provinciano, perdão, um deputado da província?

(Que pode importar, e a quem, que haja cidadãos, neste mesmo país, que sobrevivem com um valor igual a 4 dias das suas ajudas de custo?)

Na realidade é de sentir um aperto no coração e de uma pessoa quase se sentir responsabilizado por tal situação. Dando vontade de solicitar – melhor: exigir – que esta se inverta!

Como é que o governo consegue ser tão duro para estas almas?

Como conseguem estes e outros mártires da Pátria, com proventos de apenas uns milhares de euros fazer face a uma vida simples e de sacrifícios?
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A crise é um espelho demasiado realista do país!


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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O CÚMULO DA FRIEZA DO GOVERNO

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A crise envolve-nos a todos. Mas atinge mais uns do que outros. E transtorna mais a vida de alguns que, já de débeis condições, ficam muito mais carenciados.
É o que acontece no relato seguinte: Manuel António Pina, na sua coluna Por Outras Palavras do Jornal de Notícias de10.03.2009 deixa-nos à beira de um solidário desespero atendendo a uma gravíssima e dramática situação de que deixa um comovente e desesperante exemplo.
O estado de alma que nos transmite é de um realismo bem doloroso, de uma ansiedade incontrolável, tudo em consequência de uma situação – mais uma - a todos os títulos injusta, revoltante e insuportável.

Isto para que avaliemos, não situações abstractas – como tantas descritas genericamente e que não conseguem mobilizar a nossa mínima compaixão, como a de alguns pelintras e calaceiros, como são a generalidade da populaça, que recebem a pensão ou o vencimento mínimos e outras mais que suficientes benesses, mas os casos concretos dos que vivendo em condições já de si muito dificultosas ainda são penalizados com cortes vultosos, clamorosamente violentos e injustos.
Senão vejamos:

«Os novos pobres
A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país, fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do Banco Comercial Português que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem.»



Bom, e já agora o governo que se acautele e se não meta com essa numerosa classe de necessitados e infelizes marginalizados, pois que se essa multidão se lembra de reagir e protestar, essa larga convulsão social pode trazer-lhe graves problemas, se não mesmo a sua queda!


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domingo, 3 de outubro de 2010

DE SINDICALISTA A PATRÃO DE PATRÕES

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António Saraiva

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No último Prós e Contras – ainda uma vez mais sobre a grave situação do nosso país – após uma intervenção de Carvalho da Silva, vigorosa mas realista, firme, mas elevada – é convidado pela moderadora a intervir o presidente da CIP. E António Saraiva, a quem uma campainha lá no seu cérebro fez recordar outros tempos lança com o ar mais sereno: o sr secretário geral da CGTP não resiste à mobilização do conflito – expressão que se não é literalmente fidedigna na sua totalidade é-o por defeito, que não por excesso, sendo certo que este segmento de trecho é realmente fidedigno e traduz, em absoluto, o espírito da sua afirmação.
É que “António Saraiva era olhado como um "perigoso sindicalista" quando, em tempos, regressou ao seu posto de trabalho na secção de planeamento dos escritórios da Lisnave, deixando o furacão dos estaleiros da Margueira, em Cacilhas.
Mas depois teve uma progressão social no campo oposto onde, além de empresário na indústria metalúrgica e metalomecânica, pois é presidente do Conselho de Administração da Metalúrgica Luso-Italiana, António Saraiva, de 55 anos, é o presidente da AIMAP - Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, e desde 7 de Janeiro de 2010 é o presidente daquela associação patronal.
Carvalho da Silva, naturalmente, nem reagiu, de imediato, à picardia do Sr Saraiva, mas quando lhe foi dada novamente a palavra não deixou de, olhos bem nos olhos, lhe dirigir uma palavras desmontando tal raciocínio e expressão (os mesmos de todos os restantes parceiros do presidente da CIP – os tais que falam de cassetes) com um discurso de dura verdade e absoluto rigor.
António Saraiva, a verdade, é que ficou meio entupido.

Curiosamente, o povo para reais (ou supostas, pelos visados) situações de certas ascensões sociais, sobretudo quando vindas de estratos mais baixos, tem uma expressão arrasadora: “não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu”.
De algum modo a presente situação é algo semelhante àquela: os maus velhos tempos foram esquecidos. E quando (em privado, claro) falam do povo é com um acinte a um tempo de desprezo e de desdém.

A matriz deste perfil é muito bem conhecido do povo, conquanto a sua boa-fé o leve a, por vezes, continuar a deixar-se enganar.
Até quando?

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