segunda-feira, 14 de julho de 2008

NADA NA MANGA

barco de pesca
(créditos FOTOSEARCH-banco de imagens)

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imagem Wikipédia
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NADA NA MANGA E TUDO CLARÍSSIMO!

Recebi uma mensagem com o seguinte conteúdo e com a remissão a que abaixo se alude.

Não há, realmente, perigo de descontextualização, nem de eventuais leituras e interpretações abusivas.

Está ali, preto no branco, o alargamento dos benefícios fiscais a entidades tão díspares como o proprietário duma traineira de pesca ou o de um iate de luxo para utilização pessoal e de recreio.

Portugal, como todos os países pobres, continua a ser um paraíso fiscal para os detentores e representantes do grande capital.

Na verdade, repare-se que, contrariamente ao que pode parecer, não é a descrição, abaixo transcrita, dos factos, que é irónica. São os factos, eles mesmos, que são, em si, caricaturais. Que chocam pela soberana insensibilidade que revelam.

Eis, então, o conteúdo da mensagem que recebi:
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Assunto: PORTUGAL - GASÓLEO PARA IATES AO MESMO PREÇO QUE PARA OS PESCADORES...


O Governo democrático e maioritário do PS tem por hábito quando é confrontado com realidades, apontar os canhões para o PSD, seu parceiro do «Bloco Central de Interesses».

Mas agora, todos ficam a saber, os que têm iates e embarcações de recreio que através do Artº 29 do Cap. II da Portaria 117-A de 8 de Fevereiro de 2008, em anexo, beneficiam de gasóleo ao preço do que pagam os armadores e os pescadores.

Assim todos os portugueses são iguais perante a Lei, desde que tenham iates...

É da mais elementar justiça que os trabalhadores e as empresas que tenham carro a gasóleo o paguem a 1,42€, e os banqueiros e empresários do 'Compromisso Portugal' o paguem a 0,80€, e é justo, porque estes não têm culpa que os trabalhadores não comprem iates!!!
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E constate, agora, a
PORTARIA 117-A, de 08.02.2008, e o mencionado artº 29, a págs 954 (4).
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domingo, 13 de julho de 2008

SÍMBOLO DA CANDURA

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O pequeno vídeo que hoje trago é uma peça de museu do audiovisual dos anos 60.
Os anos de todos os combates, de todos os sonhos de todas as utopias.
Ele próprio revelador de uma utopia que dentro em pouco seria ultrapassada por uma postura e por excessos de sinal contrário.
Uma candura que ainda se encontrava nesses idos, mas que a adolescência e a juventude de hoje não compreendem, não praticam nem aconselham.
Talvez por isso alguns remetentes deste pequeno vídeo, enviado como anexo ao correio electrónico, alertam, de forma bem expressa: “SE TEM MENOS DE 40 ANOS… NÃO ABRA”, prevenindo choques evitáveis…
Mas a viragem, no que ao amor e sua partilha concerne, ou no que à relação entre géneros respeita, limadas que iam sendo as arestas que os distinguiam, ainda nesses anos ia sendo operada.
No pequeno vídeo, abaixo, a adolescente italiana
Gigliola Cinquetti (nascida em Verona, bem perto de Veneza, a 20/12/1947), com apenas 16 anos de idade, interpreta o grande sucesso que foi Non ho l'età
("Não tenho idade"), aqui captada pela televisão francesa.

Esta sua interpretação foi vencedora, primeiro, no Festival da canção de S. Remo (o festival da canção italiana que se realiza, sem interrupção, desde 1951), de 1964, depois, e no mesmo ano, no Festival Eurovisão da Canção (que se vem realizando desde 1956, ano em que os países participantes eram tão só a Bélgica, França, Rep. Federal Alemã, Luxemburgo, Holanda, Itália e Suíça).
O número de países participantes foi aumentando, sendo 16 na edição do ano de 1963 (ano em que se estrearam Finlândia, Espanha, Jugoslávia).
No dia 21 de Março de 1964, em Copenhaga, na Dinamarca, Lotta Wæver apresentou a 9ª edição do festival que foi ganho por Gigliola Cinquetti, representando a Itália, com a canção "Non ho l'étà".
A novidade dessa edição festivaleira foi a estreia, nela, de Portugal (perfazendo 17 o número de países representantes) com António Calvário interpretando Oração.
(A participação de Portugal e da Espanha originaram, mesmo, nesta edição do “Euro Festival”, um pequeno incidente: um homem, a dada altura, entra em palco com um cartaz em que se protestava contra a presença de representantes das ditaduras ibéricas e apelando ao boicote aos dois ditadores, Franco e Salazar. Enquanto tal sucedia, as atenções dos espectadores foi desviada para o quadro da votação. Entretanto, o homem retira-se e o concurso prosseguiu sem mais sobressaltos. Calvário ouviu assobios, talvez mais dirigidos ao ditador Salazar e à Guerra Colonial do que, propriamente (talvez), à qualidade da sua canção e da sua prestação.)
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sábado, 12 de julho de 2008

UM MORTAL NA ESCURIDÃO DO UNIVERSO



Eu pensava que me cabia a originalidade de cognominar o mugabe da Madeira de Bokassa...
Engano meu. Antes de mim já Jaime Gama/JG assim o designara.
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E que lhe deu, ao Dr JG, para desenterrar da "ignomínia" o boçal líder da Pérola do Oceano?
Para o redimir, lhe lavar os pés (só os pés, quando todo ele tresanda?) e para o “prantar“ no altar dos eleitos?
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Um lamentável lapso?
Impossível.
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Os políticos, sérios, podem ter lapsos. Que não se esquecerão de corrigir...
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Os politiqueiros não têm lapsos. As cambalhotas que dão de 180º só são admissíveis em quem se rege pela oscilação das grandes "lufadas de ar", como acontece aos cata-ventos.
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Não são lapsos. Antes são tristes figuras ao sabor dos arranjos partidários do momento.
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Os políticos têm conceitos e opiniões consolidadas. Visam os superiores interesses do país.
Os politiqueiros vogam ao sabor da baixa política, prosseguindo os interesses corporativos, de casta, de "famílias". Pessoais, em suma.
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Os políticos são caracterizados pelo rigor dos seus conceitos e por uma memória que os não esquece. Pela serena e constante verticalidade.
Os politiqueiros caracterizam-se pela falta de memória ou pela memória curta. Pela duvidosa verticalidade.
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De 1992 a 2008 não houve qualquer evolução positiva no truncado, boçal e façanhudamente ridículo cacique e patrão da Madeira.
Ao contrário, revelou-se maior o seu desatino e irresponsabilidade. Confirmou-se a sua vocação truanesca.
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Quando a opinião de um "político" se deixa submergir pela mera e momentânea conveniência... É capaz destes mortais que o pequeno vídeo regista.
Donde os frequentes ditos e desditos.
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Bom, é que passar de Bokassa a supremo exemplo de democrata… É um mortal na escuridão e nas profundezas do Universo.
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Mas oiça. Esforce-se por ouvir, seriamente, as declarações de Gama, em 92 e recentemente.
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video

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sexta-feira, 11 de julho de 2008

O MUNDO DOS RICOS (G8) E O MUNDO DOS POBRES (G888 888 888)

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Registado o momento em que no recente jantar da cimeira sobre a fome os participantes faziam uma saúde.
Claro que o mínimo “pudor” não permitia que se fizesse a saúde… à fome, como alguns espíritos de azeda crítica (comunistas, está bem de ver…) terão querido sugerir…

Por outro lado, num jantar de personagens tão ilustres e de hábitos tão requintados e exigentes, não se podia esperar que – para corresponder ao tema objecto da reunião – os genuínos representantes da nata do mundo empresarial e dos gestores se contentasse com a lauta refeição de um pobre: um pedaço de pão e (quando muito, se lhes tiverem sido oferecidas) duas ou três azeitonas.

É evidente que mais que os valores, que têm sido mencionados, gastos na organização e na realização desta cimeira (para que abaixo se remete) – as astronómicas quantias em jogo, já referidas por vários críticos e objecto de diversos protestos entre gente muito responsável em todo o globo – o que está em causa, sobretudo, é o espírito que, com ela, se sublinha ser o deste universo que discute a fome, sem conhecer, “no campo”, aquilo de que falam.
Mais… Gente que fala, de raspão (e com displicente enjoo), de pobreza e de fome, mas preocupada – verdadeiramente e apenas - com a sua facturação e com os seus lucros.

Mas dispense dois minutos para, na secção de Economia do DN de ontem, ler
TRUFAS E CAVIAR NO JANTAR DA CIMEIRA DO G8 SOBRE FOME.
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quinta-feira, 10 de julho de 2008

LEMBRAR É PRECISO

o forrobodó dos politiqueiros
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Não, talvez não seja preciso ter esquecido para lembrar. Lembrar pode consistir em trazer para a ribalta do consciente o que estava num seu recanto. Ou na penumbra dum certo inconsciente. Que não, talvez, no olvido.
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No caso presente, torna-se necessário trazer à memória factos que o fogo fátuo da evolução na hierarquia do Estado do político Aníbal Cavaco Silva deixaram em segundo plano (atrás da cortina de fumo) a sua actuação como responsável da governação do país durante uma década.
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Lembrar é preciso, mas não é suficiente.
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Além de lembrar torna-se necessário reflectir, concluir, alterar, corrigir, responsabilizar, pedir contas, exigir explicações, implicar na reparação dos grosseiros e graves erros…
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Algum dia teremos de impedir que os erros na gestão da
res publica sejam premiados com promoções, regalias e outras mordomias. Incompreensíveis, porque impensáveis e inadmissíveis relativamente ao cidadão comum.
Há que pôr termo ao forrobodó dos políticos inconsequentes e irresponsáveis. Por acção ou omissão.
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Trago um texto recente dum jornalista bem conhecido.
Texto exemplar. Oportuno. Que faz um retrato de uma época e revela a costumada inanidade de um povo abúlico. Triste e amorfo.
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Há que acordar.
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Leia, pois, “Tempestades de águas passadas...” no APOSTILA.
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quarta-feira, 9 de julho de 2008

DE NOVO: ESQUERDA/DIREITA

selo postal em memória da filósofa germano-americana



Voltando à questão da velha dicotomia, esquerda/direita, lembrei-me de uma colherada que meti (respeitosamente e a medo) num post do filósofo Jorge Carreira Maia (JCM). Isto já lá vai mais de um ano.

Carreira Maia deixava-nos, no seu blogue “A VER O MUNDO” um tópico da sua reflexão acerca d “
O ESTADO, A POLÍTICA ESQUIZÓIDE E A JUSTA MEDIDA”.

Eu, coitado de mim, que de filósofo não tenho nada, nem a arte nem, muito menos ainda, o saber, mas porque me vira envolvido numa querela acerca da matéria, dias antes, afoitei-me a meter a foice nesta complicada seara.

E comentei:

“Há dias fui apanhado de surpresa. Daí este atrevimento.
Parece-me redutora e drástica a delimitação da área das tradicionais esquerda e direita confinando-a à “querela liberal-marxiana”... No fundo, é muito isso. Mas de há muito que não é só.
Então o discurso político na visão da filósofa prussiana (vg, em A Condição Humana), no que aos tais rótulos se refere, é inócuo? Tem de confinar-se àquela “querela” o esforço que cada um dos contendores põe no duelo em que pretende persuadir o outro, impor-lhe a sua opinião e arrebatar-lhe a admiração? Ou foge da tal classificação? Ou terá de rotular-se de centrista?
Ficam-me dúvidas...

(Curioso é que, sem querer, me deixei envolver, recentemente, em tal discussão entre dois caloiros da faculdade de Direito, da Clássica.) (E vi-me aflito para segurar as pontas...) ”

Ao que JCM contrapôs:
“A esquerda e a direita são anteriores cronologicamente falando à querela liberal-marxiana. Mas serão anteriores logicamente? A lógica inerente à divisão do «parlamento» francês em esquerda e direita não seria já a que está presente no iluminismo escocês e em Marx?É certo que houve tentativas de fugir à querela, mas não foram ao centro que elas existiram, mas no nazismo e no fascismo italiano. Também Salazar tentou fugir à querela. Não por ser fascista, não o era (por muito que isso incomode a demagogia política. Salazar era um anti-revolucionário, coisa que não era partilhada por Hitler e Mussolini), mas por ser anti-liberal e anti-marxista, tentando uma espécie de fuga para o passado e o tradicionalismo, cruzado com um sonho imperial. Mas em Salazar foi apenas uma tentativa, acabou por proteger as forças económicas que estariam na base do "liberalismo" económico português.”

Aí, respondi:
“Recordo dois registos:
"No fundo, é muito isso."
"E vi-me aflito para segurar as pontas..."
Creio que chega.
Mas gostei, porque lhe ofereci a deixa para uma boa "exposição de motivos", que no meu tempo se chamava "alegação".Claro que ainda não acabou a discussão sobre como caracterizar o salazarismo... E nem estou minimamente preocupado com o incómodo que tal debate possa trazer à "demagogia política", já que adoro que ela seja incomodada.Demais, e no que à velha e tradicional dicotomia concerne, ela aí está para durar na oralidade e na escrita mais comuns. Pese embora a apreciação do fenómeno em níveis mais elevados ou na retórica coxa dos tais demagogos (por razões opostas, como não podia deixar de ser: nos primeiros por mor do rigor, nos outros, de certas conveniências oportunistas)
Mas gostei.E nem pretendo pedir meças, note-se.”


Já agora…
Creio que a arrumação política em esquerda e direita é mais remota que a invocada Revolução Francesa de 1789.
Costumam referir-se dois eventos de assinalável significado em que aquela vai entroncar: a vitória da representatividade sobre o absolutismo, com a Glorious Revolution ou Revolução de 1688, no reinado de Jaime II, cujas raízes se podem encontrar, por sua vez, na assinatura da Magna Carta, por João Sem Terra em 1215.




segunda-feira, 7 de julho de 2008

O ANIMADOR


o paraíso terrestre, por Hieronymus Bosch



Animador. Animação. Animar. Dar vida. Criar. Criador.

Dirigido e animado pelo australiano Nick Hilligoss, em Melbourne, o pequeno filme, “The Animator”, ganhou o primeiro prémio na categoria curtas-metragens, no Festival de Berlim deste ano, sua 58ª edição, que ocorreu de 7 a 17 de Fevereiro.

Um curinga, dotado de poderes especiais, voga no espaço interplanetário, carregando a sua máquina de música e de animação.
No planeta dos répteis, dos camaleões e dos invertebrados, o joker cria e anima Adão e Eva, onde os abandona à sua sorte, volatilizando-se, de seguida, rumo ao infinito.

O episódio bíblico narrado numa outra expressão igualmente fantástica.


quarta-feira, 2 de julho de 2008

COMO ELES SOFREM COM AS DESIGUALDADES SOCIAIS

As lágrimas do dito…

Creio que o mail sobre a a CGD - a eventualidade de uma imoral, desumana e sobranceira atitude da instituição relativamente aos seus (então) “forçados” clientes, aliada ao escandaloso estatuto remuneratório dos seus administradores - é dos que mais circulam na rede.
Este, como outros do mesmo jaez (como o do Banco de Portugal, por exemplo), começou por circular entre uma esquerda segura e sinceramente preocupada com a situação... Para passar a ser bandeira dos direitinhas e da sua farisaica preocupação.
De um diminuto número deles, já o recebi algumas 756 vezes (passe o exagero, que não a imagem)!
Volta e tantas, lá vem mais um. Da mesma banda. Dos mesmos sofredores e preocupados com as desigualdades sociais.
Como se alguma vez aquelas duas vertentes do problema, em si, e genericamente consideradas, fossem preocupação de pessoas de tal pendor político (ainda e também estas genérica e ideologicamente consideradas)!...
Tais situações (antes: tais pseudo-preocupações) por vezes fazem-me pensar quão elevado é o preço da democracia e da tolerância.
Mas...


NB: continuo a usar a clássica dicotomia, não por prezar clichés, mas por ser a “bengala” de maior recurso para nos entendermos a um nível mais chão que o da Academia.
 

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