domingo, 30 de setembro de 2007

ENTIDADE DAS ENTIDADES

tela de Artemisia Gentileschi (1593-1652)



Foi a entrevista, de hoje, ao Diga Lá Excelência (Público+RR), que me deu o mote para esta postagem.
Era entrevistado o presidente da “Entidade das Contas”. Sic!

Atónito com cada nova função que vai surgindo, fiquei-o, naturalmente, com mais esta: Entidade das Contas!
Procurei indagar, esclarecer-me um pouco mais: “Entidade das Contas e Financiamentos políticos”, algo ligado à vida partidária e que funciona junto do Tribunal Constitucional!!!

A um desprevenido (e sobretudo se idoso) cidadão, podia parecer que para atender aos anseios das diferentes clientelas partidárias, o problema, a dificuldade, poderia estar - esquecida, evidentemente, a questão ética - no eventual (mirabolante, claro) embaraço que aos responsáveis poderiam trazer os encargos que acarretassem para o erário público.
Mas, qual quê! Por aí... Tudo óptimo. É só ter imaginação e avançar com as entidades que apetecer!
Dá para todos. E mais que foram.

A questão reside, apenas, na criatividade dos criadores de lugares, todos situados no mais alto plano possível (pelo menos junto do Tribunal Constitucional), com vencimento equiparado ao de ministro, carro (com gasolina, seguros e manutenção), motorista, duas secretárias, oito assessores, vinte e dois administrativos, cartão de crédito (com um discreto limite de 250 mil euros), telefones, etc.

E então criam-se entidades disto e do outro. Os protegidos estão garantidos e a festa vai por aí fora.

É assim que, com a Entidade das Contas já foram criadas, ou aguardam conclusão (aí, muito rápido o processo):

- Entidade dos Estatutos
e da elaboração dos pactos ou arranjos de que os mesmos careçam;

- Entidade das Sedes
e do mobiliário respectivo;

- Entidade das Bandeiras
e dos mais símbolos;

- Entidade dos Folhetos
e da mais propaganda;

- Entidade dos Cartões
e de outros dispensadores de benesses;

- Entidade das Mediatizações
e dos mais recursos de prospecção pessoal;

- Entidade dos Comendadores
e de outros desinteressados beneméritos;

- Entidade dos Colocadores
e dos mais recursos humanos;

- Entidade dos Fiscalizadores
e dos mais recursos desumanos;

- Entidade do Património
e de outras dádivas de empresários da construção civil;

- Entidade do Voto
e dos designadores de liquidadores de quotas;

- Entidade da Cultura e
da organização de outros repastos;

- Entidade da Solidariedade
e da gestão de outros negócios;

- Entidade Paroquial
e do desenvolvimento de parcerias com a igreja católica;

- Entidade da Imagem
ou da organização de claques e manifestações espontâneas.


E mais, muitas mais vão surgir.
Sim, não vá pensar-se que nos vamos quedar pela Entidade das Contas!
Nem pensar.

Claro que, para já, falta a cereja: a Entidade das Entidades.
Que não deve tardar.


sábado, 29 de setembro de 2007

AS DIRECTAS

as diferenças são mínimas...
(clique na imagem)



É o assunto do dia, a seguir ao Mourinho e a outras novelas.

No respeitante aos candidatos: embora para a generalidade as diferenças sejam mínimas... Sempre são diferenças.


Costuma dizer-se, em circunstâncias que tais: do mal, o menos.
Mas é que não foi o caso. O que aconteceu foi do mal, o pior.

E há quem faça leituras bem apocalípticas deste resultado.
O que eu não faço, pois que o apocalipse deixou de ser futuro.

Não são apenas os férreos governantes birmaneses que são ultra-supersticiosos. Entre nós também os há. E com tamanha sorte, os nossos, que os astros se têm conjugado da melhor forma para conseguirem os seus intentos.



As graçolas, durante a campanha para as directas do PPD, insistiam, invariavelmente, na tónica das estaturas.
E foi, na verdade, por uma questão de estatura que o acto eleitoral se decidiu: escolheu não o menor, mas o minúsculo.

MM, terá as suas historiazitas mal contadas (conivências isaltinescas com reflexos atlânticos)... Mas isso pode ser uma bagatela ao pé dos telhados de vidro do sr Lopes2.

O país, para além de cada vez mais floribélico, está cada vez mais refém de chicos espertos populistas.

Os eleitores do sr Lopes2 não se terão apercebido de que poderiam estar a eleger um eventual primeiro-ministro, cargo para que se costuma exigir um perfil de gente responsável, madura, competente e de irrepreensível verticalidade...

E não aceito, a propósito, duas observações, a que respondo antecipadamente:
1º - os maus exemplos não são para ser seguidos;
2º - a eventualidade de a troca da Buenos Aires por S. Bento só para daqui a 30 anos, também não colhe.




Para quando o surgimento de certas reservas da República?
Como eles demoram tanto a aparecer, será a próxima geração de políticos que vai pegar na vassoura e limpar isto?

Não podem é demorar muito, senão já não encontram o país.



sexta-feira, 28 de setembro de 2007

POR MOR DAS DÚVIDAS











A sorte dos audazes. Quando é o símbolo dos fracos, irresponsáveis e imaturos.
O que eu nunca vi, nem alguma vez ouvi dizer que tenha sucedido (tão pouco militante telespectador sou, na realidade), foi isto que agora aconteceu.

Claro que não deixei aqui, nem posso deixar, é a referência eufórica e encomiástica dos jornais.

Não aplaudi a criatura. Mas deu-me muito gozo ter sido um impostor, um inconsciente e um irresponsável a pôr o dedo no nariz da sra tv.
Lá isso, deu.
Só isso.

Ou então, a cacha que me ofereceram, não me serviu para incensar o trambolho do menino guerreiro da incubadora. Mas antes para, cheio de gozo, ter mostrado que foi um frívolo, um oportunista, um insensato e um irresponsável que chamou de pirosa e irresponsável à D. Tv.
(Que horror! – dirão as outras sras, naquele gesto estudado da mão na boca)

É o ridículo no seu máximo.
É o moderno 2 em 1: dois (inesperados?) espectáculos num só.

Não me converti em santanete (talvez fosse mais fácil transformar-me num acérrimo defensor de AJJ). Impossível (admitindo que ele existe).

Já agora e a propósito imaginemos: um relato ou uma foto revela-nos Hitler, um dia, afagando a cabeça de uma criança e dar-lhe um beijo.
Isso modificou alguma coisa?
Absolutamente nada.

Acontece que um desclassificado, por puro acaso, um dia distrai-se e faz uma coisa acertada!
Acontece. Mas, e daí?
Estamos perante outra pessoa?
Não. Exactamente a mesma.



Dois ou três comentários e, sobretudo, alguns silêncios, fizeram-me reconsiderar e corrigir, não o sumo, a substância, mas a expressão.


quinta-feira, 27 de setembro de 2007

CASO ESMERALDA OU O DESCALABRO DA MEDIATIZAÇAO DA JUSTIÇA

imagem de natasha gudermane





Rezam as crónicas.
Das que servem de predilecto alimento à venda de papel e ao crescimento de níveis de audiência dos utilizadores do éter.
Gera-se a ensurdecedora confusão. Que afasta a inteligência. E a sensatez.

Ouvi-o, hoje, no Fórum da TSF. Escapou-me o seu nome e o do órgão da Ordem dos Advogados de que é titular.

Raramente se ouve alguém falar com tanto acerto. Subscrevo, na íntegra, a sua análise do problema e a sua conclusão.

E não sou arrastado por qualquer pendor corporativista. Que – como já expliquei – não existe.







Tanta pompa! Tanta “circunstância”! ... E, afinal, o rei vai nu.

Não é o caso que está em causa. É o sistema.
Não se discute a bondade, ou não, da decisão ora conhecida.
Para esse interveniente no Fórum, tal decisão não vem senão sublinhar como o sistema é absolutamente ineficaz.

Em quase toda a parte, mas sobretudo em Portugal é assim:
das duas, uma: ou o processo jurídico cai no goto dos “glutões” dos media – e, é garantido, temos o descalabro; ou não cai – e é o manto do esquecimento, da inoperância, da indiferença, da negligência que sobre ele se lança.

Este caso é paradigmático da “atenção” dada à árvore: muitos interesses em seu redor, com muitos interessados no seu aspecto, que não na sua essência: uns, talvez, preservando-a, mas muitos outros, a grande maioria, destruindo-a, sem dúvida, conduzindo-a à maior decrepitude. À completa destruição.
E a floresta?
Ninguém se importa com ela: as outras árvores crescem ao puro abandono, sem o mais elementar acompanhamento, tornando-se raquíticas e mortas, umas, rodeadas de elementos daninhos e destruidores, outras.
A floresta, aqui, é uma selva onde nada de bom pode germinar.

Para além do negativismo dos aspectos mediáticos que o envolvem, nada ficou tão acentuadamente esclarecido com este caso como a carência absoluta, muito grave e muito preocupante, do sistema no tratamento destas matérias.

Não há, apenas, que criar tribunais de família e de menores...
Fechá-los, como já se viu, é dramático. Mas abri-los, apenas, sem cuidar de lhes dar condições materiais, técnicas e humanas de, em abono da justiça, algo fazerem de proveitoso, sensato e útil em prol de crianças tão cedo mergulhadas num trágico mundo hostil, isso é ainda muito mais dramático.

O caso Esmeralda vai restar, apenas, como um caso de eleição de um público, já de si atreito ao melodrama, e ainda para mais manipulado por gente sensacionalista.
E o sensacionalismo é, desta vez, como sempre, a antítese da inteligência e da serenidade indispensáveis ao tratamento de quaisquer questões graves e sérias, como a presente.

Até quando?


POR FALAR DE NÓDOA...

imagem de kaos
Santana Lopes

Costuma-se dizer que no melhor pano cai a nódoa. Pois talvez seja caso para referir que, de quando em quando – raríssimamente, ou: muitíssimo raríssimamente – acontece que na pior nódoa cai o melhor pingo de ouro.

Na verdade, se eu não lhe dou importância nenhuma, poucos são os que lhe dão alguma.

Para não gastar mais latim, o sr é um desastre e uma grande nódoa...

Mas aqui, nesta circunstância...

Bom, aqui, a encararmos o assunto como os media (a SIC, no caso) no-lo apresentam... O moço bem pode ir a correr ter com a mãezinha dele e dizer: “Mãe! Fiz uma coisa bem feita na vida”!...

Ora vejam só:
SANTANA LOPES VERSUS JOSÉ MOURINHO VERSUS SIC NOTÍCIAS

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

OS NINHOS DE CUCOS



Ao país que lhe interessa quem tem razão na problemática dos pagamentos de quotas de militantes ou na do voto dos sociais-democratas açorianos?

(Que bem vistas as coisas até seria interessante um estudo que revelasse os principais motivos de tal não pagamento de quotas. Até porque o pagamento por interposta pessoa pode desrespeitar o princípio da porta aberta, fundamental na matéria)

Para o país, em princípio, o assunto que torna desavindos os candidatos ao próximo embate eleitoral, é uma escaramuça interna. Que apenas ao partido respeita. E que, se calhar, nem a ele interessa.

(A menos que esteja em causa o tal princípio básico da porta aberta)

No entanto, como soe dizer-se, e hoje repete Paulo Ferreira no seu Editorial no Público, “já a perspectiva de falta de uma liderança forte e credível” no PSD “é um problema do país”.
E se a concorrência é muito importante para que nenhum governo adormeça, no suave remanso que a falta ou ineficácia de uma oposição sempre favorecem, e acorde com manifestações de autoritarismo, a esta somem-se outras carências, menos eventuais do que se possa supor, como a da pobreza ideológica deste governo, revelada por “um facto verdadeiro”: “a progressiva deslocação para a direita do PS” – palavras, ainda, do editorialista.

O que, nesta luta para conquistar a liderança do partido, devia estar em causa era a construção de uma verdadeira alternativa que, em termos democráticos, é sempre recomendável. Mesmo que essa alternativa não atinja o poder, e enquanto dele estiver afastado, desempenhará, contudo, um forte incentivo.

Estas, sim – e não as pequenas tricas – devem mobilizar ânimos e correntes internas do partido.

Até porque o fortalecimento do PSD levará a que reclame para si um espaço, à direita, que o PS tem estado a ocupar. O que provavelmente desencadeará, na oposição interna deste PS, a reabilitação do primitivo partido.

Ganhará o país, com a transparência da democracia. Como ganharemos todos porque falamos a linguagem da verdade.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

MAIS UM TOURZINHO DE FORCE











PSD: Menezes agenda declaração pública para as 20:00 horas


Vai uma apostinha em como a montanha vai parir um rato?
Em como não se vai ouvir nada de novo e menos ainda de relevante?

Expectativa gorada: conversa mais que previsível. Apostamos?

O sr Lopes2 tem a trabalhar para ele um ex-ministro do governo fantasma e fantasmagórico do sr Lopes1... Mas (BAAaaa!!!!...), de ultrapassada e sonolenta perlenguice!

Uma apostinha em como estes estrénuos e indefectíveis defensores da democracia e do bem colectivo nos não vão convencer das suas virtudes com a parlanda de mais logo?

(Claro que há sempre uns tantos que gostam de se ver convencidos: masoquistas profissionais!)


AHMADINEJAD DIXIT




Ahmadinejad: "No Irão não há homossexuais"!

Pronto!
S’o sr diz, é porque não há mesmo.
Há lá agora?!
Admitia-se lá uma coisa dessas: tão infectas criaturas! Tão sub-humana espécie!

Os anjos (que os deve haver na corte celeste de Alá, que não apenas “montanhas” de virgens), e os hinos celestiais (talvez de índole mais guerreira no mesmo paraíso) devem causar o permanente deleite dos habitantes do ou passantes pelo Irão!

Inshalá!

(mas não acredito)




segunda-feira, 24 de setembro de 2007

PASSO

Escoam-se os derradeiros segundos (tempos infindos para os concorrentes e respectivos estados maiores) sem que algo possamos abonar a favor de um ou outro dos candidatos - como se queixava, ontem, Jorge Carreira Maia no “A Ver o Mundo” – hoje com merecidas honras de citação nos "Blogues em papel", no P2.

Pegando no bem disposto argumento de JCM, com ele acentua-se um travo que os sportinguistas preferem esquecer, ignorando a opção da criatura; Lopes 2, para maior cúmulo.

E assim sendo, se o mal há-de ser muito maior, pois que ao actual líder se releve tamanha carga negativa que o seu clubismo acarreta

De forma ligeira – porque só desse jeito é possível uma abordagem – é quanto me resta acrescentar.

Como creio que, em qualquer das hipóteses, não será o país que ganha... Que ganhe o menos mau (o que menos estragos lhe cause). Nem que, pior que do Benfica, fora do Porto.

Claro que, a todos os títulos: passo.

domingo, 23 de setembro de 2007

O CÓDIGO DAS PRESSAS







Vai, daqui a nada, para catorze anos: ex-oficial do ofício, auto-afastado de uma das corporações dos operadores judiciários.

Não estarei, apesar disso, propriamente, entre os inocentes destinatários descritos por Miguel Sousa Tavares, aqueles para quem uma espécie de histeria colectiva, acerca do novo Código do Processo Penal, está pronta-a-servir e a ser consumida: jornalistas alarmistas e público das telenovelas.

Mas quanto mais tempo passa, maior vai sendo a minha “distância” relativamente a tais assuntos. Tanto mais que, com cada vez maior frequência, até nos respectivos “bê-a-bá” já há pouca sintonia.
Assim, o meu alheamento vai crescendo a olhos vistos, por desfasamento de realidades e de seculares (mas considerados sempre válidos) princípios.

O CPP, cozinhado, na sua vertente jurídica, por um grupo de trabalho (“unidade de missão”) onde tinham assento representantes de todas as actividades forenses, sempre foi “poupado” a qualquer debate público, na sequência das alterações (importantes, algumas), que em sede do grupo de especialidade (onde a classe política melhor se entranha) iam sendo propostas e aprovadas.
Só assim (calando as vozes incomodativas) é possível, nos grupos parlamentares, encontrar tão estranha e larga concordância.
Talvez seja mais correcto confirmar que a tal “caixa de ressonância”, que o debate público devia constituir, foi calada.
Como convém a certas unanimidades.



A Justica, de Alfredo Ceschiatti (Brasília)
Ouvi-o referir, várias vezes, por “código apressado”. Que o digam os investigadores da criminalidade organizada, dos crimes de colarinho branco ou da diabólica criminalidade em carrossel.

Não admira que haja quem afirme ter este código sido aprovado pela classe política nas costas do poder judicial.
Mas mesmo que o não fora, foi, por certo, aprovado no reduto (político) do grupo da especialidade onde as mais perigosas e apressadas medidas venceram e receberam o conveniente beneplácito da aparente legalidade.

É o que, segundo alguns entendidos, se terá passado.

sábado, 22 de setembro de 2007

GUERRA DE CIVILIZAÇÕES

Vasco Pulido Valente retoma a matéria, abordada recentemente.

Não resisti, creio que a propósito, a uma mais abrangente abordagem do tema.

Na sua crónica de hoje, PV equaciona, assim, o problema: «a guerra de civilizações, que a “inteligência” ocidental» – tal como noutras eras as de outras longitudes – «persiste em pretender que não existe, entrou numa nova fase»: deixou de respeitar, apenas, ao mundo exterior para, dentro dos seus muros, alargar a acção vanguardista da jihad aos “exércitos apóstatas” e seus líderes.

VPV não se esquece de definir “a realidade básica” que sempre dominou tal âmbito de acção: «o extremismo é o único caminho para uma civilização falhada e o extremismo ganha
Extremismo de cariz religioso que a perversão do homem rapidamente arrasta para um outro de feição étnica.

Tal como ontem – desde as Cruzadas na baixa Idade Média, até à Inquisição (Santa Inquisição, recorde-se), que dominou a europa desde a alta Idade Média até à Idade Contemporânea, passando pela Idade Moderna e pelos alvores do séc XIX, extremismo que, ainda no segundo quartel do séc XX, toma a forma de limpeza e apuramento da raça (ariana) – igualmente hoje, as conhecidas acções da Al-Qaeda nos EUA, em Londres e em Madrid, mas igualmente em Bali, no Iraque e agora no Paquistão, contra o general Musharraf, refinam os contornos do mesmo irracional radicalismo.

“E o extremismo ganha” – fica a ressoar-nos na cabeça.
Inevitavelmente?
Fatidicamente?

Não creio.
A alguém caberá encontrar o antídoto capaz.
Mas deixe-se a análise dessa matéria a gente equilibrada. Nunca nas “mãos” de loucos.

Não é possível que a solução passe pela “lei de talião”, pura e dura...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O AMERICANO TÍPICO

EUA: Tiroteio em universidade deixa dois estudantes feridos

Dois estudantes ficaram hoje feridos com gravidade num tiroteio registado na Universidade de Delaware, Estados Unidos, que deixou uma aluna em risco de vida.



É a notícia.
Se não de todos os dias, de quase todos.
De hoje, por exemplo.

Os registos sucedem-se com uma cadência que, em qualquer outro país do mundo, seria preocupante.

Não na América.
Menos numa América de bushes e outros façanhudos rumsfelds e dickcheneys.

Em finais de Abril último recebi um mail de uma amiga acerca de um “fim-de-semana em família de americanos típicos”. Um pequeno vídeo era o anexo. A frase da Amélia, em letras garrafais, destacava-se, como único texto da mensagem:


«Depois admiram-se!!!»


Passei o vídeo, no N&R, em Maio.

Reponho-o hoje aqui, de novo:
“públicas virtudes”

E uma vez mais sem substituir a sonorização própria da festa e da alegria que é todo aquele espectáculo: a crepitação das balas... O delírio da metralha... As efusivas e espontâneas manifestações do mais salutar e louvável regozijo...

Não nos iludamos: à parte uma ou outra manifestação de independência de espírito, em certos media, a verdade é que a grande, a enorme massa de americanos é forjada dentro deste espírito sublinhado pelo vídeo. Relembrado a cada passo pelos noticiários.

Talvez queiram, os nossos vizinhos de além Atlântico, convencer-nos (convencer-se, a eles mesmos, óbvio) de que se trata do culto da defesa.
Uma história, é que é.

De incontrolável – mal contida e indisfarsável – agressividade, isso sim.
Tão manifestos vícios privados, ensombram, obnubilam por completo algumas das propaladas públicas virtudes da norte-americana colectividade.

Não vale a pena que os “opinion makers” dos “States” continuem a focar a árvore. A floresta impõe-se.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

AQUILINO RIBEIRO

«Vasco Pulido Valente afirma que Aquilino não deveria ter sido trasladado para o Panteão Nacional, não por ser, conforme alguns alegam, um "regicida", o que não está comprovado, mas por ser "um escritor medíocre".Considerar que Aquilino é um medíocre é, de facto, um direito que assiste a quem quer que seja. Pela minha parte, permito-me crer que Aquilino é um grande escritor e que Vasco Pulido Valente é um muito notável ensaísta-polemista. Acrescento que um escritor é-o obviamente enquanto expressão de qualidade literária, podendo sê-lo também, como Aquilino, enquanto expressão de qualidade humana.Pelo seu carácter, a sua coragem, a sua insubmissão, a sua coerência, a sua solidariedade, a sua generosidade. Tudo isto se conjuga na grandeza do escritor e do homem. Compreende-se que esta dimensão esteja ética e culturalmente datada. E cause alguma impaciência. Aos vocacionados para ela. Estou certo de que Aquilino apreciaria este ensaísta-polemista. Enquanto tal. É um direito que lhe assistiria. Além daqueles que assumiu e daqueles pelos quais lutou. Artur PortelaEstoril» - in Público/Cartas ao Director, QI 20SET07
imagem IPPAR (Wikipédia)
Panteão Nacional
Artur Portela (até há pouco o Artur Portela Filho dos nossos - geração dele e a minha - tempos de maior e mais aturada “rezingância”), rapaz do meu tempo e da minha criação (um ano mais velho, com maior rigor), tem, é evidente, anos-luz a mais que eu no ofício da escrita (além disso, a dele, com qualidade) e de experiência, nesse mundo da cultura, para poder ter a atitude, não sei se de mais benevolente complacência se de mais militante tolerância e compreensão (não, de certeza, paternalista, que essa nunca fez o seu género) para com VPV.

Eu, com o cabedal de experiência dele, teria escrito, apenas, o mesmo que ele escreveu.
Claro que, com o tal bem diferente lastro, rocei mais um evitável primarismo.

Mas, convenhamos: não será uma realidade que também, de algum modo, acabei por me conter perante o direito que a qualquer assiste de pensar diferente?
Para alguns (muitos? Todos? Poucos?) isso não ressalta do meu texto. Mas estava na minha intenção.

Bem verdade que os homens não se medem aos palmos. Nem às palmas. Medem-se, contudo, às palavras, quantas vezes. Ao seu acerto e oportunidade.

A de Artur Portela (ai as saudades que eu tenho d’A FUNDA!...) mais acertada, ainda que de igual oportunidade.

Há diferenças que são inelutáveis!

RECONHECIMENTO





















O jeito do reconhecimento. Diferente do da euforia do golo.

Cristiano Ronaldo resolveu o jogo na jornada inaugural da Liga dos Campeões.
Contra o clube onde nasceu para a sua arte.

A forma como um golo, numa campanha destas, é festejado, teve uma excepção bem assinalável no jogo d’ontem do Sporting com o Manchester.




A síntese do jornalista é perfeita: “se o golo mostra profissionalismo, o gesto manifesta reconhecimento.”

Mas se a expressão do jornalista é eloquente, eu atrever-me-ia a dizer que o gesto do craque o é muito mais.


créditos: Francisco Leong/AFP/Público





quarta-feira, 19 de setembro de 2007

MESTRE AQUILINO

















Aquilino Ribeiro retratado por Artur Bual

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“É um escritor medíocre”, disse Vasco Pulido Valente a respeito de Aquilino Ribeiro. De Mestre Aquilino, como muitos se lhe referem.

É verdade que Aquilino não é de fácil leitura, lá isso não. Mas um dos seus maiores méritos, para muitos entendidos, estará exactamente, também, na sua riqueza vocabular. E a verdade é que Aquilino é, apenas, considerado o maior romancista português do séc XX, por muitos dos experts na matéria!

Assim, o juízo de PV deixa-nos a modos que perplexos acerca do vigor e do rigor intelectual do seu autor.

Será algo como se um enólogo, de suficientemente reconhecida craveira, proclamasse a mediocridade de algum dos mais apreciados e aclamados champanhes franceses, só porque mais adamado ou mais forte que outros.
Ou como se um arqueólogo, dos que passaram pelo limbo das mais severas recensões, declarasse a mediocridade arquitectónica da pirâmide de Kleops, atendendo à dificuldade no acesso à respectiva câmara mortuária.
É como se um crítico musical de aceitável valia, decretasse a mediocridade dessa importante figura do romantismo musical europeu do século XIX, Johannes Brahms, só porque o seu concerto para violino é de difícil execução.

Valha-nos Deus!
Claro que, bem ponderada a situação, e relevado (fazendo por isso) o deslize, não será caso de considerar VPV um “tetraplégico mental”... Vamos lá...
Mas que foi um tropeção de “coxo”... Ah! Isso seguramente que sim!

Os mais que o digam. Fico a aguardar.
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NOTA:
Veio este “lapsus mentis” de VPV a propósito da trasladação dos restos mortais do insigne escritor para o Panteão Nacional.
E, curiosamente, alguém punha em dúvida o mérito da distinção dado que se aventou a hipótese de Aquilino ter sido cúmplice no regicídio de D. Carlos e do príncipe herdeiro...
Está em maioria, segundo parece, a opinião dos historiadores especialistas no período em causa que afastam tal possibilidade. Entre eles o mesmo VPV.
Mas acho curiosa, em tese, a discussão.
Acaso será mais grave a eventualidade de se ser co-autor moral dum regicídio do que de outras plebeias mortes ou atrocidades?
Na verdade, não parece que acerca de Carmona, que lá “reside”, se tenha levantado a questão!...

Há coisas que certas memórias esquecem: A MEMÓRIA não aceita branqueamentos.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

“PERO... LAS HAY”



Nunca me levantou suspeitas, o prof.
E talvez não desmereça, ainda desta vez, a nossa confiança nas suas, em regra, esclarecidas análises...

A habitual isenção dos seus comentários – como é seu timbre e como nos acostumou – não impedirão o Prof Vital Moreira, certamente, de exarar os termos encomiásticos em que hoje envolve o presente governo.

Mas todos constatamos que são imensos os que não vêem com os mesmos olhos o brilho, o progresso, as virtudes do governo do sr Pinto de Sousa.
Muitos, mesmo.
Intra e extra muros do PS.

Claro que não presumo, numa ou noutra ala, posições maniqueístas.
Antes reconheço, quer aos apoiantes da acção do governo, quer aos seus opositores, que sejam merecedores de idêntico respeito.

Por outro lado, só por mera coincidência, (ah! mas de garantida e absoluta impossibilidade de implicação), o tão propalado Simplex (nem sequer referido explicitamente na crónica) poderia, remotamente, ter a ver com o tom da mesma...

Coincidências e bruxas...

Pero... Las hay”.


segunda-feira, 17 de setembro de 2007

EXCESSO DE ZELO OU INCONSCIÊNCIA GRAVE

Bartoon por Luís Afonso
(in Público, esta data)

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Mais vale um bom cartoon do que mil palavras. Ou do que as 198 deste post.

O barman do bartoon, experiente, arguto e atento aos acontecimentos, faz uma síntese bem mordaz e contundente ao que ainda se não sabe ao certo se se há-de classificar de (condenável) excesso de zelo se de inadmissível inconsciência grave. De qualquer maneira, facto a merecer algo mais do que séria censura. Uma sanção exemplar.

Claro que não se trata de delírio de imaginação de cartoonista!
É que, tal como Luís Afonso, também eu confirmara a notícia ontem.
Acerca de uma operação stop, anunciava o Público:
“A família do homem que morreu na passada quinta-feira após ter dado entrada na urgência do Hospital de Ponte de Lima vai apresentar queixa-crime contra os dois militares da Brigada de Trânsito (BT) da GNR que mandaram parar a ambulância onde seguia e que transportava um segundo doente urgente.”

“...Não se pára uma ambulância que transporta um doente em risco durante cerca de 20 minutos", disse ao PÚBLICO uma familiar do falecido.

Na verdade, não é despropositado perguntar: sob que critérios são designados agentes de autoridade tais indivíduos tão falhos de sentido de humanidade e de responsabilidade?

domingo, 16 de setembro de 2007

POLUIÇÃO

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A elegância do gesto e a respectiva musicalidade fazem do escarro do português castiço (atávica postura cultural da lusa tribo) não a única, mas uma das marcas que, desde antanho, nos identifica.
A intencional atrapalhação do trânsito automóvel acompanhada, frequentemente, de um chorrilho de ultra-vicentinas expressões verbais, a frequente quebra (ou tentativa) de outras regras de conduta social, por exemplo na utilização dos transportes públicos ou no atendimento em repartições ou em estabelecimentos comerciais, ou a cada vez mais frequente venda de gato por lebre, são outras tantas, de muitas das nossas características, que nos situam no 29º mundo.

Há dias, comentando um artigo de José Ricardo Costa (o José Ricardo que já várias vezes trouxe aqui), que também abordava este tema das lusas virtudes, referia eu duas situações típicas da ligeireza de atitudes e da ausência de maneiras (vulgo, educação) de muitos dos nossos concidadãos; uma passada comigo, outra com amigos meus: a primeira, em que dum qualquer andar de um prédio de oito pisos é lançada janela fora (das traseiras, se é que serve de atenuante) uma embalagem vazia de iogurte que passou a milímetros da minha cabeça; no outro caso, e em idênticas circunstâncias, é vertido, à janela da cozinha dum sétimo andar, o óleo, acabado de utilizar, de uma frigideira, que conspurcou as vidraças de todos os outros pisos...
(Esta última história tem, até, outros capítulos bem “saborosos” acerca da idiossincrasia de certas criaturas...)

Claro que os exemplos se poderiam somar, atingindo um valor altamente preocupante.

De entre eles, uma notícia de hoje alude mais uns tantos casos, mas com repercussões muito mais graves no meio ambiente que, de tão saturado na sequência dos tais procedimentos incivilizados ou da ganância de certos detentores do capital, já quase se torna irrespirável e inabitável. São eles o bem característico abandono na rua ou nos passeios, ao absoluto acaso, de móveis, electrodomésticos e outros resíduos volumosos ou trastes de maior dimensão. Sobretudo (o que não desculpabiliza os outros) de alguns deles.

A notícia a que me refiro é a seguinte

sábado, 15 de setembro de 2007

O DELÍRIO DO SERVIÇO PÚBLICO













um incurável altruísta

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Luís Lopes poderia continuar a ser a esperança de muitos pais, na dispensa dos cuidados de saúde aos seus filhos de mais tenra idade. Podia ter desistido dessa missão para, em vez de pediatra, se converter em geriatra – continuando a ser a esperança de muitos pais, já não relativamente aos cuidados de saúde dos seus filhos, mas dos respectivos progenitores.
Mas não. Abandonou a medicina, tout court, para se dedicar à prevenção dos males políticos e aos respectivos contágios. Aos respectivos meios de combate, é óbvio.

Ainda e sempre profiláctica, a sua acção. Muito longe de qualquer atitude egoísta.

O sr Luís Lopes é um filantropo. Um incurável altruísta. Um autêntico mártir da causa pública. Um devotado servidor da comunidade.
É escusado acenar-lhe com uma mais que provavelmente promissora e muito bem remunerada carreira na medicina. Não quer saber disso. Manda, mesmo, às urtigas os gordos réditos que daí lhe poderiam advir. Quer lá bem saber do dinheiro e do prestígio! Interessa-lhe, lá, o penacho e o vil metal! Preocupa-se, lá agora, com o êxito e o poder que daí advém!
Cisma, isso sim, é com o bem-estar social dos seus concidadãos.
É exclusivamente por ele, apenas e somente, que ele se bate.
Nem mais qualquer material pensamento lhe assoma à aloirada cabeça. Muito menos qualquer espécie de venalidade ou de corrupção que alguns mal intencionados insinuam. E que ele, segura e duramente, verbera.

.

...verbera, duramente, a venalidade e a corrupção
.
Uma vida de preocupações, de entrega abnegada, de luta incessante, de sacrifícios vários, de privações... Muitas...
Nada o assusta. Nada o demove.
Tem os olhos fixos na colectividade: nos seus anseios, nas suas necessidades, nos seus problemas. E só o conhecimento desses anseios, o equacionar dessas necessidades, a resolução desses problemas o afligem, o ocupam, são a razão do seu viver.
Uma vida de sacrifício? Que seja, pois que a causa é muito nobre - pensa de si para consigo. E queda-se nessa tranquila felicidade.
Esse sentir é quanto lhe basta.

Se ele gaia? Pelo contrário, sente-se feliz: não pensa senão no próximo, naqueles pelo bem dos quais promete bater-se, denodada e desinteressadamente...

Não sei se será por isso (para não sair desse enlevo de estado d’alma) que o sr Luís Lopes recusa um debate com o actual líder do partido num canal de televisão...
Talvez porque não vê nele qualquer utilidade para o esclarecimento em que tanto se empenha. “Nah! Daí não vem nada de interesse...” – terá pensado o candidato.

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Nah! Daí não vem nada de interesse...
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O que certas pessoas sofrem e o que, injustamente, ouvem desses ingratos que vociferam por aí!

É muito duro ser-se político de certo cariz!

Muito duro.

Até quando?

IRRACIONAIS

Não sei se a propósito ou despropósito...

Claro que sempre a propósito - são milhentos os casos.

Como não estou certo de que a eventual relação com factos recentes seja tão pura coincidência, assim.

Mesmo que não seja muito justa ou legítima essa “ponte”, é uma verdade, genericamente, a ponderar: o anseio de certas crianças!

Trata-se de um filme publicitário...

Mas de rara felicidade na concepção e na realização.

Fortemente impressivo.

Faz doer!

Veja, então:

Quem?
Quem é irracional?

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

MADDIE - 2





Talvez sejam algo pertinentes as dúvidas que aqui deixei ontem.
Algumas delas vi-as hoje reflectidas num trabalho de Paula Torres de Carvalho e Idálio Revez, no Público. Mas muito melhor expostas, como é natural.
Refiro-me a um dos artigos que enchem duas páginas do aludido jornal sobre o tema. Sob o título
«o que leva a PJ a suspeitar dos Mccann?» e após um destaque em que se lê que «muitas das perguntas levantadas pelos investigadores continuam sem resposta – e são elas que os levam a suspeitar de morte acidental», aqueles jornalistas desenvolvem o seu trabalho para, no final, concluírem:
«(...) Mas as dúvidas e perplexidades não são apenas colocadas pelos investigadores da PJ: os que rejeitam as suspeitas da implicação do casal no desaparecimento da menina também têm perguntas para fazer. Quais os motivos que levaram a polícia a abandonar a hipótese de rapto? Por que razão já não admitem a possibilidade de alguém ter levado a criança, para fins de abuso sexual, e de se ter livrado do corpo logo a seguir? Como é que Kate teve tempo, admitindo que encontrou a criança morta, de esconder o corpo e depois ir a correr para o restaurante?Os que duvidam da sua culpabilidade interrogam-se ainda: e como seria possível esconder o cadáver com tanta atenção em cima deles? Onde o conservariam durante 24 dias até alugarem o carro e com temperaturas elevadas? O que leva a PJ a considerar que foi uma morte acidental? Porque excluem a hipótese de um homicídio premeditado? Por outro lado, como teriam os pais de Maddie a força e a frieza suficientes para "montar" a gigantesca campanha mediática para encontrar a filha? Como poderiam levar em frente tamanha farsa?»

São estas e muitas, muitas mais, as dúvidas e perplexidades que “atormentam” qualquer espírito pacífico e normal.

E muitas mais?
Exacto. Escrito pôde ver-se que o grupo do dito jantar (que alguns referem de lanche ajantarado, dada a hora a que teve início segundo alguns testemunhos: cerca das 17 h ou 17:30 – o que, por óbvios motivos, provocou comentários e adensou dúvidas por parte dos investigadores) estava fortemente etilizado...
Mas algum jornalismo, e vário ciberespaço, aludem, também, à prática de swing por parte do grupo que os McCann integravam.
Ora nenhuma destas práticas diz bem com os “mandamentos do Senhor” (atendendo ao credo que os pais da criança revelaram ser o seu)...

Não me passei para a outra banda. Continuo a pensar que os McCann não estão implicados no(s) crime(s). Embora sinta algum embaraço em explicar porquê...
Mas repito, igualmente, que, perante o mundo cão em que vivemos, nada me surpreenderia que se provasse o contrário. Nada, mesmo.


nota


incluí, hoje, para ser visto a qualquer hora de qualquer dia, o chamado RELÓGIO DO MUNDO


é o primeiro dos links permanentes do blogue, portanto, colocado na coluna da direita, em cima, com o título A ESTA HORA, ASSIM VAI O MUNDO


não sou masoquista, mas penso que não podemos esquecer certas REALIDADES

TITULARES











O que está a dar são os titulares, escrevia-me ontem um amigo.

Parece uma estrangeirinha bem engendrada, esta dos professores titulares, dizem os stôres...
Eles é que sabem.
Eu limito-me a trazer o humor dos outros.



quinta-feira, 13 de setembro de 2007

MADDIE











Por toda a parte. Nos locais mais recônditos – como eu próprio já pude constatar – lá está a fotografia da Maddie. O rasto do caso que apaixona o mais comum dos mortais.

Por outro lado...
Ei-lo: pasto de instintos primários e do sadomasoquismo de doentias mentalidades, que segregam com notícias de calamidades, infortúnios e desgraças...

Óptimo alimento para a engorda dos níveis de audiência e da venda de “papel”... Eles aí estão, todos os abutres, na mira dum inocente cadáver...

Crime, seguramente. Um de vários. Ou vários de alguns.

Infanticídio? Rapto?
Rapto e infanticídio?
Homicídio e ocultação de provas e ou de cadáver?
Negligência?
Negligência e ocultação de provas e ou de cadáver?

Estas, entre algumas das mais que certas acções.

Pode até ter acontecido que, perante a notícia de um crime e a divulgação de certos dos seus dados (rapto)... Um outro se lhe tenha seguido, necessariamente (homicídio). E, a partir daí, outros mais.

Preocupante é a, pelo menos aparente, inoperância das polícias.

O mundo do crime é cada vez mais complicado. E cada vez mais compensador.

Alguém sabe do que se passa - é uma verdade que não exige demonstração.

Alguém se cala e tira do acontecimento os dividendos que friamente calculou.
O pior é se, como há quem desconfie, a polícia sabe algo e se cala... (Como há muito quem afirme acontecer seguramente no processo Casa Pia)

A somar a tantas e tormentosas dúvidas mais uma: esta sobre o porquê da inoperância ou o silêncio das polícias...

Uma coisa é certa: o mundo está cheio de homúnculos. De seres ignóbeis.

Uma vez que não há crimes perfeitos, algo de muito estranho se passa.

A suspeita é sempre uma arma terrível. Pode, até, muito bem, assassinar um inocente. Irremediavelmente.
Veja-se, por exemplo, e dentro do mesmo quadro de considerações, um parente abalado, profundamente dorido, chorando inconsolavelmente o desaparecimento de um ente próximo e querido, inconformado com a sua falta (supondo tudo sentido e verdadeiro) e acerca de quem se levanta uma dúvida, uma suspeita de implicação nesse desaparecimento!...

Deve ser insuportável (a ser absolutamente falso).

Ou, ao invés, ser uma cena extraordinariamente bem montada. Repugnante abjecção.

Não sei explicar ao certo o quê, mas algo me diz – na minha boa fé – que os pais da criança estão inocentes.
Algo que não tem nada a ver com o seu credo. Antes com o seu comportamento. E com certos sinais.

Apesar da boa fé, não sou tão crédulo, assim. Daí que não fosse tão grande, como tudo isso, a minha surpresa se o contrário se viesse (vier) a concretizar.

A baixeza, por vezes, não está onde tão insistentemente se anuncia que ela reside.

Mas não é tão raro assim, também, ir encontrá-la onde menos se espera.

A dada altura – quantas vezes – a infernal multiplicação de falsas pistas leva a que certos casos sejam muito mais complicados de destrinçar...

Creio que há ainda um mundo de hipóteses a desfiar, até encontrar o fio à meada.

Até quando?

Que máscaras vão cair?

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

REGRESSO DIFERENTE

foto Paulo Ricca/Público

o início oficial do ano escolar: em Resende

Início do ano lectivo.
O pontapé de saída oficial foi dado pelo primeiro-ministro em Resende.

Desta vez, algo de diferente se passa.
Com tamanha carga de espiritualidade, parece que tudo vai ser muito melhor em 2007/2008.
Essa carga terá, necessariamente, a ver com uma certa interioridade, com um exame íntimo das situações e dos problemas. Introspecção que, nesse resguardo de boa consciência, se não compadece com políticas ao arrepio dos interesses da colectividade, em muitos casos das mais ingentes dificuldades das populações e suas famílias.

Com esta súplica da protecção divina e da bênção do Senhor, creio que vamos ter um exemplar ano escolar. A sério.
E, por arrasto, um ano político merecedor de aplauso.
O gesto – o sinal da cruz – do senhor engenheiro (pese, embora, a bem notória e herética “distância” da sra ministra) leva-nos, pelo menos, a pensar que terá sido feito com o seguinte pensamento (e propósito): livre-nos Deus, Nosso Senhor, dos caminhos ínvios, das falsas promessas, das más decisões, dos interesseiros e dos safados dos boys, dos salafrários dos corruptores activos, do excesso de zelo de alguns pressurosos informadores, e nos ajude a cumprir o programa com que merecemos a confiança dos eleitores.
Ámen.

Assim seja.

(i.e.: assim esperamos...)


terça-feira, 11 de setembro de 2007

“ESTÃO SEMPRE DO BOM LADO”

Não é uma chusma qualquer. É um amontoado de “crânios”.
“Respeitáveis”.
“Respeitados”.
Felizmente que não os ouvimos, só a eles (e aos seus), e que há a memória e as palavras de outros.
Para que A Memória se não ressinta e A Palavra não esmoreça.

Por exemplo Pierre Rigoulot.
Não sei ao certo porque estalou o recente desaguisado entre
Leonor Baldaque e Pierre Rigoulot. (Claro que não foi, apenas, por uma mera mancha.)
Nem posso avaliar da verdade ou inverdade da afirmação concreta da actriz portuguesa (e do co-autor da missiva ao director do Público, Pierre Vesperini, historiador da Antiguidade) que despoletou a réplica do director da revista Histoire et Liberté. Uma coisa é certa – e é essa que pretendo realçar: o traço biográfico, a descrição da personalidade do sr Rigoulot, é uma realidade bem menos virtual do que se poderá imaginar.

Não posso afiançar que com razão, mas suspeito bem que sim: segundo a nossa actriz,
“o sr. Rigoulot fez sempre as boas escolhas: maoísta membro da Federação dos Círculos Marxistas-Leninistas nos anos 60, depois neoconservador fellow do Atlantis Institute e de seguida apoiante da invasão do Iraque em 2003. Agora incensa o sr. Sarkozy. Há pessoas que têm sorte, estão sempre do bom lado.”



Por mera coincidência (!?), no mesmo número do Público, Rui Tavares descreve o que poderia chamar-se o sr Rigoulot em lusa versão: Durão Barroso.
Os percursos não se correspondem milimetricamente? Ah! Mas são muito largos os traços comuns.
Todos conhecemos a trajectória do ex-líder do PSD, desde antanho.

A propósito do caso
Somague e de toda a trampolinice em que se têm enredado os responsáveis daquele partido, num vergonhoso alijar de responsabilidades, a coberto do folclore institucional, chegando ao cúmulo da safadeza, da desonestidade e da falta de carácter de atribuir a responsabilidade última a alguém que está impossibilitado, por grave doença, de se defender, RT remata assim a sua peça:



foto que ilustrava o artigo de RT
ora... "está na cara"...

“Nós acreditamos nisto [em tudo o que se tem descrito] porque Durão Barroso é um líder”, e “liderar significa achar normal que o partido pudesse receber presentes de duzentos mil euros sem que o seu presidente fosse informado de tal caridade. Liderar significa, em última análise, passar a batata quente para o fulano que teve um AVC. Não há dúvida: são grandes homens.”

Nem mais.
Grandes homens.
De enorme craveira.

Tantos são eles que, agora, constituem a regra.
Nos tempos que correm é assim: a raríssima existência de gestor, governante ou político com espinha dorsal, vem confirmar a regra de que a verticalidade, em princípio, não existe.

Os exemplos são inúmeros. Dos tais grandes homens. Dos tais sortudos que estão sempre do lado bom.

Até quando?


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

BUSH CHORA NO OMBRO DE DEUS

imagem: desciclopédia
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«BUSH CHORA MUITO ENQUANTO TRABALHA

“Tenho o ombro de Deus para chorar. E choro muito. Choro imenso neste meu cargo”, confessa o presidente George W Bush no livro Dead Certain: The Presidency of George W Bush, agora lançado por Robert Draper, que lhe fez seis entrevistas na Casa Branca» - lê-se em pequena nota no espaço do cabeçalho do Público na pág. 11 (cujo nome técnico – que o deve ter – desconheço).

Em termos de rendimento de trabalho, preocupante, além do mais, é o momento em que chora.

Mas se chora é porque sofre, coitado.
No entanto, quem se pode dar ao luxo de chorar no ombro de Deus, não será tão infeliz, assim.

Por outro lado, quanto mais chora... Mais precisa de um diurético.
(Atenção, pois, ao facto, corpo clínico da Casa Branca!)

Todos nos questionamos: porque tanto chorará o cabo de esquadra do planeta?

É difícil uma resposta, tantos podem ser os motivos.

Mas a imagem seguinte (quer ela, quer a legenda, também da Desciclopédia) parece apontar para uma das hipóteses.

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.. «'Débi' e 'Lóide'»
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Vá lá, homem: arrebite!
E não chore tanto: olhe esses rins!

SUA EXCELÊNCIA DIXIT

Sua Excelência o Senhor Presidente do Governo Regional dixit





video



Podia sempre pensar-se que fora invenção e obra aleivosa de algum comunesta do contenente...


Mas não.


Do alto do seu habitual porte aristocrático, de acordo com a sua sempre elevada lisura de procedimentos, conforme a sua irrepreensível educação, dentro da sua costumada actuação comedida e discreta, patenteando as suas requintadas maneiras... Sua Excelência exprimiu-se com a elegância que é seu timbre.


A Academia e os Anais registaram.


domingo, 9 de setembro de 2007

"CRFAR"

Público . DM 09SET07 . Espaço Público . Luís Afonso . Preto, branco... e também cinzento
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Não resisto.
É o delírio. O cúmulo.
É a lança certeira. A seta na
mouche.
Não será, tanto, o ridículo da inimaginável situação... Mas mais a argúcia e a coragem da respectiva denúncia, perante a estrambólica hipótese da sua efectivação...
Não porque já estejamos a vivê-la... Mas porque é demasiado perceptível a intenção de aí QUERER chegar.
É a antecipação do absurdo... A constatação do destempero... A recusa do desatino.

É o Luís Afonso, uma vez mais, em grande.

sábado, 8 de setembro de 2007

HUMANÓIDES

imagem: Martin Van Maele, 1905
Sob o título “Igreja paga indemnização milionária por abuso sexual”, uma local do Público de hoje dava-nos conta de que “A diocese católica de San Diego, nos Estados Unidos, concordou ontem em pagar uma indemnização de 198 milhões de dólares (quase 144 milhões de euros) a 144 vítimas de abusos sexuais que terão sido praticados por padres e funcionários da Igreja.”

Parece-me imprecisa e não compreendo bem o conteúdo da expressão “funcionários da Igreja”... De todo o modo parece garantido que se trata de pia gente, de fervorosos crentes, frequentadores dos santos sacramentos, respeitadores dos mandamentos da Santa Madre Igreja...

De realçar que não se trata de atoarda inventada por ateus ou agentes do demónio. Na verdade,
“o acordo pôs fim a quatro anos de negociações nos tribunais e a indemnização é a segunda maior paga até agora por uma estrutura da Igreja.”
E, a propósito, a mesma notícia recorda que “em Julho, a diocese de Los Angeles concordara em pagar 660 milhões de dólares relativos a 508 casos de abuso sexual.”
E mais é aí esclarecido: “A diocese de San Diego tinha solicitado, em Fevereiro, a declaração de falência. A indemnização acordada é mais do dobro do que a diocese ofereceu há cinco meses. Cada vítima irá receber 1,4 milhões de dólares.“

Isto é, apenas, o que transpira “cá para fora”. Garantem muitos que é apenas a ponta, ligeira e tímida, de um enorme icebergue.

Não imagino – aposto que ninguém imagina – que em certos países semelhantes vítimas sejam capazes de fazer ouvir o seu protesto e de pôr a cru o que se passa nas sacristias e nos seminários...



Não sei se vem ao caso, mas...

Acerca da recente, propalada e alegada orgia de Cristiano Ronaldo com prostitutas inglesas, recolhe o Expresso de hoje uma importante opinião (!).
E é, nada mais, nada menos, que a desse simulacro de humanóide que dá pelo nome de José Castelo Branco – que não sei se se trata, também, de piedosa criatura - que vomitou, a propósito, qualquer coisa como isto:
“Essas ‘vacas’ deviam era estar caladas porque ‘comem’ esses meninos maravilhosos e depois ainda vêm dizer cá para fora. Grandes porcas, pindéricas! Desgraçadas, ganham uns trocos e, em vez de ficarem caladinhas, vêm atirar ‘postas de pescada’”



E é este o mundo em que vivemos, bem entrado, já, o séc XXI.

Até quando?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

MÃOS SUJAS?

07-09-2007 - 10:52Trabalho de risco
Estas são as mãos de um trabalhador que exerce uma das profissões mais sujas e perigosas do mundo. São de um trabalhador do porto de Bombaim, na Índia, sujas de um químico azul, não identificado, contra o qual não usa nenhuma protecção. Apesar de perigosa, esta é a única ocupação disponível para centenas de pessoas naquela cidade indiana. Trabalham ali meninos de 14 anos, descalços e sujos, que precisam daquele trabalho para sobreviver. Muitos trabalhadores morrem todos os anos ou ficam gravemente doentes. Foto: Arko Datta/Reuters (apud Público, id data)



Lendo, de novo, e fora do primeiro impulso, compreendi melhor.
Aliás, nem dúvida alguma oferece a leitura da legenda.
Arrepiante. Na crueza e na frieza da descrição.
Não há, já, alma que pasme: o mundo é muito mais, este, que aqui se deixa entrever, do que aquele que certos espíritos frívolos nos querem impingir.

Bom, mas o que de repente me trouxe aqui foi outra coisa.
O que, de imediato e apressadamente, li foi:
Trabalho de risco: estas são as mãos de alguém que exerce uma das profissões mais sujas do mundo.
Foi como os meus, já cansados, olhos leram, num primeiro instante. E aí protestei, no meu íntimo: como? Qual trabalho de risco? Como, ESSAS, as mãos de algumas das mais sujas profissões do mundo? Onde já se viram mãos, assim, num corrupto (activo ou passivo), num pedófilo, num governante que deixe morrer à fome os seus cidadãos? Como, assim, as mãos dum tirano que semeie a morte de concidadãos seus? Como, assim, as mãos dos poderosos que destilam ódio, que promovem a guerra, que espalham a morte, a fome, a dor?
Não, não são assim tais mãos...

Mas depois caí em mim e no texto. E vi melhor: não, não é bem desta, mas doutra não menos terrível realidade que se trata aqui.
Mas sempre do mesmo mundo cão.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

“MILHO SOMAGUE (OBM)”

Não resisto à transcrição.

Não faz parte da edição online do Público de hoje, mas consta da respectiva edição impressa.

É uma explicação imperdível, a de Correia de Almeida, em carta ao director: a destrinça de várias e importantes espécies de milho.

Meia dúzia de linhas para um espírito arguto qb – é tudo.

Bem hajam espíritos assim esclarecidos e bem pouco bisonhos ou misantropos.

Veja se não tenho razão.






“Milho Somague (OBM)

Há diversas espécies de milho: o miúdo ou painço, o grosso ou maçaroca, o transgénico, organismo geneticamente modificado (OGM), criado por cientistas com vários anos de cultivo, e mais recentemente o milho Somague criado por Durão Barroso em terras de Diogo Vaz Guedes, organismo betonicamente modificado (OBM). É maçaroca com muito bago.
José Raimundo Correia de Almeida, Lisboa

MELHORAMENTOS APRESENTADOS HOJE

Foto e legenda: Joe Skipper/Reuters
(apud PÚBLICO, QI 06SET07)
"Guantánamo prepara julgamentos
As novas correntes para os tornozelos dos detidos na base norte-americana em Guantánamo foram apresentadas hoje..."






Ora, assim, sim.
Os americanos não descuram pormenores, por insignificantes que pareçam.
Tudo o que respeite ao ser humano, à sua felicidade, ao seu bem estar, ao respeito que como pessoa lhe merece... Nada disso escapa à sua atenção e à sua constante e dedicada acção.
Como agora o caso das novas grilhetas para os tornozelos dos detidos em Guantánamo... Veja-se como são acolchoadas, visivelmente mais cómodas, por certo muito mais apetecíveis!...
Assim, sim. Assim até dá gosto: atenção aos mais pequenos detalhes.

Os americanos não se limitaram a criar esse paraíso que é Guantánamo, de que enlevadamente falou Dick Cheney, apresentado pelo imbatível Jon Stewart, no Daily Show. Já seria grande obra e muito o mérito, esse. Mas os americanos não se ficaram por aí: rodearam as condições dos presos dos mais desvelados mimos, como o acabado de ser mostrado ao mundo por eles mesmos, em conferência de imprensa.

E pensar que ainda há quem não entenda esse orgulho que os anima a tão grandes feitos!

Coitados, pois ainda há quem os não compreenda e critique. E deteste – o que é mais impensável.

Ele há gente mais fria e insensível, como esses críticos!...

Valha-nos Deus!


quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A CONSTATAÇÃO DA VERDADE

blogue: um espaço de liberdade
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Por alguma razão, dos meus mais habituais blogues, o Notas e Reflexões (N&R) tem alguma aceitação e é mais visitado que o Flash.
Creio que até sei qual a razão.

Uma coisa é certa: não é por total falta de “virtuosismo”, por absoluta ausência de qualidade, por manifesta falta de “engenho e arte” que eles (os meus blogues) têm fraca audiência. É que se fora esse o motivo, seriam um deserto maior ainda do que aquele que são na realidade...

E, já agora, uma nota prévia: não estou a lastimar-me. Não me converti em “calimero”.
Embora sejam pouco (quase nada) comentados os meus blogues, tenho informação de que essa falta de participação não se traduz em equivalente ausência de visitas.
Ainda que foram menos as visitas e em menor número os comentários, eu não deixaria de postar, pois aí reside o meu “gozo”, a minha terapia, a minha catarse (passe a tautologia).

Já não é marcante (se o foi algo, como foi um pouco) a solidão em que com eles me envolvo. Escrevo pelo prazer que me dá escrever. E se antes o fazia para a gaveta, agora faço-o para o éter que, virtualmente, poderá ser menos vazio que aquela.

E, muito de verdade, dói-me menos esta solidão do que me incomodaria ver, nos meus espaços, a feira de vaidades, de lugares comuns, de salamaleques, de cortesias, de cumprimentos, de "beijinhos" e abraços e outras manifestações, em que se transforma, diariamente, a “sala de visitas” de muitos blogues.
Aliás, a minha ausência de resposta a certos comentários (o que, a existir, sempre sucederia por mail, pois que fujo a qualquer inflacionamento das respectivas estatísticas), revelam isso mesmo. Como o demonstro, também, nos comentários que deixo nalguns dos blogues que visito.
Aliás, não pratico um comércio muito vulgar nesta área: “visito-te, e comento, para que me visites e comentes...”!
De jeito nenhum.

Mas, voltando atrás: se o Flash é menos visitado que o N&R, e se é objecto de raros comentários, claro que conheço o motivo...
Mas é evidente que não vou alterar a minha postura, revelada no que escrevo, para agradar a alguém... “Ni hablar!”




terça-feira, 4 de setembro de 2007

A AMÉRICA NO SEU MELHOR?




O que nos surpreende, a muitos, e provoca uma certa admiração pela América, é que é um país onde até um GWBush pode chegar à chefia do Estado.

Mas se um indivíduo que toda a vida foi um madraço, somando insucesso atrás de desaire (as notas biográficas mais isentas e menos açucaradas assim o atestam), chegou onde chegou, é porque o grande capital nele descobriu alguma virtude que lhe convenha.
Mas é claro que isso é um segredo que só os próprios entenderão e não revelam. (O segredo sempre foi, e é, a alma do negócio).

Ora essa perspicaz criatura, essa inteligência iluminada, esse fomentador da paz no planeta, depois dos êxitos alcançados no Iraque, que mereceram os aplausos que conhecemos em todo o mundo, nomeadamente por grande parte dos seus concidadãos, vem garantir agora – e os media de todo o orbe divulgaram a notícia com contida hilaridade – que a continuarem os “êxitos actuais” do seu governo, naquela parcela da Ásia, poderá optar por uma diminuição, aí, do seu contingente militar.

Foi sobretudo altamente comovente a sua afirmação, na visita relâmpago que ali está a realizar, de que “a América não abandona os seus amigos”; e para que dúvidas não restassem, concretizou que, nomeadamente, “a América não abandona o povo iraquiano”.
Imagino quanto não sossegaram, tantos, por esse mundo fora. Calculo quanto não se deverá manifestar a gratidão do povo iraquiano. Talvez com pouco aparato, daí que nos não demos bem conta disso.






















Só por mera coincidência todo este espalhafato acontece na altura em que um dos principais responsáveis do Públco, José Vítor Malheiros, escreve a sua habitual coluna semanal, hoje sob o título “A conduta obscena da lei americana”, de que se salienta o seguinte destaque: “a prisão de Larry Craig é uma prova das muitas falsas liberdades apregoadas mas não praticadas nos EUA”.
O artigo de Malheiros anda à volta do seguinte: o mencionado senador do partido republicano, “conservador e puritano, anti-gay, foi preso por conduta obscena numa casa de banho de um aeroporto de Minnesota”, pois “terá tentado ter relações sexuais com um homem que estava na retrete ao lado”.
Depois - esclarece JVM – “seguiu-se o circo de condenação pública, embaraço político, desmentido com mulher ao lado, demissão”.
Contudo - ainda continua o mesmo jornalista -, o senador confessou-se culpado, depois de preso e das habituais formalidades de impressões digitais e fotos de frente e de lado.

Mas onde o jornalista leva ao máximo a sua revolta e indignação é no processo conduzido para a detenção e condenação do azarado (?) senador, como realça naquele destaque atrás referido. Processo todo ele tornado o mais público possível, estampado na net, nos seus mais pequenos e extravagantes pormenores, do qual se conclui qual o crime (gesto criminoso) do senador. Impensável, como já a seguir se verá.
Na verdade, conclui JVMalheiros: “Craig pode ser um hipócrita, uma pessoa execrável e a sua saída da política pode ser saudada. Mas a sua prisão foi abjecta e é uma prova das muitas falsas liberdades apregoadas mas não praticadas nos EUA, o sinal de um regime autoritário e moralista que se arroga até o direito de ditar as práticas sexuais permitidas - sob uma capa politicamente correcta. Os liberais podem alegrar-se com a partida de um reaccionário. Mas deviam preocupar-se com leis que permitem que um homem seja preso por tocar com o seu sapato no sapato de outro - seja o que for que ele pretenda com isso.”

É a política, em todas as suas vertentes, do espectáculo.
Abominável e perversa, quantas vezes, no seu farisaísmo.

Até quando?

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A BRUTALIDADE DOS NÚMEROS

A crueza e a brutalidade dos números, por vezes, é que nos faz crer que certas “más-línguas”, afinal, não são tão desprezíveis nem tão condenáveis como tudo isso.

As estatísticas oficiais, por mais salpicos de água benta com que sejam benevolentemente aspergidas, são o dianho para o governo.

Alguns dos números, de tão vistos que são tão repetidamente, nem se lhes atribui grande atenção. Mas, perante a chamada de atenção de outros valores, para outras realidades menos badaladas, aí, sim, pasmamos. Pela novidade e menos frequente abordagem.

Assim, no segundo trimestre deste ano, “a taxa de desemprego dos jovens (15-24 anos) atingiu o valor de 15,3 por cento, quase o dobro da média nacional.”
Por outro lado, “o desemprego dos trabalhadores licenciados subiu 25,1 por cento de um ano para o outro. Existem hoje 50.800 trabalhadores licenciados no desemprego, mais 10.200 do que no 2.º trimestre do ano passado.”

É claro que o facto de estes valores nos serem transmitidos por António Vilarigues, hoje no Público, leva a que certos destinatários da informação franzam o sobrolho e encolham os ombros em jeito de dúvida.

Feitios, que não vale a pena contrariar.
É que, segundo me juraram, os números não são inventados pelo cavalheiro.
São dados oficiais.

Da mesma forma, parece respeitar a verdade a conclusão de que em vez da prometida criação de 150.000 postos de trabalho, por este PS na pessoa do seu líder e actual primeiro-ministro, nas últimas legislativas, o que se verifica é que o número de desempregados cresceu desde a tomada de posse do Governo, de 399.300 para os actuais 440.500.”

Depois, a somar e a agravar todo o rosário de desgraças, acresce o cada vez mais acentuado problema da precariedade. Assim, por exemplo, no espaço de um ano, terminado no referido trimestre, contaram-se mais 77 800 trabalhadores com contrato a prazo do que os que havia em Junho de 2006. Ou, para ser mais claro, “atingiu-se o valor mais elevado de sempre: 863.700 trabalhadores (22,2 por cento do total de trabalhadores por conta de outrem).” E, já agora, “a população empregada a tempo parcial aumentou em 40.800, atingindo já os 630.200 empregados.”

Mas, mais: “se adicionarmos ao número de trabalhadores por conta de outrem com contrato precário (863.700) o número de trabalhadores por conta própria como isolados - chamados falsos recibos verdes (379.135) -, concluímos que 1.242.835 trabalhadores têm hoje um vínculo precário, isto é, 1 em cada 4 trabalhadores é precário.”

Ora, tudo leva a crer que as coisas se passem mesmo assim, e não seja história inventada pelo comunista Vilarigues, nem veneno por ele encaminhado.

Mas... E os homens do capital que dizem? E os seus enviados, os neoliberais gestores da nossa praça, que comentam?

Uma coisa bem simples: clamam, ainda e sempre, que "o mercado de trabalho precisa de ser mais flexível"...

É óbvio para todo o mundo que sim: a fome e a miséria ainda não atingiu os 100% de famílias. Logo...

Aliás, nem causa a mais pequena estranheza o rigor e a exigência de contenção de muitos desses mensageiros e analistas... Então não é que muitos deles são membros de conselhos de administração cuja remuneração média anda, só, nos 31,5 mil euros por mês?
E mais: grande parte dos administradores das empresas foi aumentada, apenas, 60 vezes mais que um trabalhador comum...

Têm razão de sobra.
De facto não dá para todos. E para eles tem de dar.

Até quando?

 

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