quinta-feira, 27 de setembro de 2007

CASO ESMERALDA OU O DESCALABRO DA MEDIATIZAÇAO DA JUSTIÇA

imagem de natasha gudermane





Rezam as crónicas.
Das que servem de predilecto alimento à venda de papel e ao crescimento de níveis de audiência dos utilizadores do éter.
Gera-se a ensurdecedora confusão. Que afasta a inteligência. E a sensatez.

Ouvi-o, hoje, no Fórum da TSF. Escapou-me o seu nome e o do órgão da Ordem dos Advogados de que é titular.

Raramente se ouve alguém falar com tanto acerto. Subscrevo, na íntegra, a sua análise do problema e a sua conclusão.

E não sou arrastado por qualquer pendor corporativista. Que – como já expliquei – não existe.







Tanta pompa! Tanta “circunstância”! ... E, afinal, o rei vai nu.

Não é o caso que está em causa. É o sistema.
Não se discute a bondade, ou não, da decisão ora conhecida.
Para esse interveniente no Fórum, tal decisão não vem senão sublinhar como o sistema é absolutamente ineficaz.

Em quase toda a parte, mas sobretudo em Portugal é assim:
das duas, uma: ou o processo jurídico cai no goto dos “glutões” dos media – e, é garantido, temos o descalabro; ou não cai – e é o manto do esquecimento, da inoperância, da indiferença, da negligência que sobre ele se lança.

Este caso é paradigmático da “atenção” dada à árvore: muitos interesses em seu redor, com muitos interessados no seu aspecto, que não na sua essência: uns, talvez, preservando-a, mas muitos outros, a grande maioria, destruindo-a, sem dúvida, conduzindo-a à maior decrepitude. À completa destruição.
E a floresta?
Ninguém se importa com ela: as outras árvores crescem ao puro abandono, sem o mais elementar acompanhamento, tornando-se raquíticas e mortas, umas, rodeadas de elementos daninhos e destruidores, outras.
A floresta, aqui, é uma selva onde nada de bom pode germinar.

Para além do negativismo dos aspectos mediáticos que o envolvem, nada ficou tão acentuadamente esclarecido com este caso como a carência absoluta, muito grave e muito preocupante, do sistema no tratamento destas matérias.

Não há, apenas, que criar tribunais de família e de menores...
Fechá-los, como já se viu, é dramático. Mas abri-los, apenas, sem cuidar de lhes dar condições materiais, técnicas e humanas de, em abono da justiça, algo fazerem de proveitoso, sensato e útil em prol de crianças tão cedo mergulhadas num trágico mundo hostil, isso é ainda muito mais dramático.

O caso Esmeralda vai restar, apenas, como um caso de eleição de um público, já de si atreito ao melodrama, e ainda para mais manipulado por gente sensacionalista.
E o sensacionalismo é, desta vez, como sempre, a antítese da inteligência e da serenidade indispensáveis ao tratamento de quaisquer questões graves e sérias, como a presente.

Até quando?


1 comentário:

aminhapele disse...

Em minha opinião,desde o início "esqueceram-se" da existência da criança.
Tivemos a novela dos "pais".
A coisa mais simples seria dizer que o pai biológico não tem condições,quer é dinheiro,etc.
Não me caiu bem,o pai afectivo fardado desrespeitar uma sentença do tribunal!
Quem tem razão desconheço.
Sei que há uma criança que,na idade que tem,vai ter dificuldade em compreender o mundo!

 

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