quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

FELIZ E PRÓSPERO ANO DE 2009?!

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Feliz Ano Novo!
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Desculpem, mas não resisto à comparança: imagine um país ou uma zona, onde as minas são de metro a metro, onde o troar dos canhões seja o efeito sonoro mais audível, onde o medo e a apreensão sejam os sentimentos mais comuns, onde a imagem da destruição seja a mais visível, onde paz é a palavra mais remota e necessidade, desconforto e insegurança as mais próximas… E imagine-se que desejamos a uma pessoa que tem de ir para esse “paraíso” ou que por lá tem de passar… boa viagem!
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Claro que lhe desejaremos, sim, é a melhor sorte possível para vencer todas essas dificuldades.
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Ano próspero?
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Bom… ano próspero creio que só poderá ser garantido com a aquisição de um montão de acções numa daquelas instituições financeiras que nos retribuem, rapidamente e em dobro ou triplo, aquilo que aí investimos, com a garantia de que a seguir se apresentem à falência, o que, como o Estado não permite que aconteça, garante os ganhos usufruídos e a restituição do capital investido…
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Bom, isso não será para todos. Aos meus amigos… acho que para nenhum.
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Que esses, então, consigam sobreviver a esse malfadado 2009 o melhor que for possível…
Se ele não puder deixar saudades, que ao menos não nos leve a esperança e nos deixe em paz e com saúde.

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domingo, 28 de dezembro de 2008

COITADO! A INTENÇÃO ERA A MELHOR!



Vai-se a ver e afinal o homem não fazia mais que seguir o que se supunha ser um bom exemplo!

Coitado!

Claro que tem de merecer o perdão de todos... A intenção era a melhor... O diabo é que as coisas correram mal!

Teve foi azar, coitado do Madoff!
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(Está espectacular! Gary Marvel no seu melhor!)

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

FESTAS FELIZES?




“Festas felizes” - é cada vez mais redondo e inexpressivo o verbo.
Simulam-se, talvez, festas. Mesmo assim, cada vez menos.
Mas felizes? Como?
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O tráfego louco na cidade, nos dias que antecedem o Natal, é um exercício masoquista de fuga para a frente, na tentativa de chegar às catedrais do consumo. As mega-superfícies estão a abarrotar de gente ansiosa que não atina com aquilo que se pode comprar com os magros euros que restam da insaciável gula do fisco, ou que sobram das já de si magras pensões ou mensalidades, numa tentativa de manter uma tradição: os presentes natalícios.
Mas ao cabo e ao resto, a incerteza do amanhã é o centro das suas preocupações e o tema inevitável das conversas.

Não dá, realmente, para esconder os efeitos do arsenal da crise. De inevitável recorrência, o desmontar da teia complicada com que madoffs, rendeiros, costas e outros figurões de que se não pronunciou ainda o nome, vão lançando o pavor sobre pequenos aforristas que não sabem se terão, ao menos, as suas economias garantidas por valor igual ao da aplicação que lhes cofiaram...
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Como, “festas felizes”?
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Depois…
Depois, a muitos o que nos assalta é uma enorme (tantas vezes indisfarçável) nostalgia. (Talvez acentuada pela ansiedade e a incerteza).

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Não do tempo em que, muito crianças, quase nem dormíamos na noite de Natal para irmos, bem de manhãzinha, espreitar o que o Menino Jesus tinha deixado no sapato. Mas do tempo em que para o Natal – espaço íntimo de manifestação de amor, amizade e de sensível solidariedade – havia mais tempo (refiro sobretudo um tempo psicológico) e outra disponibilidade para o preparar e viver.
Depois… Há a saudade dos que se foram finando pelo caminho.
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Então, o Natal era um espaço, nomeadamente de tempo, suficientemente adequado para unir famílias e amigos.
Hoje… um hiato, representado pela entrega apressada dum presente.
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“Festas felizes” num instante?!
Para gáudio, apenas, do comerciante?

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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

«DILEMAS DA ESQUERDA PORTUGUESA»


Rui Namorado é um democrata de todos os costados.
Um pensador respeitabilíssimo.

O seu blogue
O Grande Zoo é, sem dúvida e sem favor, um dos que bem merece constar dos favoritos de qualquer intelectual, mormente se se tratar de um democrata de esquerda.

A sua reflexão, que hoje trago à nossa ponderação, é um pouco longa, mas espero bem que não faça esmorecer a atenção dos que a quiserem seguir.
Trata-se dos
DILEMAS DA ESQUERDA PORTUGUESA

O poder de síntese, por vezes, não é tão fácil, assim, de conseguir.
Porque eu não acho que RN seja prolixo. O que acontece é que ele aprofunda e elabora muito o seu pensamento.

Aí fica, pois, hoje, esta tão actual reflexão de Rui Namorado.


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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

PERPLEXIDADE

imagem que acompanha o texto seguinte






«O Papa Bento XVI indicou hoje que salvar a humanidade de comportamentos homossexuais ou transexuais é tão importante como salvar as florestas tropicais da destruição (…) disse o Sumo Pontífice num discurso perante a Cúria Romana, a administração central do Vaticano» - conforme foi divulgado pelas Agências, e se pode ler no Público online de hoje.

Quando será que a Igreja – forma costumeira de designar a igreja católica, em países como o nosso – acorda da sua longa e profunda letargia e tem um discurso do nosso tempo para os homens que vivem o século presente?

Talvez seja de justiça estabelecer uma distinção: falo da igreja instituição/hierarquia…

É difícil fazer um comentário sereno. Sereno e sério. Sereno, sério e respeitoso.
A perplexidade é tão grande que o verbo se torna escasso.


Imagino o embaraço de muitos católicos.


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sábado, 20 de dezembro de 2008

O SHOW DA NATUREZA

A natureza é uma fonte inesgotável de ensinamentos de vária ordem, é riquíssima nos seus mistérios e é feérica nas suas manifestações. Até quando se ensandece ela assume aspectos de soberba, e por vezes estrondosa, espectacularidade.

Os seus três reinos são motivo, quantas vezes, da nossa extasiante contemplação quer pela infinita variedade suas cores, seja pela das suas formas.

Fixemos, hoje, a nossa atenção no reino animal, tão pródigo em espécies que desenvolvem deslumbrantes rituais, sobretudo precedendo o respectivo acasalamento.
Como é agora o caso das duas moreias deste vídeo que mais parecem desenrolar jogos recreativos mas que prosseguem aqueles espectaculares rituais…

Fantástico e maravilhoso.

video

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

SANTANA LOPES DE REGRESSO?

O PSD, ao que se presume, abandonou, de vez, a tentativa de recuperar a sua triste e debilitada imagem e de regresso à ribalta dos partidos com alguma expressão.
Destruído pelos jogos baixos que o têm minado na sua imagem de grande partido, confrontado por clivagens sucessivas entre uma certa “aristocracia” e um “gaio” populismo, corroído, minimizado e desacreditado por políticas de “capelas” dos mais diversos matizes, chegada a altura das opções de escolha de elementos para representarem a agremiação em eleições locais, como é agora o caso, já só encontra figuras pouco dignificantes do partido, o seu refugo pouco abonatório. Para lugar de responsabilidade e da maior projecção da sua real imagem, o PSD (ou, como outros preferem o PPD) escolhe um dos seus piores elementos. Cansado de “andar por aí” e ainda não refeito dos traumas que o fizeram refugiar-se na incubadora, eis que o “lobby” do “menino guerreiro” de triste memória consegue fazer impor o seu chefe de fila, o líder da equipa santanete que congrega o que se supõe ter sido a fina flor daquilo a que Vicente Jorge Silva tão expressivamente designou, já lá vão alguns anos, de “geração rasca”…

E note-se que a candidatura do imaturo SL teve o beneplácito da cúpula do partido!

É um daqueles casos em que dúvidas nos restam sobre se o que dirigentes desse partido pretendem não será mesmo verem-se livres de empecilhos e de incomodativas figuras “chutando-os” para cima…

Santana Lopes e a insensata “turma” dos seus fãs garantem que o “menino guerreiro” está pronto a conquistar a Câmara de Lisboa.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

EMÉRITOS BENFEITORES DA HUMANIDADE

Muito se tem dito e escrito sobre a matéria da crise financeira que se abateu sobre as mais florescentes economias e que afinal se constatou serem "economias de casino", eivadas de "produtos tóxicos".
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Os
experts na matéria não se têm poupado a esforços para atenuarem os efeitos do alvoroço que o assunto provoca…
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Outros comentadores – mormente na blogosfera – apresentam versões ou excessivamente catastrofistas ou menos espalhafatosas, conquanto mais mordazes…
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Mas que o assunto é sério e que é com inteira razão que alguns comentadores falam nos mil e um cuidados com que o poder acautela as consequências dos desastres dos grandes gestores e dos mais destacados financeiros, aplicando receitas de tratamento e restabelecimento dos seus sobressaltos e das sua ruinosas gestões à custa dos contribuintes, vários especialistas o têm admitido.
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Não se trata de um especialista, mas ainda hoje Mário Soares, que, por vezes, tão compreensivo se mostrou com tão eméritos benfeitores da humanidade, veio hoje a terreiro defender a justeza da indignação dos atónitos cidadãos, na sequência de tão grave e criminosa actuação de tais gestores sem escrúpulos, com um artigo no DN -
A CRISE E OS MILHÕES – que rezava: «A crise aprofunda-se e generaliza-se. Os Estados desviam milhões, que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas. Será necessário. Mas o povo pergunta: e as roubalheiras, ficam impunes? E o sistema que as permitiu - os paraísos fiscais -, os chorudos vencimentos (multimilionários) de gestores incompetentes e pouco sérios, ficam na mesma? E os auditores que fecharam os olhos - ou não os abriram suficientemente - e os dirigentes políticos que se acomodaram ao sistema, não agiram e nem sequer alertaram, continuam nos mesmos lugares cimeiros, limitando-se a pedir, agora, mais intervenções do Estado, com a mesma desfaçatez com que antes reclamavam "menos Estado" e mais e mais privatizações?Pedem-se e pediram-se sacrifícios para cumprir as metas do défice, impostas por Bruxelas. Mas, ao mesmo tempo, os multimilionários engordaram - os mesmos que agora emagreceram na roleta russa das economias de casino - e os responsáveis políticos (os mesmos, por quase toda a Europa) não pensam em mudar o paradigma ou não anunciam essa intenção e não explicam sequer aos eleitores comuns, os eternos sacrificados, como vão gastar o dinheiro que utilizam para salvar os bancos e as grandes empresas da falência, aparentemente deixando tudo na mesma? E querem depois o voto desses mesmos eleitores, sem os informar seriamente nem esclarecer? É demais!»
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Dos tais outros opinantes, veja-se este exemplo, brasileiro, que hoje recebi por mail.
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Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.
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«Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?

É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.

Os slides se sucedem.

Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.

Durante décadas, vimos essas imagens.

No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.

Resolver, capicce?
Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.

Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bilhões nos EUA, 1.5 trilhões na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.

Se quiser, repasse, se não, o que importa?
O nosso almoço tá garantido mesmo.. .»


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Enquanto à cabeceira de tais enfermos se sentar vigilante, preocupado e pronto a reanimá-los, o Estado... Sem curar de saber da responsabilidade dos mesmos na etiologia da doença e nas suas consequências epidémicas... Nada feito.


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HUMOR BRITÂNICO

Letter to the Bank

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Dear Sirs,

in view of current developments in the banking market, if one of my checks is returned marked "insufficient funds", does that refer to me or to you?

Sincerely Yours,

John Smith-Jones...
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(o humor britânico e o sinal dos tempos, recebido hoje por mail de um amigo).

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(postado, também, no Marmita filosófica...)

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

INTERLÚDIO

Duas vozes extraordinárias juntaram-se em 1996 para o desempenho dum retumbante sucesso de vendas e audições, dominando o top ten dos mais aplaudidos cd’s durante mais de seis meses em todo o mundo: o tenor italiano Andrea Bocelli (1958) e a soprano britânica Sarah Brightman (1960), na interpretação de
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Time To Say Goodbye
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domingo, 14 de dezembro de 2008

UM PAÍS DE BALDAS



1. A história dos deputados da balda fez correr muitos bytes e ainda causa alguma estranheza em pessoas pouco informadas acerca da verdadeira natureza de certos deputados, sobretudo de partidos da direita.

(Se arrisco a afirmá-lo é porque é um facto comprovado suficientemente)

Luís Afonso deu até uma ajudinha na sua habitual rubrica semanal em matéria de opinião no Público, “Preto, branco… e também cinzento”.

2. O governo de Sócrates não foi ainda objecto de extra-manifestações como as que decorrem desde há dias na Grécia. Mas já fez mover manifestantes em números muito expressivos.

Que uma certa esquerda do PS se conforme com a situação


(veja-se o apelo recente de Mário Soares…)
não causa grande espanto.
(… Mário Soares que há algum tempo reconheceu
que já seria altura de o actual líder do partido e do governo
se tornasse um bocadinho democrata… Lembram-se?)
(O Dr Soares terá fraca memória, mas eu não,
eu não tenho assim muito má memória…)
Mas o silêncio de outros membros do mesmo partido sugere-me condescendência. Anuência, claro, segundo o ditado. Talvez alguma expectativa! E esperança!
(Será? Mas como? Por quanto tempo? Até quando?)

Ouviu-se uma Ana Benavente – que não é, exactamente, uma figura de proa do partido…
Ouviu-se, mal, um Manuel Alegre, pouco actuante, um tanto confuso, pouco convincente…
Ouviu-se, de raspão, e sem qualquer ressonância um João Cravinho…
Mas onde param um Jorge Sampaio, uma Ana Gomes, um Ferro Rodrigues, um Vera Jardim…
(Ana Gomes até se ouve com certa frequência…
Mas sobre assuntos dos seus pelouros de deputada
- premiada e reputadamente “activa” -
do Parlamento Europeu…
Mas quanto aos assuntos “domésticos”… Aos costumes…)

3. O congresso das esquerdas será capaz de concitar alguma unidade que com uma actuação consequente produza um desejável efeito mobilizador de vontades e de políticas realmente de esquerda?

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DAVID REGRESSOU A ITÁLIA

David, de Miguel Ângelo, fez um tour pelos Estados Unidos, durante dois anos.


David, à partida para o tour







David no regresso à Itália



Viagem realizada com o alto patrocínio de:






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sábado, 13 de dezembro de 2008

QUESTÕES DE SEMÂNTICA. APENAS

Na praia, como em quase toda a parte, existem zonas boas e zonas más.
Existem zonas mais convidativas e agradáveis que outras.
Aquela, por exemplo, de altas e difíceis escarpas, de rochas e incomodativos calhaus e com menos interessantes veraneantes no horizonte visual... E então com aquele monstrozinho de fato de banho quase a rebentar por todas as costuras, com badanas, pendurezas e outras excrescências querendo soltar-se à menor abertura que se lhes ofereça!
Aqui está o que pode chamar-se uma zona má.
Ou seja, uma mazona.

Bem ao invés, e logo ali quase junto, deparamos com uma outra zona, mas esta agradável, com areal de fina areia, bem frequentado, com paisagem muito agradável à vista onde o Sol ajuda a aquecer e bronzear os corpos, já que os ânimos estão serenos e em cálida temperatura, com tão reconfortante visão.
E é assim que, ao lado daquela louraça de biquini, somos surpreendidos com a presença, na mesma zona, de uma morena senquini, esbelta e com temperos tais que nem de Sol precisa para melhor se bronzembelezar.

É o que se pode chamar de uma boazona.


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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O BOM SAMARITANO

Os políticos (a rafeirada da classe, óbvio) e os homens de negócios (os trogloditas do grémio, evidente) são hoje, e cada vez mais que nunca, afoitos e destemidos.
E por uma simplicíssima razão: geralmente o crime (onde, por norma, a sua actividade desemboca) compensa.
Esses políticos e tais empresários formam, geralmente com o mundo da “bola”, as mais promíscuas associações.

O caso recente de Oliveira e Costa ter sido preso, não vai passar de um arremedo de justiça… Não tarda nada que a criatura se ponha a salvo e esteja em Londres, ou no Bahrein, gozando dos seus suados rendimentos.
Ou então o processo começa o seu curso, mas, mais uma vez, a culpa vem a morrer solteira.

Claro que nestas coisas há sempre, entre a turba de tais acelerados empreendedores, algumas vítimas inocentes.

É, dizem por aí, o caso de Dias Loureiro. Desde o seu “grito de ipiranga”, lá pelo Verão de 1987 (“pai… Sou ministro!” – imediatamente celebrado no estabelecimento do progenitor pelos circunstantes com um copo três de tintol, acabadinho de sair da pipa, ali à mão, e logo escorropichado dum trago), desde esses idos que a vida lhe corre bem: de ministro a gestor de empresas foi um instantinho. De gestor de empresas de outrem a administrador dos seus negócios… foi um pulo. E desde então tem sido um multiplicar de empresas e de actividades, e de negócios desde o Porto Rico à Falagueira, desde a parceria do amigo libanês Abdul El-Assir à do amigo marroquino ou da Buraca…

Mas sempre dentro do máximo rigor de lisura e seriedade, insistem em segredar-me.
Aliás, nem admira: quem se acolhe, assim, a um peito e um ombro amigo, só merece a melhor consideração e as melhores referências…
É ou não é?



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Uma sombra assim amiga… só mesmo a inocência a merece!
Depois… A candura do seu fácies.

Vá! Deixem o senhor sossegado!

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

MANOEL DE OLIVEIRA



Manoel de Oliveira responde a Antonio Tabucchi (03.07.2008)

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JRC, no seu blogue PONTEIROS PARADOS, deixou um interessante apontamento sobre Manoel de Oliveira.

Deixei ali um comentário a propósito, que me apresso a transcrever para estas páginas, antes que a festa do centenário do “mestre cineasta” (as palavras são dos entendidos) termine, com a chegada da meia-noite e a entrada do Manoel no seu segundo século de existência.

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«Ponteiros parados.

Não, não é o relógio de Manoel : desse ainda não pararam os ponteiros.
O relógio de Manoel é, por certo, atendendo à sua vetustez, um relógio de corda. Corda essa, do relógio de Manoel, que não deslassa.

Manoel esquece, não os seus, mas os ponteiros do relógio dos seus filmes... Como se foram parados!
Aí, o tempo desliza mais mansamente, num movimento de contemplação de imagens múltiplas e belas, de sentimentos diversos de remansosa suavidade. Num vagaroso andamento de delirante sublinhado de uma paisagem, dum olhar, dum regato e dos seixos da sua margem, duma silhueta. No curso de memória reflexiva de memórias outras, tantas, evanescentes, umas, quantas de eterna recorrência do pulsar de uma vida, da fugacidade de um olhar, da doce dormência de duas bocas que se colam, selando juras inesquecíveis.

Como se foram parados, os ponteiros?
Parados, mesmo, nessa ilusória evasão do tempo.

Ponteiros parados!»


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Parabéns, Manoel!

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

SABEDORIA POPULAR

Olhos que não vêem, coração que não sente.

Força de expressão?

De novo o pomo da questão está no órgão vital. A vista pode não abarcar o “objecto”, mas nem será por isso que o coração deixará de o sentir. Ou então foi este que “deixou cair” o que a visão consequentemente (ou previamente) deixou de captar. Por motivos "maiores".

Da
força de um à expressão da outra.


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UMA PASSAGEM DE «SILENT WOODS» DE DVORÁK


Yo Yo Ma (n. 1955) é um músico norte-americano, nascido na França, mas de origem chinesa, que é considerado, pelos entendidos, um dos mais exímios executores de violoncelo da actualidade.

Temos aqui Yo Yo Ma a interpretar uma peça de carácter lírico de Dvorák que recebeu em inglês o nome de
Silent Woods.
O autor da conhecidíssima
Sinfonia do Novo Mundo, que nasceu (1841) e morreu (1904) no Império Austríaco, em território hoje da República Checa (aliás foi em Praga que se deu o seu passamento), compôs primeiramente esta peça (Op 68) para piano a quatro mãos (B 133), em 1883, depois transcreveu-a para violoncelo e piano (B 173), em 1891, finalmente para violoncelo e orquestra (sempre a mesma Op 68, mas agora classificada B 182), em 1893.
Como logo se deixa ver, é sobre este último arranjo (sobre um dos seus andamentos) que versa a apresentação deste pequeno vídeo de Yo Yo Ma, sob a direcção de Seiji Ozawa.



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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

INTERLÚDIO


Espectacular a performance dos dois ginastas deste pequeno vídeo, numa manifestação de incrível força, destreza e rigor, num síncrono e pausado movimento do corpo em máxima tensão, quais atletas greco-romanos balanceados numa simétrica e equilibrada harmonia que atinge o seu ápice em números de rara e espantosa arte e beleza, muito próximos da magia.

Soberba esta actuação do “Cirque du Soleil”, companhia circense canadiana, de Montreal, fundada em 1984.

É a expressão corporal num dos seus zénites.

video

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

MICROFONE INDISCRETO

- Sra Ministra, estamos, na realidade, num momento difícil para implementar o que o superior interesse do país nos exige em matéria de educação: pôr nos eixos esses corrécios dos professores.
São eles que atrapalham o nosso objectivo de atingir níveis nunca antes vistos nem igualáveis, intra e extra muros, em matéria de resultados no ensino oficial, como, de resto, as estatísticas oficiais documentam.
- Mas, ó Walter! Serão os professores, mesmo, mesmo, prescindíveis como afirma esse lince do nosso Pedreira?
- Prescindíveis, absolutamente prescindíveis... – convenhamos, Sra Ministra – não direi tanto. Ah! Mas são um elemento pouco importante.

- Mas sabe, Walter, alguém me fez suspeitar que eles tenham alguma influência no nosso projecto... E, mais, suponho – como me sugeriram – que terão algum peso na sua concretização...
- O quê, Sra Ministra?! Como? A greve? Oh, mas isso é coisa que cai com facilidade no esquecimento...

- Acha, Walter? Constou-me (não pelo Pedreira nem pelos nossos informadores habituais) que os media internacionais (e os nacionais de maior referência) apontaram para valores muito próximos da unanimidade, da totalidade dos docentes... E isso não é relevante, Walter?
- Claro, Sra Ministra, que não foram os 7 ou 8% com que o Pedreira sonhou e diz ter conseguido apurar com a melhor vontade, muito a custo e muito por cima!
- Não pense, Walter, que ele é um visionário, um sonâmbulo! Ele é, sim, um muito fiel colaborador. E pessoa muito sagaz...

- Mais fiel que inteligente, se me permite a opinião!
- Walter!

- !!!
- Não subestime tão devotado colaborador, Walter...
- Irei pesar os seus “skills cognitivos” e detectar a eventual “diferencialidade” que possa manifestar relativamente ao mais comum dos “básicos” docentes...
- Deixe-se, Walter, da sua propedêutica e rasteira (essa do “básico”!...) análise às qualidades pedagógicas do meu fiel colaborador, e prossiga. Falávamos dos conturbados tempos que não nos deixam trabalhar com o rigor e afinco nos nossos objectivos... Da indómita e perversa atitude dos professores...
- Pois é, Sra Ministra: e a avaliação?
Sim, se dermos crédito a essas insinuações dos media nacionais, infelizmente corroboradas pelos internacionais, as coisas não vão de feição... Prescindíveis que sejam, em larga medida, os docentes, sem eles será ligeiramente mais difícil...

- ... Atingirmos a nossa meta! Ligeiramente, concordo.
Bem, mas meu bom e fiel Walter (e valoroso, não esqueço), não será para já que a nossa inspirada e justérrima avaliação cederá a uma outra com o mínimo
placet desses soberbos perturbadores dos nossos intentos!

- Mas... Como diz? Está no horizonte da Sra Ministra claudicar?
- Calma, meu inefável Walter, não me conhece. Antes: não nos conhece, a mim e ao líder do nosso governo. Poderá estar no nosso horizonte prometer a sua alteração. Prometer, meu inteligente amigo. Prometer para um futuro que talvez nos não pertença, já...
- E se pertencer, grande educadora?
- Nessa eventualidade, pura e simplesmente esquecemos o prometido.

- Mas, e no imediato, acha a Sra Ministra que o numeroso adversário cederá com apenas uma promessa?
- Ensina a experiência, meu caro colaborador, que, nestes reinos, na generalidade dos casos, prometer serena os ânimos e sossega as hostes inimigas. Logo se verá!


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sábado, 6 de dezembro de 2008

INÉDITOS: MARGINÁLIAS PESSOANAS




O jovem colombiano Jerónimo Pizarro de 31 anos, expert em matéria pessoana, investigador visitante do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e coordenador de uma equipa que se dedica, sempre na mira da sua completude, ao estudo do insigne bardo, deixa-nos, no penúltimo número do JL 19NOV/02DEZ), alguns inéditos de Fernando Pessoa (que assim assinava mais frequentemente do que Pessôa, ortografia então igualmente correcta).


Esses inéditos são anotações do poeta nos seus livros e que ora consistem em comentários, ora em sublinhados, ou em versos, por vezes. Impressões, em suma, nas margens ou na contracapa dos livros que formavam a sua biblioteca. Fragmentos, afinal, ou marginálias, digitalizados (muitos milhares de imagens) pelo jovem investigador.
“É possível reconstituir uma espécie de bibliografia intelectual de Pessoa, lendo a as suas leituras, com todas as marcas que deixou durante anos e anos” – explica Jerónimo Pizarro na entrevista concedida ao JL (cit número) e conduzida por Francisca Cunha Rêgo.

Recorda Raquel Nobre Guerra – uma das colaboradoras da equipa coordenada por Jerónimo Pizarro e por Patrício Ferrari – que
“Pessoa escrevia nas margens dos livros, nos espaços em branco e onde houvesse espaço para reter o ápice do seu pensamento. As marginalia coexistem com a sua obra numa autonomia que deve ser lida numa mesma linha hermenêutica do seu corpus poético”.

Das muitas marginálias (a equipa prefere usar o equivalente marginalia, sem dúvida mais erudito – do latim «marginalia») que já foram coligidas e digitalizadas, deixo aqui apenas algumas das que foram publicadas no mencionado número do Jornal de Letras, Artes e Ideias, integrando o tema desta edição com oito páginas sobre Fernando Pessoa, e que, para além dos referidos Inéditos, deixa entrevistas com destacados pessoanos, e ainda “um texto revelador, sob a forma de irónico diálogo entre Pessoa e o seu heterónimo Álvaro de Campos”, da autoria de uma das mais destacadas pessoanas, Teresa Rita Lopes. Tudo isto no ano em que se assinalam os 120 do nascimento do poeta, a dias do colóquio internacional sobre a sua vida e obra, que decorreu de 25 a 28 do mês passado, e, igualmente, a poucos dias em que se comemoraram os 73 anos do seu passamento, no derradeiro dia do mesmo mês.

Deixo os inéditos com a grafia do autor e (para não alongar excessivamente esta abordagem) sem os comentários que os acompanham pelos diversos elementos da equipa multinacional e multidisciplinar coordenada por aqueles dois investigadores, salvo alguma excepção.

Excepção que, desde logo, é aberta na primeira anotação que transcrevo, e exactamente do co-coordenador da equipa:

“Epitaph on a Portuguese
.
monarchical politician
.
..
Here lies a public man of
.
estimation
.
Who governed when his
.
country _____ grown
.
He made his own the
.
sermons of the nation
.
And made the nation’s
.
treasury his own
.
12/6/08” (1908, claro)
.

Na verdade, Patrício Ferrari assinala a presença do epitáfio no livro
The Poetical Works of Thomas Chatterton, de 1886, escrito a lápis na contracapa, tratando-se de “uma forma poetica praticada por Search” (como se sabe um dos seus pré-heterónimos – tal como Charles Robert Anon, “a quem Pessoa atribui uma série de ensaios críticos”).

Pessoa deixou outra anotação no livro de John M Robertson,
Modern Humanist, de 1908:
“Somos um intervallo
.
entre dois intervallos – a
.
vida (espaço entre a
.
nascença e a morte) e o
.
tempo (espaço entre
.
a eternidade e o
.
ephemero).
.
Nós somos uma faúlha que
.
se apaga num vento que
.
passa / sem que possamos
.
dizer que o sentimos
.
passar/”.
.

Outra interessante anotação foi a que o poeta deixou em John M Robertson,
Browning and Tennyson as Teachers. Two Studies, de 1903:
“A poesia é o rhythmo
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verbal formalmente bello”.
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Em A. N. Whitehead,
An Introduction to Mathematics deixou este comentário:
“A arte clássica é um caso
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particular da arte, como o
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circulo é um caso
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particular da ellipse”.
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Já em Thomas Carlyle,
Sartor Resartus; On Heroes, Hero-Worship and the Heroic in History; Past and Present, de 1903, anotou:
“Tell me what thou belivest
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and I shall tell thee what
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thou art” (onde, como se sabe, thee é um arcaísmo poético equivalente ao português te, ti; e thou art equivale a you are).
O comentário a esta anotação é do próprio Pizarro que contrapôs o “Of a man or of a nation we inquire, therefore, first of all, What religion they had” de Carlyle com aquele “tell me what thou belivest… thou art” anotado por Pessoa no seu exemplar do mesmo autor. Como se vê (é Pizarro que fala) não se pode ler Carlyle como se lê Carlyle anotado por Pessoa. Daí que Pizarro conclua: “as anotações” fernandinas “criam um novo leitor e afinam a sua sensibilidade”.

Pessoa deixa ainda a marca do seu “repúdio sistemático de todas as formas de dogmatismo” na seguinte nota a lápis, qual “confirmação aforística”, em
Short History of Freethought, vol II, de John M Robertson, 1915:
“Qualquer crença conduz à
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intolerancia. Só pode ser
.
tolerante o pseudo-crente,
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ou o agnostico”.
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Por último, mas da minha selecção dos que o referido número do JL deu à estampa, a págs 16 e 17, veja-se este poemado apontamento de FP, aparentemente incompleto, no livro de W. Bell, Palgrave’s
Golden Tresury of Songs and Lyrics, 1902:
“Pede a Deus suavemente
.
Com tuas mãos pequeninas
.
Erguidas para o céo,
.
Que nunca _____
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Da patria _____
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Se diga _____: morreu”
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

FILOSOFIA DO CORNO CONFESSO E MANSO

video

Recebi em anexo a um mail. E tanto quanto me quis parecer circula como matéria de evidente gozação.
Experimentei ver o vídeo de um outro jeito.
E parece-me bem possível este ângulo de leitura.

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O safado do brasuca vai mesmo muito bem.
Isto não é mais que uma "conversa da treta", mas num monólogo dum "tony" cujo nome desconhecemos.
O cara é convincente, destemido, afoito.
E sereno. Tão sereno como se divagasse acerca da pesca da truta no rio Minho ou no Lima.

É sem qualquer sobressalto que fala do galhudo (
cornus tristis solitariusque, de seu nome científico).

Não fala dele como se de uma fatalidade se tratasse. Antes como uma característica feliz e heróica com que nasce qualquer homem.

Faz a apologia do dito e legitima o seu papel, tirando-lhe a carga que o torna objecto da gozação ou da comiseração geral.

Mais que legitimar, o pantomimeiro invoca o orgulho de ser isso mesmo. Parece, inclusive, querer defender que sem o ser nunca se pode ser feliz.
Esclarece, até, o benefício que lhe pode advir de proveitosa transacção de sua companheira com outros parceiros.

Atrevido, na perspectiva de alguns, argumenta placidamente, com a naturalidade de quem fala de uma trivialidade, como antes referi.
Como se tal característica fosse um normal requisito de qualquer homem, recordo de novo.

Alguma vez se lhe viu um sorriso denunciador da comédia?

Nunca, durante a exposição, cheia de argumentos mais que abonatórios da honrosa condição, alguém lhe adivinhou o sorriso malandro.

Nunca?
Nunca, não.
O cameraman não cortou a tempo, e, mesmo no final, no derradeiro instante da apresentação, o magano solta o sorriso safado que sempre conseguiu conter do melhor jeito durante a ousada cena.

Muito bem representado, o chifrudo. Muito boa performance do actor.

Sustentar o nonsense, defender o indefensável, fazer a apologia do reprovável (nos nossos normais parâmetros) serão, estou em crer, os quadros mais difíceis da comédia.

O que o "moleque" conseguiu da melhor forma.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

PSD COM NOVA DESIGNAÇÃO

Consta que não foi em vão que a actual líder do maior partido da oposição (até ver) manteve um profundo silêncio.
Analisava novas propostas de abrangente reforma do partido a apresentar aos respectivos órgãos decisórios, a primeira das quais se prende com o respectivo símbolo e designação, sendo que mantém o símbolo e a sigla, mas passando esta a ter um novo significado, de acordo aliás com recentes afirmações suas em que já revelava o germen da mudança agora concretizada, como a seguir se deixa ver.
Teremos, pois, o novo



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O CIDADÃO PERPLEXO!


Luís Afonso tem razão: com os males dos outros... (Claro!)

(in Luís Afonso/Público Dm 30NOV08/”Preto, branco... e também cinzento”)
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