quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

É FARTAR, VILANAGEM!

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Não tenho dado grande cobertura a este tipo de mail que tem inundado o mundo do ciberespaço e a caixa de correio dos cibernautas… porque me restam sempre algumas dúvidas sobre a sua veracidade.
Mas esta mensagem tem vindo de tantas proveniências, e tão repetidamente nos mesmos termos, que não posso deixar de a considerar geralmente verdadeira e de a deixar aqui para que conste para memória futura.
Nunca encontrei em parte alguma desmentidos a estes factos, nem tive conhecimento de que os visados os tivessem recusado nos termos aqui apresentados, daí, também, que os aceite como verdadeiros.
Mas se alguma reacção desta vez provocasse este relato às pessoas e instituições de que se fala, ou aos seus legítimos representantes, com provas que infirmassem os dados aqui constantes ou que inocentassem os respectivos visados, não restem dúvidas de que eu aqui faria a respectiva retractação.
No meio de tanta inverdade e de tanta declaração insensata, não suporto a ideia de contribuir para tal e não deixaria de repor a verdade

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Fica a mensagem, pois, tal qual a recebi: citações, comentários e apartes dela constantes, designadamente. E nas suas duas vertentes:
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a) pouco pacíficas (escandalosas, quero dizer) verbas autárquicas que levantaram profundas e justificadas dúvidas ao Tribunal de Contas e ao comum dos cidadãos;
b) mensais fortunas atribuídas a determinados gestores a título de “salários” que só escapam à classificação de crime por serem atribuídos ou confirmados “legalmente” (?) por entidades supostamente responsáveis – mas que, decidida e definitivamente, o não são. São – isso sim – uma indesculpável leviandade, imoralidade e obscenidade de irresponsáveis entidades.
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A verdade – que dói – é que tudo isto acontece porque somos pouco sensatos e pouco exigentes para com aqueles em quem votamos como nossos representantes.
E dói ainda mais o constatarmos que o nosso erro se repete e a nossa insensatez não tem cura.
Até quando?

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Aí temos, então, a mensagem (nos termos, acima referidos, em que a recebi):

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«CRISE

Sei que muitos já sabem destes negócios.
Mas nunca é demais lembrar.

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A)
ALGUNS EXEMPLOS DE DÚVIDAS QUE O TRIBUNAL DE CONTAS ENCONTROU NAS DESPESAS PÚBLICAS…

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1. ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO ALENTEJO, I. P. - Aquisição de 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00€
Eu não sei a quanto está o metro cúbico de material de escritório mas ou estes armários/mesas/cadeiras são de ouro sólido ou então não estou a ver onde é que 6 peças de mobiliário de escritório custam quase 100 000€. Alguém me elucida sobre esta questão?
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2. MATOSINHOS HABIT–MH - Reparação de porta de entrada do edifício: 142.320,00 €
Alguém sabe de que é feita esta porta que custa mais do que uma casa?
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3. UNIVERSIDADE DO ALGARVE – ESC. SUP. TECNOLOGIA – PROJECTO TEMPUS – Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoa no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00 €
Segundo o site da TAP a viagem mais cara que se encontra entre Faro-Zagreb-Faro em classe executiva é de cerca de 1700€. Dá uma pequena diferença de 32 000 €. Como é que é possível???
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4. MUNICÍPIO DE LAGOA – 6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de águas: 106.596,00 €
Pelo vistos fazer um “Pimp My Ride” nas motorizadas do Município de Lagoa fica carote!!!
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5. MUNICÍPIO DE ÍLHAVO – Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2 leitores ópticos: 380.666,00 €
Estes computadores devem ser mesmo especiais para terem custado cerca de 100 000€ cada….Já para não falar nos restantes acessórios.
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6. MUNICÍPIO DE LAGOA – Aquisição de fardamento para a fiscalização municipal: 391.970,00€
Eu não sei o que a Polícia Municipal de Lagoa veste, mas pelos vistos deve ser Haute-Couture.
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7. CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES – VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €
Alguém me explica porque é que a Câmara Municipal de Loures precisa de mais de meio milhão de Euros em Vinho Tinto e Branco????
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8. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA – AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS: 1.236.000,00 €
Neste contrato ficamos a saber que uma viatura ligeira de mercadorias da Renault custa cerca de 1 milhão de Euros. Impressionante…
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9. CÂMARA MUNICIPAL DE SINES – Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €
É interessante perceber que uma tenda custa mais ou menos o mesmo que um ligeiro de mercadorias da Renault e muito mais que uma boa casa... E eu que estava a ser tão injusto com o município de Vale de Cambra…
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10. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA – AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €
E mais uma pérola do Município de Vale de Cambra: uma viatura de 16 lugares para transportar crianças custa cerca de 3 milhões de Euros. Upsss, outra vez o município de Vale de Cambra…
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11. MUNICÍPIO DE BEJA – Fornecimento de 1 fotocopiadora, “Multifuncional do tipo IRC3080I”, para a Divisão de Obras Municipais: 6.572.983,00 €
Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra neste site. Uma fotocopiadora que custa normalmente 7.698,42€ foi comprada por mais de 6,5 milhões de Euros. E ninguém vai preso por porcarias como esta?
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COMO É POSSÍVEL NÃO ESTARMOS EM CRISE? COMO DIZ SÓCRATES, É DIFÍCIL CORTAR NAS DESPESAS PÚBLICAS… NOTA-SE… ACABÁMOS DE VER ALGUNS EXEMPLOS…


B)
Exemplos de uns salariozitos de remediados:

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(PODE NÃO PARECER, MAS SÃO VALORES MENSAIS!!!!....)
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-Mata da Costa: Presidente dos CTT, 200.200 Euros
-Carlos Tavares: CMVM, 245.552 Euros
-Antonio Oliveira Fonseca: Metro do Porto, 96.507 Euros
-Guilhermino Rodrigues: ANA, 133.000 Euros
-Fernanda Meneses: STCP, 58.859 Euros
-José Manuel Rodrigues: Carris 58.865 Euros
-Joaquim Reis: Metro de Lisboa, 66.536 Euros
-Vítor Constâncio: Banco de Portugal, 249.448 Euros (este é que pode pagar mais IRS)
-Luís Pardal: Refer, 66.536 Euros
-Amado da Silva: Anacom, Autoridade Reguladora da Comunicação Social, ex-chefe de gabinete de Sócrates, 224.000 Euros
-Faria de Oliveira: CGD, 371.000 Euros
-Pedro Serra: AdP, 126.686 Euros
-José Plácido Reis: Parpública, 134.197 Euros
-Cardoso dos Reis: CP, 69.110 Euros
-Vítor Santos: ERSE, Entidade Reguladora da Energia, 233.857 Euros
-Fernando Nogueira: ISP, Instituto dos Seguros de Portugal, 247.938 euros
-Guilherme Costa: RTP, 250.040 Euros
-Afonso Camões: Lusa, 89.299 Euros
-Fernando Pinto: TAP, 420.000 Euros
-Henrique Granadeiro: PT, 365.000 Euros
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E ainda faltam as Estradas de Portugal, EDP, Brisa, Petrogal, todas as outras reguladoras e Observatórios...
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Imaginem o que é pagar um Subsídio de férias ou de Natal a estes senhores:''Tome lá meu caro amigo 350.000 € para passar férias ou fazer compras de Natal''.
E pagar-lhes esta reforma ... É no mínimo imoral e no máximo corrupção à sombra da lei ... Até porque estes cargos não são para técnicos, Mas são de nomeação política .. É isto que lhes retira toda e qualquer credibilidade junto do povo e dos quadros técnicos.

TUDO COM O NOSSO DINHEIRO QUE ALIMENTA ESTE BANQUETE, ONDE A CRISE NÃO BATE À PORTA E ONDE HÁ SEMPRE AUMENTOS PARA OS AMIGOS.»

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

NEM MAIS!

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Sempre atento e avisado... Nem mais, Alfredo!

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(Luís Afonso/in Público/hoje/em sede de opinião/Bartoon)

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ACONTECE, POR VEZES...

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O amor, por Almada

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«Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.»
Guardador de Rebanhos
Alberto Caeiro

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Ruminando rimas

No reverso do teu olhar
está a minha esperança de te agradar
de te saber feliz.
Na moldura do meu pensar
fico inquieto a indagar
o que o teu olhar me diz.

Os dias distantes,
soltos,
desconjuntados,
sem norte e sem sentido,
são o pasmo do “galo” atrevido,
reflexos insensatos,
revoltos
e fugazmente inebriantes.

Se juntar aos teus silêncios
a brandura das tuas palavras
somo a extensão, a força com que lavras
dos meus sentidos o incêndio.

Desfazendo laços
reavivo a memória.
Construindo espaços
recomponho a história.

De saudades desfaleceu
o tonto que havia em mim;
com vigor me repreendeu
o outro eu, sem dó nem fim

Não sinto mais valha
hoje que nos tempos d’antanho,
nem a coisa m’atrapalha
ou causa o mínimo assanho
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

AÍ BATE O PONTO

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Boa, Alfredo!
Aí, sim, bate o ponto!
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(Luís Afonso/in Público/em sede de Opinião/Bartoon)

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

OUTRA DO ALFREDO - SEMPRE ELE!

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Sempre atento e oportuno, o Alfredo!

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(Luís Afonso, Público/hoje/Opinião/Bartoon)

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O PROTOCOLO E UMA “SABOROSA” SONECA!


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Em Timor decorre uma cerimónia oficial.

Entre as figuras mais destacadas, a um escasso metro do respectivo Presidente da República, Ramos Horta, um convidado dorme profundamente.

Não será legítimo admitir que o (por certo) ilustre convidado tenha votado ao seu soberano desprezo a cerimónia para que fora convidado e, pela proximidade do representante máximo da República local, como especial convidado de honra.

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O ar divertido do presidente Ramos Horta e o disparo oportuno de captação da cena pela sua câmara fotográfica, à socapa, confirmam tratar-se de alta individualidade que, vencido por impulso irresistível e/ou, quem sabe, por enfado de tediosa cerimónia, dorme, sossegado, feliz e despreocupado, o sono dos justos… O passageiro, que não o definitivo.

E quem era tal individualidade que exibia, assim, tamanho desplante e quebra de protocolo?

Ora… Tratava-se, apenas, de Sua Excelência o Senhor Embaixador de Portugal em Timor.

Provavelmente, e conquanto lhe tenha sabido bem aquela passagem pelas brasas, talvez o Sr Embaixador tivesse ficado um pouco perplexo ao acordar e sentir-se apanhado pelos outros circunstantes ilustres convidados…

Quão grandes sacrifícios não tomam, por vezes, lugar em idênticas circunstâncias!

Pelo seu ar, o Sr Presidente Ramos Horta não terá levado em conta de grande gravidade aquela situação de (provavelmente curto) sono reparador do Sr Embaixador. E este, não obstante a sua (presume-se) ainda breve carreira, já tem uma saborosa estória para contar.

O protocolo, por vezes, deve ser um problema de difícil resistência!

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O ENORME E MULTIMILENÁRIO LAGO BAICAL

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O lago Baikal é um lago russo no sul da Sibéria, perto de Irkutsk. Com 636 km de comprimento e 80 km de largura, é o maior lago de água doce da Ásia, o maior em volume de água do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da terra, com 1680 metros de profundidade, sendo de 744,4 m a sua profundidade média. A superfície do Lago Baikal é de 31 722 km², ou seja, mais de um terço da área de Portugal (continental e insular).

a localização do lago na Rússia asiática
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Para melhor se poder imaginar, em termos práticos, a área do Baical, basta pensar que é de tal forma grande que, se todos os rios na terra nele convergissem e aí depositassem as suas águas, levaria pelo menos um ano para encher!
Nalguns pontos, repito, a sua profundidade ultrapassa os 1680 m, sendo ainda o lago responsável por 20% da água doce líquida do planeta. Nele desaguam uns 300 rios, o que contribui para o tornar um habitat rico em biodiversidade, com cerca de 1085 espécies de plantas e 1550 espécies e variedades de animais.
Além de que é povoado por 27 ilhas.

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alguns exemplares no cemitério dos barcos

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Nesse lago há um imenso depósito de barcos submersos, regiões conhecidas como o “Cemitério de Barcos” – grande parte dos navios enferrujados são rebocadores antes usados no transporte de terra, madeira, combustível e demais materiais de construção da linha-férrea de Baikal-Amur. Em 1862, foi registado um terremoto que atingiu a desembocadura (um grande delta) do Rio Selenga (na costa oriental do lago); dentre as sequelas o terremoto gerou uma separação de 175 km² de terra da margem e um aumento de quase 50 % da quantidade de água no lago.

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vestígio do dito cemitério, agora - quarenta anos volvidos - transformado em deserto poeirento

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Numa área razoável, onde há quarenta anos mergulhavam e apodreciam alguns barcos, hoje resta um cemitério poeirento de embarcações, que jamais voltarão a zarpar, e que se situa a 20 Km da actual margem do lago…

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

AUSTERIDADE: SIM OU NÃO?

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Um dia deixei nestas páginas a celebrada dupla de humoristas britânicos, John Bird e John Fortune, num diálogo tragicómico, mas pedagógico, acerca da enorme borbulha que rebentou em 2008. Hoje trago Mark Blyth, professor de Política Económica Internacional no Watson Institute for International Studies, na Brown University, em Providence, Rhode Island, EUA, fundada em 1764, ainda a América tacteava os caminhos para a Independência e para a Democracia.
Blyth, num vídeo de 5 min explica, a propósito da nova gravíssima crise em que estamos mergulhados, de forma necessariamente muito sucinta, quão perigosa é a, hoje, tão recorrente ideia de austeridade…

Para alguns parecerá que a invocada perigosidade de tal ideia, ela, sim, será perigosa. Insensata, talvez. Mas o Prof Blyth demonstra a correcção do seu raciocínio. Ora oiça:




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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

SURPREENDENTE!

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O relato seguinte é verdadeiro, passou-se com pessoa das minhas relações e com ele pretendo mostrar que, mesmo em Portugal, há técnicos e profissionais – portugueses, não garanto, mas estrangeiros seguramente que sim – que têm um procedimento absolutamente ímpar, louvável e surpreendente para o espírito que molda e anima o comum dos mortais…
Senão, vejamos.

Makoto Sakamoto é um dos discípulos dilectos de Mestre Kobayashi, o famoso e conceituado terapeuta, segundo métodos tradicionais e científicos orientais (japoneses, no caso), que era procurado, para cura dos seus males relacionados com a coluna vertebral, por toda a casta de cidadãos das várias condições sociais e por toda a espécie de profissionais, médicos incluídos.
Samakoto, todos convêm, não deslustra o nome, o saber e a competência do seu Mestre.

F., com problemas e manifestações dolorosíssimas na zona lombar, acorreu, recentemente, aos serviços de urgência de Santa Maria. Aí foi atendido com aceitável rapidez, onde, no seguimento das consultas lhe fizeram os exames complementares de diagnóstico normais, RX incluído, na sua situação pessoal, diagnosticando uma lombalgia. Ali mesmo lhe administraram um fármaco injectável e prescreveram outros. E regressou a casa.

F., contudo, apenas deitado conseguia vencer a crise, já que, de pé, muito dificilmente conseguia aguentar as dores. E, muito menos, conseguia fazer qualquer esforço.
E foi nestas condições que passou três ou quatro dias.

Por fim, e a conselho de pessoa amiga, consultou o especialista Makoto Sakamoto. Este, vista a radiografia, pedindo esclarecimentos complementares a F. sobre a situação e procedendo a testes, referiu que lhe parecia conseguir ultrapassar o problema em seis sessões do seu tratamento.
Mais (e aqui o primeiro dado da sua surpreendente e louvável mentalidade), se ao cabo de três sessões não sentisse muito sensíveis resultados, poderia desistir do seu tratamento.

Posto isto (e seguem-se os mais dados que deixam qualquer de nós embasbacado), e na hora de apresentar a conta dos seus honorários pela consulta (€ 60,00), Sakamoto quis esclarecer outros pontos da conversa que tinham tido antes, como se tinha trabalho ou se estava desempregado.
Ao que F. respondeu que estava sem emprego. “Mas tem disponibilidade de pagar?” – ainda inquiriu. “Sim”, respondeu o paciente. Nesse caso – continuou Sakamoto, para estupefacção de qualquer um de nós – paga a consulta e pagará cada sessão de tratamento, com um desconto total de 20% por cada uma, sendo 10% por atenção ao cliente que o recomendara e mais 10 (aqui, sim, a grande novidade) por estar desempregado (!!!).

Será imaginável um prestador de serviços, português, proceder em tal conformidade e demonstrar uma sensibilidade e uma mentalidade deste jaez?

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

“A CONCHA”


A casa, de traça arrojada, em forma de concha, é do jogador indiano de cricket Sachin Tendulkar, famoso entre os seus pares, construída em Bandra – Bombaim, sob risco do arquitecto mexicano Javier Senosiain.
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três vistas do exterior da “concha”

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dois pormenores da escadaria e do interior


jardim interior

caminho

"espaço poético"

sala da TV

salão de repouso


cozinha e detalhe

quarto
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Sem deixar de apreciar a genialidade do projecto, a excelência da qualidade, o paroxismo do sonho e do envolvimento e outros motivos que podem orgulhar a capacidade criadora e artística e de realização do Homem, já não pasmo, porém, com tais virtualidades porque a minha cabeça fica cheia de interrogações…

Não me coloco questões de legitimidade - nem de pudor, o que faria recordar, apenas, os tempos das virgens congeladas – mas questões de verdadeiro sentido crítico.

Não recrimino o dono da obra, mas lastimo que ele não tenha decidido fazer, antes, outra avaliação da matéria.

Enfim, e em termos do mesmo crítico, não deixarei de avaliar a possibilidade de se estar perante uma absoluta ausência de (tal) necessidade mas de um indisfarçável e agressivo excesso. Apenas.

É claro que ultra ricos – por herança antiga e acumulada, por meios mais ou menos transparentes, ou por mor de processos inconfessáveis – sempre os houve, mas nunca na proporção assustadora com que hoje proliferam, e que continuam a ser o sonho constantemente adiado de pequenos e médios burgueses, de frágil consistência, ou de mais alta burguesia cujo mais pesado crivo de dívidas lhes retarda a desejada meta.

Como peixe na água estão os “vivos”, os “boys” e os “clientes inolvidáveis” que, de uma obscura noite para um memorável dia, se sentiram arrebatados ao Olimpo para serem presenteados, sem que o mundo dos terráqueos desse por tal, com desmesurada generosidade por certos deuses circunstanciais, como se tudo se tivesse passado no campo da pura virtualidade.

Para esses não existem, no respectivo vocabulário, termos como senso, contenção, sentido crítico.



É preciso – é verdade – saber distinguir todas estas situações, conquanto, na prática (nos gostos e suas concretizações), tudo se reconduza, com ínfimas diferenças, ao mesmo, no mundo dos comuns mortais.
E ao mesmo porquê?
Porque o que efectivamente conta é que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres são cada vez mais visivelmente carenciados.

O luxo asiático torna o quadro mais melindroso e menos compreensível. Com ele, a muito provável marca do acinte da afronta é mais marcante.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

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«Como era Lisboa antes do terramoto de 1755

Fonte: Museu da Cidade e Público.pt

O Museu da Cidade, em conjunto com uma equipa da empresa portuguesa SWD Agency, recriou virtualmente ruas, praças e edifícios emblemáticos da capital antes da destruição provocada pelo sismo de 1755. A três dimensões, estes modelos virtuais, alguns animados em vídeos, transportam-nos para as ruas de Lisboa nas vésperas do terramoto. A partir desta quinta-feira, 25 de Novembro, no Museu da Cidade.»

Trago do Público de hoje e deixo aqui este modesto contributo de tão importante e interessante matéria, desde hoje apresentada no Museu da Cidade, objecto de aturado estudo:

1.

City and Spectacle: A Vision of Pre-Earthquake Lisbon from Lisbon Pre 1755 Earthquake on Vimeo.




2.

City and Spectacle: a vision of pre-earthquake Lisbon from Lisbon Pre 1755 Earthquake on Vimeo.



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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SERVIÇOS MÍNIMOS

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Boa, Alfredo!

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(Luís Afonso, Público, QA 24.11.10/Opinião/Bartoon)
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VENEZA

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Praça de S. Marcos

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Lembrando e parafraseando Jorge Sampaio (numa situação do género desta que hoje vivemos), há mais vida para além do Orçamento. (Haverá?)

O pior é que eu aproveite a pausa para falar doutra desgraça (segundo alguns) anunciada.

Veneza deve ser uma daquelas cidades italianas que tem mais (magníficos) monumentos por quilómetro quadrado.

E é uma beleza aparte: é uma das pérolas do país.
Nem é necessário encontrarmo-nos perante uma nova e assolapada paixão, para querer voltar lá. Enquanto é tempo…

Trata-se, de facto, de refúgio muito convidativo para os amantes. Mas, para além dessa característica, Veneza transforma-se, ela mesma, numa paixão para o seu visitante atento.
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mapa do centro de Veneza

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Pois a cidade das gôndolas está ameaçada de desaparecer em menos de 50 anos!
A lagoa adriática que foi o seu berço, pelos vistos, segundo os especialistas, virá a ser a sua sepultura, dentro de pouquíssimas décadas...

As imagens que seguem são cada vez mais recorrentes. E um mau presságio.












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Esperemos que os profetas dessa desgraça se enganem.
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

BEBER ÁGUA DOS CHARCOS

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crianças sudanesas dessedentando-se

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Sei que o termo é violento, lastimo. Mas que tal, em vez de se beber água tratada, ou potável, chafurdar nas águas pantanosas e inquinadas, até há pouco em termos absolutos, desde há algum tempo em termos relativos?

Seremos capazes de avaliar estas condições, a gravidade dos riscos, a humilhante situação e a problemática saúde da generalidade dos povos africanos perante o razoável (no mínimo) conforto das nossas vidas em países e ambientes evoluídos?

Bom, e estes tubos de plástico, vermelhos, para essas populações beberem a água dos charcos são já um avanço recente, pois que dispõem de um filtro especial para essa função! Um luxo!?...

Não farão tais condições que nos sintamos incomodados?

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

P'RA SOSSEGA

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De entre os meus favoritos p’ra sossega, (tirando os clássicos – que são mais adequados para outros momentos) estão, entre mais, o Ennio Morricone (um jovem nascido em 1928), o Vangelis (1943), sei lá, o Keith Jarrett (1945). E outros.
Agora imagine-se o que é juntar a “mansidão” o “aconchego” dum Ennio Morricone com a saborosa fluidez, a vigorosa, cristalina a transparente voz, os agudos inebriantes de Dulce Pontes (1969), como tem acontecido desde há tempos em várias peças assinadas por ambos…!
Como acontece, afinal, no exemplo seguinte:



Uma maravilha, ou não estão de acordo comigo?

Eu… estremeço interiormente, confesso. De prazer.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DIÁLOGO

«No amor ou na amizade se balançam
entre estar longe ou perto
das margens do coração ou do entendimento»
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . (Bet)
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No amor ou com amizade se entregam
desfazendo distâncias
num abraço muito estreito
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

JOANA AMARAL DIAS EM DIRECTO



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Joana diz, em poucas palavras, aquilo que outras pessoas, prolixas, só conseguem fazer em extensos textos.
Num curto apontamento, que além de conciso é rigoroso, como o que deixo transcrito a seguir, seu e em directo, como o endereço electrónico que se segue à sua assinatura demonstra, ela confessa que desconhece “qual é o dom especial que [os gestores portugueses] possuem para que ganhem muito mais que todos os outros” [profissionais com o mesmo grau académico, como médicos, cientistas, etc]?
É que, “segundo um estudo da Mckinsey, Portugal tem dos piores gestores.”

Mais, acrescenta ainda Joana: “Os nossos trabalhadores são dos mais mal pagos da Europa, mas os gestores são dos mais bem pagos. Um gestor alemão recebe dez vezes mais que o trabalhador com o salário mais baixo na sua empresa. O britânico 14. O português 32.”
É obra!

Não obstante a realidade atrás descrita e os juízos “elogiosos” que acerca deles (gestores) anotou, Joana recorda: «dizem que os bons gestores escasseiam [em Portugal] e é necessário recompensá-los. Senão, fogem do país.» Daí Joana parte para uma feliz comparança: “A fuga das
galinhas”, uma animação britânica (Chicken Run) do ano de 2000 que críticos e público consideraram a comédia mais original do ano e como o "entretenimento mágico para todas as idades!"
Após o que a mesma autora conclui: “Ok. Então, é simples. Se são assim tão poucos, ide. Não serão significativos na crescente percentagem de fuga dos cérebros que estavam desempregados/explorados. Depois, contratem-se gestores alemães ou ingleses. Por lá, não rareia tanto a qualidade. Estão habituados a discutir não só ordenados mínimos como ordenados máximos. E sempre são mais baratinhos.”

É ou não é de mestre?





Veja-se, então, o original da colunista política e comentadora (os sublinhados são dessa versão):



Abril 2010
Pensar alto

A FUGA DAS GALINHAS

Um gestor vale mais do que quem salva vidas e cria (vários tipos) de riqueza como um médico ou um cientista? Qual é o dom especial que possuem para que ganhem muito mais que todos os outros? Não se sabe. Mas essa ignorância não altera os rendimentos.
Mesmo que os resultados empresariais derivem de uma extensa cadeia. Mesmo que todas as empresas devam ter um papel social. Pois é. Os nossos trabalhadores são dos mais mal pagos da Europa, mas os gestores são dos mais bem pagos. Um gestor alemão recebe dez vezes mais que o trabalhador com o salário mais baixo na sua empresa. O britânico 14. O português 32. Mas, segundo um estudo da Mckinsey, Portugal tem dos piores gestores. Logo, quando se fala em reduzir direitos e salários, a quem nos devemos referir? Lógico? Não. Dizem que os bons gestores escasseiam e é necessário recompensá-los. Senão, fogem do país. Ok. Então, é simples. Se são assim tão poucos, ide. Não serão significativos na crescente percentagem de fuga dos cérebros que estavam desempregados/explorados. Depois, contratem-se gestores alemães ou ingleses. Por lá, não rareia tanto a qualidade. Estão habituados a discutir não só ordenados mínimos como ordenados máximos. E sempre são mais baratinhos.

Joana Amaral Dias, Docente universitária (pensaalto@gmail.com)


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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

COMEÇOU A CAMPANHA PARA AS PRÓXIMAS LEGISLATIVAS

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Ontem, quando toda a gente pensava que se iniciava, na AR, a discussão sobre o orçamento, tendo presente o acordo acabado de assinar entre o governo e o PSD, com data, hora, minutos e segundos registados… Eis que assistimos, antes a uma balbúrdia, a um tiroteio (mas de canhão pesado) sobretudo entre as bancadas deste PS e a do PSD, a uma troca de acusações, insultos e outras atitudes pouco próprias entre dois parceiros…

Pois… É que, ao contrário do que nos persuadiram, não assistimos à discussão do orçamento que hoje vai ser aprovado, mas antes ao início de uma feroz campanha eleitoral para umas legislativas ainda com data incerta, mas lá para meados do próximo ano.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"OS 4 PILARES DA ECONOMIA PORTUGUESA"

Não sei quem é o fotógrafo, mas o retrato está perfeito!

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Daí que não tivesse resistido a deixá-lo aqui, para memória futura e presente vergonha.


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RELEMBRANDO PARA NÃO ESQUECER

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o wrestling (como o mais caricato espectáculo campeão do faz-de-conta do desporto duro) tem neste momento no PSD e no simulacro de PS que governa o país, a sua melhor performance. E aos murros no chão, na contagem para o KO, tem o inquilino de Belém. Nalguma coisa somos os melhores


Antes de mais, recordo a minha postagem “Quase nos adormecem…” de 16.10.10.
Depois, veja, atentamente, o seguinte vídeo, e note o ar vencedor e aparentemente indignado de Marques Mendes.


video
Não há dúvida que os números são arrasadores e inquietantes, a roçar o obsceno e o escandaloso.
A propósito destas declarações, agora melhor explicitadas com o vídeo acabado de ver, mas já antes referidas de forma mais sintética, Marques Mendes, falando grosso e assertivo, adopta uma atitude patética de denunciador corajoso de situações inúteis mas agravantes do erário, como se fosse capaz de as fazer se o seu partido estivesse, ele, agora no poder…
Teatro, claro. Pura representação para eleitor impressionar.
São revoltantes e abomináveis estes actores de meia tigela… (Inclusive Cavaco, conforme deixou bem explícito na sua inesperadérrima declaração de candidatura… Declaração essa que foi um bleuf e uma vergonha)
Se, neste momento, e em grande medida, a responsabilidade máxima e directa é desta espécie de PS, isso isenta de responsabilidades e de culpa o maior partido da oposição? Este volume de inutilidades para sustentar a gula de tantos gandulos que vivem à pala do Orçamento foi criado no último lustro ou nos últimos decénios? Não concorreu para ele o PSD, dirigido, até, pelo actual presidente?
É claro que é simbólico o número de instituições dessa enxurrada a que se irá pôr termo… Ou poderia lá, o actual e o próximo futuro governo, acabar com as prebendas dos seus fiéis?
A posição do PSD, como oposição, coloca-o, neste momento, na situação confortável de poder criticar e responsabilizar este governo deste PS, como se sempre tivesse contribuído (o PSD) com uma política de melhores resultados.
O que não corresponde à verdade, como todos sabem.
A castanha não estalou nas mãos de governos do PSD (de Cavaco, designadamente, como já referi nestas páginas, em “Resolvido o tabu, eis a enorme surpresa!” de 27.10 e “A desmontagem de um mito” de 28.10) porque não se conjugaram, então, para esse acontecimento, as causas exógenas que agora vieram agravar a situação.
Mas em grande medida, e para estes glutões da mesa do orçamento contribuíram – ninguém ignora – governos do PSD. Sobretudo os de Cavaco que governou à tripa-forra.
Como é que sujeitos, como Marques Mendes, e outros, que também foram governo, só agora se crispem e, pondo asas, finjam falar de coisa nova a que são alheios?
Porque é que – neste caso concreto, porque é especialmente ele que está em foco com as suas declarações – porque é que, repito, Marques Mendes, do alto do seu poder, quando foi ministro, não denunciou, com o vigor agora usado, tais situações?
Como é que o povo pode ter boa, ou pelo menos razoável opinião sobre tais políticos? (Uma das pessoas que mais tem contribuído para essa péssima opinião é o próprio presidente que sempre quer mostrar-se como não político, insinuando vogar no éter, pairando sobre a política, como um arcanjo… Não significará isto um conceito de político como de um ser reles?)
O mais “barato” que se lhes pode chamar, a todos que tais, é fariseus!
O povo tem, aliás, uma designação mais expressiva para tais indivíduos: chama-lhes pantomimeiros (aliás, pouco versado em semântica, o povo chama-lhes, mesmo, é pantomineiros!)

Chega de teatro: assumam todos a responsabilidade sobre a situação em que nos colocaram.
A eles, políticos, boys, afilhados, compadres e “desinteressados” (?!) amigos, que têm um lastro abundantíssimo de proventos e bónus, a crise não lhe vai doer nada… Perdem (se perderem, e os que perderem) uns trocos!
Estão assim à vontadíssima para fazer recair sobre a classe média e sobre a mais carenciada as consequências da situação… Uns, acompanhando a situação com lágrimas de crocodilo, outros pondo um ar contristado, mas todos sem o mínimo de pudor, de dignidade e de verticalidade. E, de entre eles alguns com fama de impolutos, como Cavaco, um dos tais exemplos de alguém que usufrui de não sei quantas reformas à custa o Orçamento...

Que tristeza de falta de vergonha, e de sensibilidade, e de responsabilidade, e de respeito e de dignidade! A começar por Cavaco, com a sua falta de pudor no seu discurso recente, todo ele virado para o seu umbigo, mas fingidamente modesto e impoluto. Uma vergonha.

Precisará um candidato que fez campanha diária com tempos sucessivos de antena antes de anunciar a candidatura e que a partir de agora aparecerá vezes sem conta no melhor outdoor (TV) onde efectivamente não gasta um cêntimo, precisará ele de ter cartazes por aí fora? Outra atitude preconcebidamente fingida. Só se for para os desordeiros habituais lhe pintalgarem uma dentuça comprida de cada lado da boca. Mas vampiro ou acentuadamente parolo, sempre assustaria os passantes.

Não lhe pesará na consciência todo o conhecimento (e experiência concreta: caso BPN e caso Fernando Lima, por exemplo) que sempre silenciou, acerca de gravíssimas falcatruas que ocorreram nos últimos tempos?

Cavaco é de facto um político da craveira daqueles que ele quer denegrir.
Todos estamos fartos de ouvir e reouvir, de ler e reler, que ele é tão mau como os piores, ainda que se pretenda apresentar como sério e impoluto. Fingidamente, claro.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

AINDA O ORÇAMENTO




Nem de propósito...

Sempre atento à situação, hoje cá temos, de novo, o nosso Alfredo com o seu habitual senso e com a acutilância de sempre...





(Luís Afonso/Público de hoje/Bartoon/ em sede de Opinião)




ORÇAMENTO VAI PASSAR – OUTRA “SURPRESA”(?!)



imagem rapinada (por uma boa causa) ao Karikamania de Nelson Santos



Toda a gente diz que se trata do Orçamento do PS (deste PS deste governo) e do PSD. Salvo os Yessmen do PSD, como é óbvio (convém-lhes lá uma leitura dessas? E eles sabem bem porquê!).


Dentro do próprio PS (não desta turma de “neuro-liberais”, na feliz expressão de Sérgio Ferreira Borges) ele foi repetidamente apontado como um mau orçamento. (Campos e Cunha, ex-ministro deste governo foi o menos duro: chamou-lhe um orçamento medíocre)


Os experts que tenho lido e ouvido (os de toda a esquerda, porque os outros geralmente são surdos em certas circunstâncias como esta) é que ambos os parturientes deste aleijadinho tiveram mais que tempo para avaliar o resultado que semelhantes orçamentos tiveram ultimamente. Para corrigir “o tiro”… Mas não quiseram.

Isso é coisa em que não querem pensar ou que pouco os preocupa.

O que, em uníssono, afirmam aqueles críticos, é que ele vai ter consequências muito mais catastróficas do que as que geralmente já foram enunciadas.

E essas criaturas, a quem cabe a paternidade do OE, insistem que é um orçamento feito a pensar no superior interesse da Nação e nos mais carenciados… Ou seja, um bom orçamento.

A triste novela que representaram, os jogos e os gags (como o da interrupção das negociações por imposição do PSD para, na pobre e infeliz declaração do ultra narcisista Cavaco sobre a sua recandidatura, ele poder de novo proclamar-se como um presidente exemplar e único salvador da Pátria, quando já estava negociada a passagem do Orçamento) foram motivo de grande gozação, pois pensaram que os asnos que nos imaginam, não estávamos a ver as jogadas do sim e não, do talvez e do vamos ver, dos avanços e dos recuos, das declarações e contradeclarações. Que não víamos tratar-se de uma triste farsa (saloiamente) montada para nos distrair e enganar.

Acerca destes trastes, desta cambada de irresponsáveis, destes bestuntos interesseiros, Cavaco tem razão: os políticos - generaliza o isento (?!) presidente - são uma classe nada recomendável! Não é capaz de o afirmar explicitamente, mas é sem espécie de dúvida o sentido para que aponta.

Coitado: pese embora a sua matriz de fisionómica ruralidade, o sr, ilusoriamente, imagina-se de cariz urbano e de muito superior classe, fora da órbita dessa escumalha…




sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O ESTILO "PAROLO-FÚNEBRE" NO SEU AUGE




«Quando passar numa das principais artérias da cidade de Lamego, não vai precisar de muita atenção para esbarrar numa original placa. Não se trata de um escritório de advogado, ou um consultório médico, nem mesmo de um gabinete de contabilidade, mas sim da novíssima profissão liberal de, imagine lá... deputado!! A mediocridade não enxerga além de si mesma, já dizia Doyle e, antigamente este tipo de pessoas recebiam apropriado adjectivo mas hoje, ainda que tal aconteça pouco lhes importa... já perderam a noção do ridículo e a vergonha!» (lê-se em múltiplos emails que circularam na net).


Confirmei a história no Público, edição online de há semanas, mais precisamente de 28.09.2010, numa local da jornalista Sandra Ferreira. Artigo a que, na net, só têm acesso os assinantes do mencionado tipo de edição desse jornal (meu caso), e que aqui acompanho.

Aí se refere a onda caricata, lerda e ridícula que, acerca de tal placa, enxameou os jornais locais, a Internet, a blogosfera e até o Facebook! É aí, em todos esses meios de comunicação, que se diz ter o assunto sido tratado como sendo de estilo "parolo-fúnebre" – lê-se naquele diário.

O pobre do deputado, de comprovado gosto mais que duvidoso, ficou apavorado, imagino, pois considera (lê-se no mesmo periódico) e lamenta que foi alvo de um "ataque feroz".

Pudera! Pois se o sujeito não se enxerga…

Na sequência dessa “algazarra” de farto gozo, o sr deputado resolveu substituir a placa por uma outra onde apenas consta o seu nome.

Deixando assim à imaginação de cada um o atributo ou a função que se presume dever acrescentar-se ao nome. (Nalguns casos essa imaginação deve traduzir-se em termos muito curiosos e piadéticos).

Se o estilo “parolo-fúnebre” pagasse imposto, só por este caso o fisco não apuraria grande soma (a menos que aquele fosse – como deveria ser – muito elevado).

Mas não. Os casos repetem-se em número tão elevado que, mesmo em valor mais modesto, o referido imposto constituiria uma riquíssima receita.

Num país, como o nosso, de raízes e tradições cristãs, este gozo da populaça traduz um fraco pendor de caridade!...

Ou, noutra perspectiva, independentemente de tais raízes e tradições, nem é tanto o estilo provinciano que é motivo do comentário mordaz e de gozação, mas o bacoco e pacóvio…

Paz ao seu espírito! (Embora a não mereça por mor da sua petulância, conquanto saloia!)




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A DESMONTAGEM DE UM MITO

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Quem leu o meu post de ontem, acerca de Cavaco, na sequência da sua declaração de recandidatura, e tenha lido, no Expresso.pt, do dia anterior, o Artigo de Daniel Oliveira, OS CINCO CAVACOS, há-de ter pensado que, de alguma maneira, e em parte, eu também o tinha lido.
Não é que tivesse alguma importância, se isso tivesse acontecido: batemos, ambos, nalgumas mesmas teclas, sem que haja plágio da minha parte, e sendo a música, em geral, outra.
Mas, por acaso, não costumo ler o Expresso.pt, como também o não li no dia 26. (Aliás, também o não costumo ler - nem comprar, claro - na versão impressa.)
O artigo, que merece figurar no Apostila – porque é um bom trabalho e representa uma época – recebi-o por e-mail.

Insisto que é muito bom este trabalho de Daniel Oliveira que faz a desmontagem (o que eu, igualmente, pretendi com o meu post de ontem) do mito Cavaco com muito maior desenvolvimento, qualidade e acutilância do que o meu post. Em vez de desmontagem dum mito, em boa verdade, mas de forma menos soft, eu diria, antes, desmontagem de um tremendo bleuf


A descrição de cada Cavaco está muito bem feita. E então a frase com que ele fecha o artigo é tão arrasadora como verdadeira.

Veja, pois, no Apostila OS CINCO CAVACOS.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

RESOLVIDO O TABU, EIS A ENORME SURPRESA!

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Como logo se vê, e a imagem ilustra, só após tremendamente difícil e "profunda reflexão"…

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Finalmente o tabu foi quebrado. Estávamos todos ansiosos por saber se Cavaco ia recandidatar-se ou não. Toda a gente vivia numa tremenda ansiedade há espera de desfazer essa dúvida.
Então não é que, para enormíssima surpresa de todo o mundo, o actual presidente decidiu recandidatar-se? Mas não foi decisão fácil. Muito menos já decidida… Não. Foi na sequência de uma “profunda reflexão”.

Daí a enorme e inesperada (passe a tautologia) surpresa!

Definitivamente não têm, a generalidade dos nossos políticos, até o sorumbático presidente, a mínima noção do ridículo. Também ele nos tratou, ontem, nessa declaração, como totós e imbecis.
“Profunda reflexão”, imagine-se!

Vamos ver, agora, se se confirma ou não que a memória do povo é muito fraca e que o povo português, muito calejado, esquece, de novo, coisas que devia ter bem presentes.

Cavaco foi ministro das Finanças e depois primeiro-ministro durante 10 anos. E Presidente no decurso dos últimos 5.

É, pois, embora lhe não convenha que disso se fale, um dos responsáveis pela situação em que nos encontramos.
Foi durante o seu longo consulado de chefia do Governo que houve, à fartazana, distribuições de facilidades e benesses à função pública (com natural projecção no sector privado), muito para além do que seria justo e razoável, não tendo tido o cuidado de calcular (conforme a sua formação académica e um normal senso aconselham) que a seguir ao tempo das vacas gordas do seu mandato, poderia surgir, como aconteceu, o tempo das vacas magríssimas. E que essas gordas ofertas viriam a tornar-se insuportáveis?

O sector público não ambicionava mais que a melhoria de situação que já era vivida no sector privado. Mas não, o chefe do governo, Cavaco, não se restringiu à reclamada e justíssima paridade. Pelo contrário, alargou-a, enchendo os bolsos dos funcionários para além do expectável.
Depois… Bem, depois de uma política de mãos rotas em que começaram os institutos públicos, as empresas municipais, as fundações, sei lá que mais, a multiplicar-se como cogumelos… é o que hoje se vê.

Pensará o Presidente que pode lavar as mãos desta situação?

Esquecerá o povo tudo isto e será capaz de o eleger, de novo, como um salvador da Pátria?

Esperemos um sopro de sanidade mental dos eleitores e que tal não aconteça.
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Três pequenas notas finais:
- Recusei-me a acreditar que Eanes tenha dado cobertura a esta farsa…
Mas parece que deu mesmo!
- Cavaco garantiu ir fazer a campanha mais barata… Desde agora, esqueceu-se de acrescentar. Não contando com a feita até agora, encapotada no exercício do seu cargo.
- E o continuado exercício do mandato, a partir de agora, dispensa-o bem de grandes gastos… Obviamente!

E uma derradeira conclusão, na sequência daquelas duas últimas notas:
Mais uma vez o presidente, agora também candidato, quis fazer de nós uns atrasados mentais…

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

A ESQUERDA E O ORÇAMENTO, EM SÍNTESE


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a entrega da pen com o OE

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O OE que, na opinião de Medina Carreira, certifica que “estamos a caminhar para uma tragédia do Estado social”, é assim, e em síntese, avaliado pela esquerda:

Medidas de austeridades “são uma descida aos infernos”, avisa José Manuel Pureza (do BE)

Francisco Lopes (candidato do PCP às próximas presidenciais), que já demonstrou saber mais do que de disjuntores, lâmpadas e fusíveis, considera aprovação do Orçamento "uma tragédia para o país".

Ana Gomes (da ala esquerda do PS – por vezes, e por alguns, preconceituosa e precipitadamente mal avaliada, mas de uma genuína seriedade e verticalidade), em declarações à Antena 1, acusa o Governo de “insensibilidade social”, afirmando que a sua proposta de Orçamento do Estado para 2011 é “injusta na partilha dos sacrifícios”, pelo que espera que as negociações com os partidos, nomeadamente com o PSD, leve à correcção das situações que prejudicam os portugueses com rendimentos mais baixos e os desempregados.

Numa outra circunstância, ainda a respeito do Orçamento, mas agora em declarações à Lusa, insiste Ana Gomes: "Não aceito que a banca não seja mais taxada" e critica o esforço que é pedido aos portugueses, insistindo não aceitar que "a banca e tudo o que tenha a ver com mais-valias e transacções financeiras não sejam mais taxadas em benefício do Estado numa situação de emergência como é esta". Pouco depois, conclui: "é difícil aceitar que famílias de recursos mais baixos ou medianos tenham que fazer um esforço superior àquele que se exige aos mais ricos, nomeadamente a banca e outras instituições" que não estão sujeitas a uma tributação mais alta em prol do estado.

Apresento uma síntese mais desenvolvida da opinião de Ana Gomes
porque muita gente pensa que, no PS, todos afinam pelo diapasão
do governo.
O que acontece é que a política deste PS deste governo não confere
com a opinião da generalidade do partido.
Falo de Ana Gomes por ser um dos mais conhecidos elementos
desse partido; melhor dito, da ala esquerda dele.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A TAP NÃO VIVE DO ERÁRIO, ANTES CONTRIBUI PARA ELE

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Os mass media e a blogoesfera têm trazido, de há tempos a esta parte, muitas situações relacionadas com “fardos” suportados indevida ou injustamente ou para além do razoável por parte do erário público - ou dos contribuintes, que é o mesmo.
Muitos deles denunciando casos que correspondem, em boa verdade, a situações como as que se acaba de referir, que merecem denúncia e o nosso repúdio. Mas, entretanto, insistindo noutros que, por razões certamente inconfessáveis ou de inadmissível ignorância, não cabem naquele rol. É o caso de repetirem, à exaustão, que, nessa enumeração cabe a TAP. E, como se sabe, desde todos os tempos, uma mentira muitas vezes repetida acaba por, na prática, se tornar numa “verdade”.

Independentemente disso (ou talvez não) é mesmo muito vulgar as pessoas pensarem que a TAP vive à custa do Estado.

Ora manda a verdade que se esclareça – e a companhia fê-lo através do seu porta-voz – que a TAP há 13 anos que não recebe nada do Estado.
Mesmo as chamadas "indemnizações compensatórias", aplicadas no âmbito do serviço público às Regiões Autónomas, são ajudas aos respectivos residentes, não às correspondentes companhias operadoras.

Assim, e em abono da mesma verdade, deve esclarecer-se que a TAP não só não recebe nada dos contribuintes como, bem pelo contrário, “contribui muito positivamente para as finanças públicas” já que “gera todos os anos uma apreciável receita líquida para os cofres públicos”. Senão, veja-se: “Só em 2009 foram [entregues ao Estado] 198.734.297,5 euros, relativos a impostos e contribuições para a Segurança Social.”

Esta, sim, é a informação correcta e verdadeira.
Reponham-se, portanto, os pontos nos ii, e não se envenene a opinião pública neste ponto, fazendo justiça a uma das empresas portuguesas com mais prestígio nacional e internacional.
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(Ex-empregado TAP, hoje reformado, sou do tempo em que se “vestia a camisola” da companhia e se contribuía para a sua boa imagem. Daí o fazer aqui eco de uma elementar ética relativamente à mesma empresa.)
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UMA VIRTUALIDADE CADA VEZ MENOS VIRTUAL

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Galáxia encontrada pelo Hubble é o mais distante objecto já visto.
Estudar estas galáxias primordiais é extremamente difícil.
Embora originalmente brilhante, a sua luz já está muito ténue quando chega à Terra.
[Imagem: NASA, ESA, G. Illingworth/HUDF09 Team]
Com informações do ESO (Observatório Europeu do Sul) - 21/10/2010

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Não há muitos anos atrás, seria impensável uma notícia destas:

«Invulgar
ONU tem embaixadora para comunicar com extraterrestres
Diário Económico 28/09/10 13:57

A ONU vai nomear uma embaixadora para o Espaço para coordenar a resposta da Humanidade na eventualidade de um contacto alienígena.
Esta missão será confiada à astrofísica malaia Mazlan Othman, que na próxima semana irá explicar as suas competências, numa conferência, em Inglaterra.
Este novo cargo surge depois de terem sido descobertos um grande número de planetas que orbitam estrelas, o que aumenta a possibilidade de um contacto extra-terrestre.»
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Galáxias “apaixonadas” (web)
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Com esta evolução… que mais poderemos esperar? Muitas mais notícias deste jaez: hoje inesperadas… Sei lá: por exemplo os tais contactos com alienígenas, exploração de novos mundos, estudo e implementação de formas de comunicação com eles, contactos para troca de experiências, contactos para análise do estádio de desenvolvimento (conceito já então uniformizado e utilizável) entre eles, estudo e implementação de formas de colaboração mútua, contactos para troca de conhecimentos com a correlativa alteração (naturalmente profunda) dos mesmos, etc, etc, o que – pelo menos entre nós – desencadeará uma revolução (quiçá radical) em sede de todas as ciências, conceitos filosóficos, religiões, costumes, cultura.

Será, ainda, o fim de muitas “certezas”.

A ser assim, não será, então, ainda, o apocalipse… Mas abalará, profundamente, muitos milhões de humanos.

Não será, por certo, ainda, na nossa geração que estas virtualidades se transformarão em realidade. Mas que já algo se admite nesse sentido… aí está esta nomeação a prová-lo.
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